<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754</id><updated>2012-01-03T00:03:22.263Z</updated><title type='text'>lazuli</title><subtitle type='html'>&lt;center&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/67/243125849_3724535eea_o.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;
"Na Primavera, quando os bosques ficam verdes, tentarei dizer-te o que te quero dizer..No Verão, quando os dias são compridos, talvez tu compreendas a canção. Pois isto deve sempre ser um segredo guardado de do todos os outros, entre ti e mim" - Alice no País das Maravilhas</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>149</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-2409081827104573350</id><published>2009-08-10T01:50:00.002+01:00</published><updated>2009-08-10T02:50:19.215+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Sem tempo nem lugar que me levem a altos voos, continuo a mesma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo filmes mas não faço criticas cinematográficas em blogs, leio livros e não critico o seu conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou a um ou outro espectáculo e não me interessa se o dó ou ou ré não pertenciam ali.&lt;br /&gt;Gosto, ou não gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que me interessa se o actor X trazia um Rolex no tempo do Constantino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto para dizer que ao reabrir temporariamente este blog, não sou essencialmente diferente.&lt;br /&gt;Talvez nuns pormenores o seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez mais distante do que era. Talvez menos intimista. Será melhor ou pior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como em tudo, há quem goste, e há quem não goste. Dantes, gostava que gostassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lia os comentários com gosto. Não gostava de alguns, é verdade, mas nunca hostilizei ninguém.&lt;br /&gt;Vou escrever o que me der na gana, excepto poemas de amor. Daqueles tais. Outros, talvez. Se me der na gana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou farta deles, são mato por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Politica, nem pensar. Não acredito neles. Só se vier um ET que ensine a esta gente como gerir um país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, não terei um blog decente. Antes pelo contrário.Talvez seja alegremente indecente.&lt;br /&gt;Depende da opinião de cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hasta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-2409081827104573350?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/2409081827104573350/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=2409081827104573350' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/2409081827104573350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/2409081827104573350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2009/08/sem-tempo-nem-lugar-que-me-levem-altos.html' title=''/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-8988135766308791098</id><published>2009-07-26T18:01:00.002+01:00</published><updated>2009-07-26T18:34:32.605+01:00</updated><title type='text'>Eu amo a Câmara Municipal de Lisboa</title><content type='html'>Algo me aconteceu que me faz pensar no fundamentalismo. Oremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me refiro ao Hezbolah, ao Bin Laden, ao Klux Klux klan, ou às claques dos clubes de futebol e por aí adiante. Refiro-me à mansa justiça do dia a dia, aplicada com doutos pareceres jurídicos elaborados por incansáveis servidores do bem público em bibliotecas pejadas de jurisprudência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas resumindo, foi assim: como cidadã habituada a não deitar para o passeio os restos do jantar&lt;br /&gt;(metáfora para utilizar a palavra "lixo"em geral), uso aqueles sacos de plástico apropriados&lt;br /&gt;para o efeito e coloco-os no contentor do prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E até me dou ao luxo de andar umas centenas de metros para, religiosamente, cumprir o objectivo dos recipientes de reciclagem, que é uma questão  mais espírital do que material.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois numa dessas vezes, deitei nos tais sacos, e respectivo contentor, algumas revistas velhas,&lt;br /&gt;prospectos, catálogos de publicidade e coisas que tais - cuja quantidade, por tão pouca, não&lt;br /&gt;merecia pôr-me a calcorrear à chuva até aos pontos verdes, amarelos, azuis e encarnados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis senão quando, passado algum tempo, recebo uma carta registada com aviso de recepção da&lt;br /&gt;ilustre Câmara Municipal de Lisboa, pejada de artigos do CPA e regulamentos camarários,- que&lt;br /&gt;faria inveja a um parecer da Procuradoria-Geral da República - instando-me, sob pena de&lt;br /&gt;instauração de acção judicial, a pagar uma choruda multa, mais custas e juros. E sabe-se lá que mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porquê? Porque as ditas revistas, ou algumas delas, tinham sido encontradas espalhadas no&lt;br /&gt;passeio, numa rebaldaria sem par, e como o meu nome e endereço constava delas, era claro,&lt;br /&gt;evidente, e juridicamente indiscutível para os doutos doutores, que tinha sido a minha pessoa a espalhá-las sem eito nem jeito, no passeio da cidade que é, como se sabe, impoluta e acérrima defensora do ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o mais paradoxal é que as revistas não estavam à minha porta, estavam junto a um outro prédio numa outra  rua tal, número tal (como consta da longa carta),e que dista largas dezenas de metros do sitio onde vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pasmei. E se as tivesse colocado no Rossio? Imaginei-me de metro, com um monte de revistas na mão, a pô-las subrepticiamente junto á pastelaria Suiça ou, quiçá, na Costa da Caparica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo e sabido que há gente a vasculhar os contentores de lixo.Já assisti a mares de roupas&lt;br /&gt;espalhadas pelo chão...Felizmente não tinham as minhas iniciais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo e sabido que pessoas há que levam determinados objectos, e que os lançam, depois, onde&lt;br /&gt;lhes aprouver, se a coisa não lhes interessar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso, para a Câmara Municipal de Lisboa, é piece of cake. Está lá o nome? Pimba!  Ahhhh...esfregam as mãos de contente.Apanhámos um! Mais uma multa para contrinuir para a  avaliação de desempenho dos zelozos funcionários!! A recibo verde, mas adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, meus caros, tenham cuidado. Se deitarem umas cuecas velhas no contentor, com um&lt;br /&gt;bordadinho tipo "Adoro-te, João Sebastião", não tenham a certeza que elas lá fiquem dentro. Cortem, pelo menos o "Sebastião".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-8988135766308791098?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/8988135766308791098/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=8988135766308791098' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/8988135766308791098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/8988135766308791098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2009/07/eu-amo-camara-municipal-de-lisboa.html' title='Eu amo a Câmara Municipal de Lisboa'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-116109390578605278</id><published>2006-10-17T15:01:00.000+01:00</published><updated>2006-11-21T18:11:04.963Z</updated><title type='text'>Pássaros de seda</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/112/272238642_4873385961_o.jpg" width="650"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Qualquer coisa serve para escrever, ou para pensar. Mesmo o pormenor aparentemente mais insignificante. Um gesto que se nota, um pensamento que surge, alguém, uma pedra que seja.&lt;br /&gt;Hoje surgiu-me a Rosa Lobato Faria, uma escritora cujo valor ainda não foi devidamente reconhecido. Não que não seja conhecida. É dela o texto em baixo, uma intensa ligação amorosa, um desejo, um desenho emocional Não uma biografia. Uma coisa que apetece apenas. Escrevem-se poemas de palavras feitas de estrelas, de universos de sentimentos, palavras de aproximações, palavras de alusões.&lt;br /&gt;Escrevem-se biografias com fantasmas do passado ou desejos por realizar. Escrevem-se biografias novas, bonitas, poéticas, reinventando vidas. Hoje há a vida da época, da televisão, do vizinho. Já fabricada, embalada, reciclada, pronta a consumir em reminiscências poéticas. Antes do “bios”, a grafia. Poucos são os retratos reais de vidas vividas, pouco a pouco, sobrepostas na memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só uma coisa que apetece. E depois tudo recomeça, mais puro, recomeça do nada, do zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ele tirou a roupa com elegância e o seu corpo nu era bem a prova da existência do deus que criou o homem ao sétimo dia e descansou. Olhou-a sem a tocar e disse, tira a pulseira, os brincos, esse fio de ouro, quero-te nua, estás cheia de símbolos de classe social e agora não és nada disso, és um bicho soberbo, felino, em pleno cio. Ela obedeceu sem tirar os olhos dos seus olhos daquele dia, e ele procurou a boca dela pelo caminho das coxas, do ventre, dos seios, dos olhos, das orelhas, purificou-se na humidade dos lábios, disse palavras tontas, cântaro, barco à vela, fada, gueisha, camélia, tangerina, iniciou o caminho de volta enquanto as mãos ensaiavam voos de gaivota pela praia, pelos ombros, as costas, as nádegas, e os dedos festejavam e dizia palavras. E o corpo dela de tocaia suspenso entre o céu e a terra, oferecendo-se àquela língua sábia, enquanto o coração, ai dele, se afogava em marés ilimitadas. A sua branca, feminina garganta navegou em todos os cambiantes do murmúrio e do grito, e na hora vermelha, solta de todas as amarras, ouviu-se dizer palavras espantosas, morde-me, inunda-me, mata-me, quero que todos saibam que sou a tua coisa, a tua fêmea, ai.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;In “Os pássaros de seda”- Rosa Lobato Faria&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagem: &lt;a href="http://catedral.weblog.com.pt/"&gt;Dionisio Leitão&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-116109390578605278?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/116109390578605278/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=116109390578605278' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/116109390578605278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/116109390578605278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/10/pssaros-de-seda.html' title='Pássaros de seda'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-116043468590740821</id><published>2006-10-09T23:49:00.000+01:00</published><updated>2006-10-22T21:11:13.803+01:00</updated><title type='text'>Apontamento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/gal??xia.9.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/400/gal%3F%3Fxia.9.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um interessante livro de Jean Shinoda Bolen, "As deusas em cada mulher" (Editora Planeta), relacionado com o arquétipo feminino. Retiro um pouco do prefácio. Há também o contraponto masculino que ainda não li.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Existem sete arquétipos complexos a examinar e a combinar de diversas formas, e cada um possui dentro de si uma miríade de variações(...). É verdade que existem deusas que se identificam inteiramente pela sua relação com o homem poderoso - afinal viviam no patriarcado, tal como nós - mas também revelam o seu poder, tanto por subterfúgios como abertamente. E existem igualmente modelos de autonomia que assumem muitas formas, desde as sexuais e intelectuais às políticas e espirituais. Mais invulgar é o facto de existirem muitos exemplos de mulheres que se ajudam umas às outras e estabelecem laços entre si.&lt;br /&gt;Em segundo lugar, esses arquétipos complexos podem ser combinados e invocados segundo as necessidades da situação de uma mulher ou da parte por desenvolver nela existente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se, nos "media", um vislumbre de um modelo a imitar pode ter um impacto tão grande nas vidas das mulheres, quão mais profundas não serão, porventura, a activação e a estimulação de um arquétipo no íntimo de determinada mulher?&lt;br /&gt;Finalmente, não existem instruções para utilizarmos quaisquer estereótipo ou para nos limitarmos a uma deusa ou até a várias. No seu conjunto, elas constituem o círculo completo das qualidades humanas. Na realidade, todas elas surgiram da fragmentação de uma deusa, a Grande Deusa, o ser humano feminino integral que, pelo menos na religião e na imaginação, terá vivido nos tempos anteriores ao patriarcado(...)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma viagem ao mundo da psicologia da mulher através dos mitos, e não só, com sete deusas gregas cuidadosamente escolhidas.A mulher, aquela que, como alguém diz, é extremamente poderosa e invade o homem em cada parte do seu ser, "sugando-lhe, pela sedução, o seu poder viril".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a recordar Camões e a Ilha dos Amores:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá Veloso, espantado, um grande grito:&lt;br /&gt;"Senhores, caça estranha&lt;br /&gt;disse, é esta"!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Canto IX, 69)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigamos estas deusas e vejamos&lt;br /&gt;Se fantásticas são, se verdadeiras!&lt;br /&gt;Isto dito, velozes como gamos,&lt;br /&gt;Se lançam a correr pelas ribeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Canto IX, 70)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-116043468590740821?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/116043468590740821/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=116043468590740821' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/116043468590740821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/116043468590740821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/10/apontamento_116043468590740821.html' title='Apontamento'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115974412429092122</id><published>2006-10-02T00:04:00.000+01:00</published><updated>2006-10-09T18:48:55.936+01:00</updated><title type='text'>are welcomo to elsinore</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/Jaime-estrutura%20em%20vermelho.1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/400/Jaime-estrutura%20em%20vermelho.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre nós e as palavras há metal fundente&lt;br /&gt;entre nós e as palavras há hélices que andam&lt;br /&gt;e podem dar-nos morte violar-nos tirar&lt;br /&gt;do mais fundo de nós o mais útil segredo&lt;br /&gt;entre nós e as palavras há perfis ardentes&lt;br /&gt;espaços cheios de gente de costas&lt;br /&gt;altas flores venenosas portas por abrir&lt;br /&gt;e escadas e ponteiros e crianças sentadas&lt;br /&gt;à espera do seu tempo e do seu precipício&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da muralha que habitamos&lt;br /&gt;há palavras de vida há palavras de morte&lt;br /&gt;há palavras imensas, que esperam por nós&lt;br /&gt;e outras, frágeis, que deixaram de esperar&lt;br /&gt;há palavras acesas como barcos&lt;br /&gt;e há palavras homens, palavras que guardam&lt;br /&gt;o seu segredo e a sua posição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre nós e as palavras, surdamente,&lt;br /&gt;as mão e as paredes de Elsinore&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há palavras nocturnas palavras gemidos&lt;br /&gt;palavras que nos sobem ilegíveis à boca&lt;br /&gt;palavras diamantes palavras nunca escritas&lt;br /&gt;palavras impossíveis de escrever&lt;br /&gt;por não termos connosco cordas de violinos&lt;br /&gt;nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar&lt;br /&gt;e os braços dos amantes escrevem muito alto&lt;br /&gt;muito além do azul onde oxidados morrem&lt;br /&gt;palavras maternais só sombra só soluço&lt;br /&gt;só espasmos só amor só solidão desfeita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre nós e as palavras, os emparedados&lt;br /&gt;e entre nós e as palavras, o nosso dever falar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário Cesariny de Vasconcelos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagem: &lt;a target="_blank" href="http://olhareslisboa.blogspot.com"&gt;Olhares sobre Lisboa&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115974412429092122?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115974412429092122/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115974412429092122' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115974412429092122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115974412429092122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/10/are-welcomo-to-elsinore.html' title='are welcomo to elsinore'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115922848076773279</id><published>2006-09-26T00:49:00.000+01:00</published><updated>2006-10-04T22:26:45.720+01:00</updated><title type='text'>Quo vadis, domine?</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;img alt="floating" src="http://static.flickr.com/107/253967720_ea4e849767_o.jpg" width="650" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então adeus, a gente vê-se por aí. Foi assim que se despediram, depois de dias de conversa amena em viagem no mesmo comboio. Ele, extrovertido, conversador, olhos escuros e indolentes. Ela, introvertida, arisca, olhos claros e tristes de quem fixa longamente o horizonte, vivera temporariamente naquela aldeia, por razões só dela conhecidas. Mas chegara a hora de partir para as Malvinas, o seu torrão natal.&lt;br /&gt;Ouve-se o som duma música ao longe, acompanhando as palavras profundas do Gonçalo da Câmara Pereira, num fado marialva.&lt;br /&gt;O dia tinha o perfume do fim do Verão, o primeiro cheiro da chuva, das ervas, das árvores, das folhas, misturando-se com o odor das algas na areia da praia deserta e no ciclo das marés. Até chovia um pouco, "comme il fault".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois bombeiros eram muito jovens, tal como os dois agentes da PSP. Jovens, correctos, impecáveis.&lt;br /&gt;- Quanto é?&lt;br /&gt;- Não é nada, os nossos serviços são gratuitos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei boquiaberta.Não resisti e ofereci-lhes duas garrafas de sumo de maracujá concentrado, F. Faria e Filhos (falta-me a tecla do respectivo simbolo comercial, do "e"), Rua das Maravilhas, n.º 25 CC e 25 D, Funchal, Madeira, que um dos meus irmãos me costuma trazer, em memória dos maracujás que devorámos quando vivíamos a infância nas ilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinham passado pelo largo da igreja, contornado o pelourinho, passeado na praia ondulante de marés vivas, e finalmente entrado num café, o "Berço do Mar", que cheirava fortemente a sardinhas assadas.&lt;br /&gt;Não foi uma despedida trivial, ou de mero protocolo social. Era assim como que uma rendição com um desvelo no olhar, uma fatalidade. Como se a exaltação do primeiro encontro não se tivesse repetido, repetido, como um relógio que retoma sempre o mesmo prazer. Assim como se não tivesse havido fascínio, como se o olhar não tivesse cortado o tempo em pequenas fracções de universo, como se não houvera tempestade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti-me sobreviver com um cesto de flores na mão, como conta Ovídio nas Metamorfoses, depois de, finalmente, ter conseguido entrar em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estiveram longo tempo sentados, expectantes, parecendo implorar ao tempo que se virasse do avesso, que não passasse demasiado depressa, que guardasse o calor que vinha deles, do fundo da terra, do centro da terra. Olharam-se, cada um na sua vida passada, nos seus amores passados, nas suas coisas passadas, emoldurados num anel, num livro, numa simples recordação, evitando o espelho em frente que transformava em diamente a pedra bruta.&lt;br /&gt;Quando o táxi chegou, ele ajudou-a gentilmente a arrumar as malas, t-shirt por dentro das calças de ganga, o blusão de tecido de gabardine inclinando-se junto do porta bagagens, ela silenciosa e já sem o sorriso a abrir pequenas covinhas no seu rosto claro, lutando para não desabar em choro de estresse (stress), e o vento...(o vento!! já me esquecia do vento) a espalhar poeira em torvelinho na rua molhada á beira mar. Adeus, a gente vê-se por aí.&lt;br /&gt;Ainda voltou atrás, tinha-se esquecido do guarda chuva que comprara na feira de Carcavelos, quando tinha apenas 7 anos e ainda havia escudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me a beber um copo de água da torneira e a ler jornais. Um artigo do Vital Moreira no "Público" do dia 19 de Setembro, sobre a irresponsabilidadede financeira regional, chamou-me a atenção, seguido de outro sobre o aumento das taxas moderadoras do Serviço Nacional de Saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei para o sofá, fui fazer festinhas ao meu cão que é também o meu melhor amigo, e ali adormeci sem apagar a luz. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagem: &lt;a href="http://catedral.weblog.com.pt"&gt;Dionisio Leitão&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115922848076773279?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115922848076773279/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115922848076773279' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115922848076773279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115922848076773279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/09/quo-vadis-domine.html' title='Quo vadis, domine?'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115861834270482715</id><published>2006-09-18T23:21:00.000+01:00</published><updated>2006-09-25T22:24:53.330+01:00</updated><title type='text'>Jorge Luis Borges</title><content type='html'>&lt;img src="http://static.flickr.com/83/246893508_4bbbb5e0e8_o.jpg" height="700"&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;"O pensamento mais fugaz obedece a um desenho invisivel"&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;em&gt;Jorge Luis Borges in "O Aleph"&lt;/em&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;Imagem: &lt;a target="_blank" href="http://catedral.weblog.com.pt/"&gt;Dionisio Leitão&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115861834270482715?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115861834270482715/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115861834270482715' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115861834270482715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115861834270482715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/09/jorge-luis-borges.html' title='Jorge Luis Borges'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115801734530143578</id><published>2006-09-12T00:26:00.000+01:00</published><updated>2006-09-17T22:16:25.806+01:00</updated><title type='text'>Jorge de Sena</title><content type='html'>&lt;a target="_blank" href="http://static.flickr.com/93/241028478_c0cdd9f1c2_o.jpg"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/93/241028478_c0cdd9f1c2_o.jpg"width="650"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cego e negro, quem mais americano?&lt;br /&gt;Com drogas, mulheres e pederastas,&lt;br /&gt;a esposa e os filhos, rouco e gutural,&lt;br /&gt;canta em grasnidos suaves pelo mundo &lt;br /&gt;a doce escravidão do dólar e da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na voz, há sangue de presidentes assassinados,&lt;br /&gt;as bofetadas e o chicote, os desembarques &lt;br /&gt;de «marines» na China ou no Caribe, a Aliança &lt;br /&gt;para o progresso da Coreia e do Vietnam,&lt;br /&gt;e o plasma sanguíneo com etiquetas de blak e white&lt;br /&gt;por causa das confusões.&lt;br /&gt;E há as Filhas da Liberdade, todas virgens e córneas,&lt;br /&gt;de lunetas. E o assalto ao México e às Filipinas,&lt;br /&gt;e a mística do povo eleito por Jeová e por Calvino&lt;br /&gt;para instituir o Fundo Monetário dos brancos e dos louros,&lt;br /&gt;a cadeira eléctrica, e a câmara de gás. Será que ele sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os corais melosos e castrados titirilam contracantos&lt;br /&gt;ao canto que ele canta em sábias agonias&lt;br /&gt;aprendidas pelos avós ao peso do algodão.&lt;br /&gt;É cego como todos os que cegaram nas notícias da United Press,&lt;br /&gt;nos programas de televisão, nos filmes de Holywood,&lt;br /&gt;nos discursos dos políticos cheirando a Aqua Velva e a petróleo,&lt;br /&gt;nos relatórios das comissões parlamentares de inquérito,&lt;br /&gt;e da CIA, do FBI, ou da polícia de Dallas.&lt;br /&gt;E é negro por fora como isso por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cego e negro, uivando ricamente&lt;br /&gt;(enquanto as cidades ardem e os «snipers» crepitam»)&lt;br /&gt;sob a chuva de dólares e drogas&lt;br /&gt;as dores da vida ao som da bateria,&lt;br /&gt;quem mais americano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poema de Jorge de Sena&lt;br /&gt;1964&lt;br /&gt;Imagem de &lt;a href="http://catedral.weblog.com.pt/"&gt;Dionisio Leitão&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115801734530143578?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115801734530143578/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115801734530143578' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115801734530143578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115801734530143578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/09/jorge-de-sena_115801734530143578.html' title='Jorge de Sena'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115756406839139426</id><published>2006-09-06T18:28:00.000+01:00</published><updated>2006-09-17T22:17:00.086+01:00</updated><title type='text'>Da ausência</title><content type='html'>&lt;img src="http://static.flickr.com/89/236088961_bb146f0c80_o.jpg"width="650"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta noite poderia escrever-te os versos mais tristes &lt;br /&gt;como Pablo Neruda&lt;br /&gt;ou dizer-te da minha recorrente vontade de ir a Samarcanda&lt;br /&gt;como Bernardo Soares&lt;br /&gt;diversa apenas a vontade de ir a Samarcanda&lt;br /&gt;porque a tua presença me seria imprescindível&lt;br /&gt;eu que nem mesmo sei que língua falam hoje em Samarcanda&lt;br /&gt;ou o que por lá estará hoje acontecendo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a tua ausência te cala em mim&lt;br /&gt;poderia mesmo escrever-te uma carta de amar&lt;br /&gt;que gritasse dentro de mim a tua ausência&lt;br /&gt;e que no voo tangente das palavras&lt;br /&gt;todos achariam ridícula&lt;br /&gt;só eu não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- e daí quem sabe? -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia imaginar-te silhueta&lt;br /&gt;por entre silhuetas de pinheiros&lt;br /&gt;feita de bilros e devaneios da Lua Cheia&lt;br /&gt;derramando-se de luz ao longo de todo o mar&lt;br /&gt;até tropeçar com o areal&lt;br /&gt;e a terra toda &lt;br /&gt;até envolver todos os amantes&lt;br /&gt;que à beira-mar se consumam &lt;br /&gt;como se o tempo se lhes acabasse ali como a terra&lt;br /&gt;ou apenas se desesperam no amor&lt;br /&gt;como se amassem apenas porque se procuram&lt;br /&gt;quando o areal barra a luz fluida vertida pela Lua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;poderia dançar contigo um tango argentino&lt;br /&gt;conduzir-te na volúpia dessa dança&lt;br /&gt;que&lt;br /&gt;conforme dizem&lt;br /&gt;ao homem compete conduzir&lt;br /&gt;apenas para&lt;br /&gt;e por uma vez só &lt;br /&gt;te conduzir&lt;br /&gt;eu de negro&lt;br /&gt;Gardel&lt;br /&gt;Terrível e alucinado&lt;br /&gt;e tu&lt;br /&gt;o teu vestido vermelho&lt;br /&gt;rasgado com uma faca de seda&lt;br /&gt;ambos efémeros, diáfanos e amantes &lt;br /&gt;... se eu soubesse dançar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, se eu soubesse dançar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia até tentar dizer-te um poema&lt;br /&gt;que me impressionasse &lt;br /&gt;apenas por te impressionar&lt;br /&gt;um poema que falasse de Neruda&lt;br /&gt;de Bernardo Soares&lt;br /&gt;e de silhuetas diluídas nos pinheiros&lt;br /&gt;mas que tivesse um lugar íntimo&lt;br /&gt;para as estrelas de outros céus imaginados&lt;br /&gt;luas&lt;br /&gt;amores&lt;br /&gt;e areais de vento&lt;br /&gt;um lugar que nos enleasse no ritmo das marés &lt;br /&gt;e seríamos românticos e dramáticos personagens de Pratt &lt;br /&gt;solitários navegantes numa paixão de quimeras&lt;br /&gt;Maltese com um brinco a preto e branco &lt;br /&gt;vendo o Sol poente enfunando as nossas velas&lt;br /&gt;com cores de luz que o Sol traz do mundo todo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é por isso &lt;br /&gt;que aqui estou&lt;br /&gt;perto de ti&lt;br /&gt;tenho as mãos quase cheias de nada para te dar&lt;br /&gt;mas tenho um mar que não é meu&lt;br /&gt;e um poema&lt;br /&gt;sinto a Lua que nos foge entre os pinheiros&lt;br /&gt;sinto ânsias de enleio em doce tango argentino&lt;br /&gt;e hei-de sentir-te junto a mim em Samarcanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poema: &lt;a target="_blank" href="http://sete-mares.blogspot.com"&gt;Jorge Castro&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Imagem: &lt;a href="http://catedral.weblog.com.pt/"&gt;Dionisio Leitão&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115756406839139426?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115756406839139426/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115756406839139426' title='50 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115756406839139426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115756406839139426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/09/da-ausncia.html' title='Da ausência'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>50</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115739038462858389</id><published>2006-09-04T18:13:00.000+01:00</published><updated>2006-09-23T20:51:49.990+01:00</updated><title type='text'>Mais coisa menos coisa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/Steps.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/400/Steps.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sustenho a respiração no cimo das escadas, no escuro, no breu, ouvindo passos e sussurros da noite do medo, e os degraus que desciam, subiam, se sobrepunham em espiral, em caracol onde não havia fim, não havia corrimão, e ali estava só com a minha respiração no medo, no escuro, no silencioso enclavinhar das mãos no parapeito que não existia, que flutuava ouvindo-me descer devagar, voltar a&lt;br /&gt;subir, descer, devagar cegamente e parando e respirando sem respirar, medo de me ouvir, de quebrar o breu da noite, e aquela espiral entrando-me na garganta, sufocando-me e eu sem voz, sem nada, sem mim, descendo e não conseguindo descer e não descia e fui-me empurrando não sei, talvez me fosse empurrando, talvez fosse o medo que me impelia a descer pelo medo abaixo, com as mãos tacteando húmidamente a madeira, os pés arrastando o corpo dormente, anestesiados os sentidos, a lucidez fora de mim, o pânico que não desentranhava, a roupa que não descolava, viscosa na pele, nas visceras, na garganta entumescida, na respiração que descia e me denunciava degrau a degrau, passo a passo,cegamente sem os olhos para ver a fresta de luz lá ao fundo, longínqua, na porta entreaberta, sentindo o corpo a puxar, a sobreviver, a fugir do corpo, a fugir dali daquele lugar, cada vez mais&lt;br /&gt;alto, voando com um corpo vazio, inexistente, arquejando num frenesim, por fim respiro, por fim renasço, finalmente exausta em marcas de pedaços estendidos nas pedras quentes do asfalto,fundindo-me com ele, sendo dele, cheirando a ele, vendo pernas e braços a descolarem-se, palpitando no sexo húmido, na língua ardente, nas coxas desfeitas. Finalmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115739038462858389?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115739038462858389/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115739038462858389' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115739038462858389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115739038462858389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/09/mais-coisa-menos-coisa_04.html' title='Mais coisa menos coisa'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115672328896679847</id><published>2006-08-28T00:56:00.000+01:00</published><updated>2006-08-28T01:01:29.666+01:00</updated><title type='text'>eternamente</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/99043658/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/24/99043658_0cfabc217e.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/99043658/"&gt;CAYNIVA5&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Olhei para o homem, e ele devolveu-me o olhar.&lt;br /&gt;Estávamos numa drogaria e as razões que me tinham levado a entrar numa drogaria eram válidas, muitíssimo válidas.&lt;br /&gt;Mas o seu olhar tinha a substância, e o erotismo, embora seja detestável dizer isto, de uma tristeza cheia de harmonias que ficaram a ecoar no espaço e eu não entendia.&lt;br /&gt;Isto parece absurdo mas a verdade é que, à noite, aquele olhar absorveu-me, como se fosse o olhar da eternidade. Um olhar como se fossemos para alguem lugar, e afinal não vamos.&lt;br /&gt;Viémos de lá?&lt;br /&gt;Dorme, estás suspensa numa constelação, numa hibernação sem fim, e é o que eu penso da eternidade. &lt;br /&gt;Uma hibernação sem fim. Ou então eu não existir. Eu própria não existir. Não haver nada. Ninguém.&lt;br /&gt;É como se não houvesse mundo, para além daquele olhar.&lt;br /&gt;Não haver mundo, não é verdade?&lt;br /&gt;Há-de haver um lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem coisas, entre as nossas vidas&lt;br /&gt;secretas e puras&lt;br /&gt;que dão ás nossas vidas&lt;br /&gt;uma certa forma de beleza&lt;br /&gt;inacabada mas perfeita&lt;br /&gt;e uma certa sensação de ficar aquém.&lt;br /&gt;Além, fica o deslizar deste longo rio ou mar&lt;br /&gt;e que vai dar a qualquer lado&lt;br /&gt;que eu não sei &lt;br /&gt;se tranquilo ou revoltado.&lt;br /&gt;Não sei bem dizer, não é fácil dizer&lt;br /&gt;como limitar o espaço, arredondá-lo&lt;br /&gt;pô-lo ao meu jeito&lt;br /&gt;para que se transforme em algo&lt;br /&gt;de grotesco e cauteloso&lt;br /&gt;como o ar intranquilo.&lt;br /&gt;que me amedronta&lt;br /&gt;e serena nos espaços&lt;br /&gt;com a dimensão impossível&lt;br /&gt;e a infinita liberdade&lt;br /&gt;do sentido de que tudo existe&lt;br /&gt;feito sobre o nada&lt;br /&gt;que me transcende e reenvia&lt;br /&gt;eternamente.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115672328896679847?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115672328896679847/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115672328896679847' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115672328896679847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115672328896679847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/08/eternamente.html' title='eternamente'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115628996787394082</id><published>2006-08-23T00:34:00.000+01:00</published><updated>2006-08-23T00:39:28.393+01:00</updated><title type='text'>alquimia</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/222399394/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/67/222399394_a3219ba354.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/222399394/"&gt;Quinta da Regaleira&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	A minha solidão&lt;br /&gt;Não é um acaso&lt;br /&gt;Para enfrentar as noites e os dias&lt;br /&gt;É andar e caminhar por aí nas ruas e vielas&lt;br /&gt;E de súbito sentir o frémito das melodias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É este querer sem saber se se quer&lt;br /&gt;No frio e no calor&lt;br /&gt;Onde há sempre um espanto&lt;br /&gt;E uma ausência de dor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um sorriso repentino, súbito&lt;br /&gt;Dum vagabundo sem nome&lt;br /&gt;É uma chama e um fogo&lt;br /&gt;Que não consome&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esta mágoa do mundo indeciso&lt;br /&gt;Minha também – seria eu diferente?&lt;br /&gt;A boca faminta, consciente&lt;br /&gt;Serei Um só, como toda a gente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oiço os sons das abelhas nas colmeias de Lisboa&lt;br /&gt;E o verde amarelo das árvores na avenida&lt;br /&gt;É um lugar comum, o verde – eu sei&lt;br /&gt;Não é de bom tom, é palavra esbatida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estes lugares – tão comuns que são!&lt;br /&gt;Se em vez das abelhas e árvores, talvez&lt;br /&gt;Optasse por pensar no Profundo?&lt;br /&gt;(lembro-me das águas do mar) – errado&lt;br /&gt;Profundo é outra coisa – vês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quão vago este Não Ser ou Ser&lt;br /&gt;Sinto que não sinto&lt;br /&gt;Outro lugar comum – aceito&lt;br /&gt;Mas que fazer desta solidão&lt;br /&gt;Que pressinto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trespasso? Alugo? Vendo?&lt;br /&gt;A solidão é um bem móvel ou imóvel?&lt;br /&gt;Se a der, terei que fazer escritura e pagar sisa?&lt;br /&gt;Cuidado com as letras maiúsculas&lt;br /&gt;Fica mal escrever Mal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esta solidão é da minha exclusiva propriedade&lt;br /&gt;E não tem reserva de usufruto&lt;br /&gt;Quero-a de raíz - fica bem este sentido tão&lt;br /&gt;Radical de posse, bem evidente e actual.&lt;br /&gt;O que é meu é meu – olho-te indecisa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se ela não existe? Reparo&lt;br /&gt;Neste vaso de flores, tem um perfil coerente&lt;br /&gt;Falta-lhe uma pitada de sentido demente&lt;br /&gt;Balbucio, politicamente correcta&lt;br /&gt;Tenho pernas e braços e olhos e ventre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou-lhe um iogurte magro, de preferência&lt;br /&gt;(ao vaso, como é evidente)&lt;br /&gt;Misturado com essência de “nonsense”&lt;br /&gt;Levo-o a passear, dou-lhe aspirinas&lt;br /&gt;E rego-o com água corrente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois canto uma canção&lt;br /&gt;Não de embalar – ele sempre gostou doutros temas&lt;br /&gt;(o vaso, como é evidente)&lt;br /&gt;Canto-lhe uma canção dos Queen&lt;br /&gt;E outros poemas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas na verdade te digo, Solidão&lt;br /&gt;Com letra maiúscula (ad infinitum)&lt;br /&gt;Falo para ti – ouve-me agora&lt;br /&gt;Porque convives comigo, sem bandeira&lt;br /&gt;Sem nada em troca? Porque não te vais embora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdão. Fica comigo. Não te quis ofender.&lt;br /&gt;Só estou a escrever. Sei&lt;br /&gt;Que me queres a teu lado&lt;br /&gt;Dá-me a tua mão, vamos passear&lt;br /&gt;Mas não me arrastes para o teu passado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica comigo no verde das árvores, nos azuis&lt;br /&gt;E nas colmeias da cidade&lt;br /&gt;Fica comigo nos lugares comuns e nos sítios sem idade&lt;br /&gt;Nos poemas&lt;br /&gt;Que não sei fazer&lt;br /&gt;E nos antes e depois&lt;br /&gt;Dos dilemas por resolver&lt;br /&gt;Fica comigo aqui onde estou&lt;br /&gt;Exactamente aqui, neste lugar&lt;br /&gt;Onde não sei rimar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica comigo e ouve &lt;br /&gt;O resto da melodia&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115628996787394082?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115628996787394082/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115628996787394082' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115628996787394082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115628996787394082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/08/alquimia.html' title='alquimia'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115612716421085336</id><published>2006-08-21T03:20:00.000+01:00</published><updated>2006-08-21T03:26:04.586+01:00</updated><title type='text'>ardor</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/220590721/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/62/220590721_19b069dc8f.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/220590721/"&gt;ardor&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	  Hasta cuando fundo tu pétreo cuerpo en mi fuego &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;y aparto de tus manos la nieve, quedan entre nuestros ojos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     desiertos de nieves que vencen al viajero de la noche. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Se diría que me mirases entre nieblas y lunas, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; se diría que desde que existimos esperásemos sin &lt;br /&gt;        encontrarnos.       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pero esperar el amor es encontrar... ¿dónde está nuestro         encuentro? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Se desgarró tu cuerpo desnudo... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se desgarró, bajo el techo de la noche, tu pecho entre mis dedos... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          se desgarró todo por mi sed salvo velos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             que ocultan lo que amo de ti. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Como si yo impregnase tu sangre de sal, queda sediento &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quien desea beberla. ¿Dónde está tu pasión? ¿Dónde tu corazón desnudo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Te cierro la puerta de la noche, abrazo la puerta &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       para besar mi sombra, mis recuerdos, algunos secretos... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                Te busco en mi fuego &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      sin encontrarte, sin hallar tus cenizas en el ardiente infierno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Agotaré todo mi ser en su infierno, todo lo que se oculta &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                 y aparece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Te quiero. ¡Mátame para poder sentirte! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              Mata lo prohibido &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  con sangre abundante, con tu fuego... ¡Quémame sin fuego! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Badr Shakir Al-Sayyab - poeta iraquiano&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115612716421085336?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115612716421085336/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115612716421085336' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115612716421085336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115612716421085336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/08/ardor.html' title='ardor'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115604891525994620</id><published>2006-08-20T05:39:00.000+01:00</published><updated>2006-08-20T05:41:55.356+01:00</updated><title type='text'>Estrela da tarde</title><content type='html'>Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia&lt;br /&gt;Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia&lt;br /&gt;Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia&lt;br /&gt;Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia&lt;br /&gt;E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria&lt;br /&gt;Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia&lt;br /&gt;Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amor, meu amor&lt;br /&gt;Minha estrela da tarde&lt;br /&gt;Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde&lt;br /&gt;Meu amor, meu amor&lt;br /&gt;Eu não tenho a certeza&lt;br /&gt;Se tu és a alegria ou se és a tristeza&lt;br /&gt;Meu amor, meu amor&lt;br /&gt;Eu não tenho a certeza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram&lt;br /&gt;Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram&lt;br /&gt;Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram&lt;br /&gt;E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram&lt;br /&gt;Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam&lt;br /&gt;Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram&lt;br /&gt;E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto&lt;br /&gt;É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto&lt;br /&gt;Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto&lt;br /&gt;Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Carlos Ary dos Santos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115604891525994620?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115604891525994620/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115604891525994620' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115604891525994620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115604891525994620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/08/estrela-da-tarde.html' title='Estrela da tarde'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115568247664410482</id><published>2006-08-15T23:48:00.000+01:00</published><updated>2006-08-15T23:58:29.490+01:00</updated><title type='text'>o sexo e o blog - B</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;img alt="Sergey Ryzhkov" src="http://static.flickr.com/80/216360148_31cb9a18c0_o.jpg" width="350" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrámos na discoteca. Estava cheia até à porta. House music misturada com rock. Homossexuais rapados, com camisolas de alças, cinturões e bonés de cabedal negro. Lésbicas com bâton preto e penteados moldados com gel. Algumas mais velhas normalmente vestidas, saias curtas, ar provocante, beijavam-se e acariciavam-se. Pediu um Gin para mim e um Dry-Martini (gosta disso?) para si. Bebêmo-los quase de um trago e fomos dançar... Ao nosso lado um latino enorme beijava um rapaz louro, imberbe, de olhos azuis e cheirando intensamente a Van Cleef &amp; Arppels. Enfiava repetidamente a língua na boca do outro enquanto se roçavam ao som da música prendendo-se com força pelas ancas. O rapaz louro disse para o outro em inglês "Let’s go to the dark room."&lt;br /&gt;Dancei com uma rapariga de boquilha que me tinha apalpado as nádegas com as duas mãos. O Gin começava a fazer das suas. Virou-me para si enciumado, ri-me, deu-me um enorme beijo na bochecha e disse-me "Vamos atrás deles."&lt;br /&gt;Entrámos no dark-room...Enquanto a porta se abria distinguimos sombras abraçadas, em posições estranhas. Viam-se as pontas dos cigarros acesas. A música era tão alta lá dentro como cá fora. Às apalpadelas descobrimos uns bancos altos arrumados contra a parede. Arregaçou-me o vestido e sentou-me num deles. Baixou-se e começou a beijar-me as coxas que eu afastava tanto quanto podia. Lambeu-me, mordiscou-me, procurou o clítoris e começou a chupá-lo devagarinho.Desceu a língua ao longo dos lábios para que o prazer não fosse excessivamente intenso. Deteve-se na entrada e meteu a língua tanto quanto conseguiu. Sentiu o meu dilúvio enquanto lhe disse baixinho: "Quero senti-lo dentro de mim". Virou-me, colocou-me a barriga sobre o banco e penetrou-me profundamente enquanto com uma mão me agarrava uma das ancas e com a outra, pousada numa das nádegas, me acariciava... &lt;br /&gt;Disse-lhe: "Vai-me doer".Respondeu-me baixinho: "Quero que doa só um bocadinho". Queria que fosse uma dor que não é bem dor, uma espécie de vontade que entre todo, vontade de vencer aquele ardor ligeiro da entrada que se deixa de sentir. Muito devagar, penetrou-me. E começou a fazer movimentos muito lentos. De cada vez que me penetrava até ao fundo gemia...Comecei a ter prazer. . Vim-me em segundos. E disse-lhe: "Quero mais!" enquanto o puxava com força para mim. Tive oito ou nove orgasmos consecutivos naquela posição. Alguns eram cristas de onda de um único orgasmo, em paroxismos múltiplos, em subidas e descidas de um prazer que nunca tinha sentido daquela maneira.&lt;br /&gt;Beijámo-nos...Recompusemo-nos...Voltámos à sala.&lt;br /&gt;Tínhamos uma sede tremenda. Pedimos duas Heinnecken (odeio cerveja) com limão. Saboreámos a cerveja com o braço em redor do outro. Pousei o copo no balcão...Olhei para si com ar malicioso e entre risos disse-lhe: "Vamos para o Hotel"....&lt;br /&gt;E o mais curioso desta história é que nunca  fiz sexo anal e esclareço que nem tenho vontade de tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto: &lt;a target="_blank" href="http://www.stripyelephant.com.ua/photo.htm"&gt;Sergey Ryzhkov&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115568247664410482?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115568247664410482/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115568247664410482' title='31 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115568247664410482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115568247664410482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/08/o-sexo-e-o-blog-b.html' title='o sexo e o blog - B'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>31</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115551273422793149</id><published>2006-08-14T00:41:00.000+01:00</published><updated>2006-08-14T00:51:15.153+01:00</updated><title type='text'>o sexo e o blog - A</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/BelaseAssuatadoras031.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/320/BelaseAssuatadoras031.0.jpg" border="0" width="450"/&gt;&lt;/a&gt; Era Sábado e estávamos em Londres. Jantámos num restaurante de comida Tailandesa. Comemos quadradinhos de lombo de vaca mergulhados em molho de aguardente de palma e bebemos cada um uma garrafa de vinho leve do Reno. Estávamos apenas um pouquinho "quentes". Enquanto o empregado nos servia, descalçou-se e enfiou o pé entre as minhas pernas. Corei, você sorriu com o seu ar malandro, entreabri mais as pernas e cheguei-me para a frente. Começou a massajar-me com o dedo do pé.Pediu-me para tirar as cuecas. Devagarinho, sem me levantar da mesa, tirei-as e perguntei-lhe se as colocava no seu prato ou dentro da carteira que trazia. Voltou a colocar o pé entre as minhas pernas. O seu dedo estava todo molhado e senti enfiá-lo dentro de mim todo. Continuou a massajar-me e comecei a acompanhar os seus movimentos com imperceptíveis meneios de anca. Parei de comer...&lt;br /&gt;Olhei para si muito séria e com os olhos certamente muito brilhantes gemi baixinho. Arfei, respirei fundo... Agarrei na faca com mais força, cravei o cotovelo na mesa, retesei os músculos e senti um enorme orgasmo subir por mim acima. Cerrei os dentes e estive durante um interminável minuto a tremer.Enfiou o seu pé molhado dentro do sapato. Levantou-se e fez-me sinal para o seguir. Entrámos na casa de banho dos homens que estava deserta. Abriu a porta de uma das salas e empurrou-me para dentro.&lt;br /&gt;Fechou a porta atrás de si...Encostou-me à parede, levantou-me o vestido, puxou-me uma das pernas para cima e penetrou-me contra a parede com força enquanto me beijava sem respirar. Três, dez, vinte vezes se afundou dentro de mim, enquanto eu gemia sem prestar atenção a nada. Veio-se dentro de mim em borbotões e sufocando os gritos que lhe apertavam a garganta enquanto me cravava as unhas até me magoar os braços e eu lhe mordiscava os lábios para abafar um segundo orgasmo interminável, muito mais forte, que quase doía. Deu-me um beijo em cada olho, beijou-me suavemente os lábios e voltámos à sala sem uma palavra.Apenas sorrisos repletos de perversa cumplicidade. Acabámos de beber o vinho e conversámos descontraidamente. Propus-lhe irmos a uma discoteca. Aceitou divertido e saímos do restaurante. Andámos na rua de mão dada uns cem metros. Chamou um táxi.&lt;br /&gt;Sentámo-nos no banco de trás. Dei-lhe um beijo toda debruçada sobre si fazendo-o sentir os meus mamilos eriçados. Deslizei para o chão do táxi e mergulhei-o na minha boca, comecei a passar a ponta da língua pela extremidade, os lábios pela coroa da glande e depois outra e outra vez para baixo.&lt;br /&gt;Meti a mão entre as minhas pernas e comecei a masturbar-me ao mesmo tempo. O rapaz do taxi olhou pelo retrovisor e sorriu.Continuei e senti-o cada vez mais duro dentro da minha boca. Agarrou-me nos cabelos e acelerou um pouco os movimentos. Quando estava completamente duro puxou-me para cima e sentou-me de pernas abertas sobre o seu colo. Já não via o motorista...Apenas me via a mim e com as mãos nas minhas nádegas marcava o ritmo dos movimentos que fazia para me deixar penetrar cada vez mais fundo. Colou a sua boca à minha e viemo-nos os dois. Ficámos naquela posição até o taxi parar e o rapaz dizer com&lt;br /&gt;uma pronúncia londrina.. "Herre uí arre"!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115551273422793149?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115551273422793149/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115551273422793149' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115551273422793149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115551273422793149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/08/o-sexo-e-o-blog.html' title='o sexo e o blog - A'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115516836073543247</id><published>2006-08-10T01:01:00.000+01:00</published><updated>2006-08-10T01:06:01.350+01:00</updated><title type='text'>Obikwelu em tons de uma noite em Agosto</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/211323087/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/58/211323087_7871bfd41b.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/211323087/"&gt;Obikwelu em tons de uma noite em Agosto&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Perfeitas são as coisas inacabadas que nós, se for disso o caso, acabaremos.&lt;br /&gt;É como a transformação da mulher estilizada numa mulher humana, com barriga, com rabo, com mamas &lt;br /&gt;apetecidas.&lt;br /&gt;É como pegar no quartzo e parti-lo e misturar o chumbo com o ácido, e olhar o que se derrete, o quê &lt;br /&gt;ou nada.&lt;br /&gt;É como libertar o que temos, o que somos, no caminho que é a nossa vida.&lt;br /&gt;É como errar experiências e não nos importarmos, e errar de novo, e outra vez.&lt;br /&gt;É inventar o amor já inventado.&lt;br /&gt;É reconhecê-lo como único e nosso.&lt;br /&gt;É sentir o tempo e viver nele.&lt;br /&gt;É perceber que se quisermos tudo é nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por tudo isto, numa vida feita de sentimentos e coisas simples ou complicadas como o amor, trabalho, loucuras, aventuras, gostos, alguns desgostos, situações de encanto e memórias vivas, não há nada a pagar, nada a descontar.&lt;br /&gt;Cresci nos desencontros que a vida tem, no meio dos seus muitos confrontos, nos alvoroços, nas surpresas, no enganar-me e no adivinhar. Sim, não há uma real razão de queixa, tudo teria que ser assim, como um rio que corre connosco para o mar. &lt;br /&gt;Nunca ganhei uma medalha de ouro, como o nosso &lt;br /&gt;Obikwelu (viva!).&lt;br /&gt;Nunca estive numa forma de ganhar. Nunca perdi realmente e possivelmente empatei algumas vezes. Fui amarga e infeliz uma vez ou outra. Fui feliz muitas vezes. Pouco tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade, mas o suficiente para chegar a esta altura&lt;br /&gt;e poder amar-te livremente.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115516836073543247?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115516836073543247/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115516836073543247' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115516836073543247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115516836073543247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/08/obikwelu-em-tons-de-uma-noite-em.html' title='Obikwelu em tons de uma noite em Agosto'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115483459540985661</id><published>2006-08-06T04:18:00.000+01:00</published><updated>2006-08-06T04:23:15.436+01:00</updated><title type='text'>close up</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/207647889/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/64/207647889_fde2bc51e9.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/207647889/"&gt;close up&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	O meu verso sentou-se, cansado, estiraçou as pernas, enrolou-se meio adormecido e olhou o relógio de mocho suspenso na parede em frente. Esquisito aquele relógio com dois ponteiros - só de horas- um em cada olho. Ambos marcavam 3 horas, só que no olho da direita era sempre de noite e no olho da esquerda era sempre de dia (ou ao contrário, ele nunca tinha a certeza).&lt;br /&gt;O meu verso apeteceu-lhe bolinhos de mel (é um pouco louco e desorganizado o meu verso), um banho de abacate com perfume de violetas e cobriu-se depois, todo nu, com um roupão turco e macio cor de vinho forte. Reclinado, projectou na parede do lado um slide onde se via muito vento (disse ele, vento). &lt;br /&gt;Que chatice de vida, pensou. Se todas as mulheres se apaixonassem por mim, deixaria de haver complicações, angústias, amarguras, ciúmes ou remorsos. Tudo estaria certo e a vida correria feliz.&lt;br /&gt;Mas não era nada disto que acontecia, disse ele subitamente alto, enquanto dava um pontapé num dos bolinhos de mel.&lt;br /&gt;Um pouco enjoado com os bolinhos (que aliás odiava) - é completamente doido já vos disse - o meu verso levantou-se e resolveu ir-se embora na noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase 4 horas, pensei, olhando o relógio que, em desassossego, parara. 4 da manhã do dia ou da noite?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho para um dos cantos da sala e percebo ali um espelho. Vou até ele lentamente e vejo um vulto um pouco diferente. Vejo-me enfim transformada em mim mesma.&lt;br /&gt;Numa perspectiva inesperada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre tu e eu&lt;br /&gt;sobram-me este tempo e este espaço&lt;br /&gt;que impaciente&lt;br /&gt;desfaço&lt;br /&gt;entre a terra e o céu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre tu e eu&lt;br /&gt;sobra-me esta espera, este cansaço&lt;br /&gt;que a vida&lt;br /&gt;por perdida&lt;br /&gt;em crisálida adormeceu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre tu e eu&lt;br /&gt;sobram-me este tempo e este espaço&lt;br /&gt;teia que faço&lt;br /&gt;e que desfaço&lt;br /&gt;qual Penélope as distâncias&lt;br /&gt;que Ulisses percorreu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobram-me este tempo e este espaço&lt;br /&gt;e ainda aquele cansaço&lt;br /&gt;entre tu e eu&lt;br /&gt;que um dia em festa&lt;br /&gt;despirei do que resta&lt;br /&gt;do tempo que correu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto&lt;br /&gt;enquanto os sinos tocam&lt;br /&gt;notas soltas na noite que desceu&lt;br /&gt;faço e desfaço&lt;br /&gt;o tempo e o espaço&lt;br /&gt;que me sobram&lt;br /&gt;entre tu e eu.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115483459540985661?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115483459540985661/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115483459540985661' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115483459540985661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115483459540985661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/08/close-up_06.html' title='close up'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115430339690264783</id><published>2006-07-31T00:45:00.000+01:00</published><updated>2006-07-31T19:20:27.360+01:00</updated><title type='text'>Nunca é tarde</title><content type='html'>&lt;img src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/nuncaetarde.3.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o passar do tempo vem o sábio sabor do cepticismo inundar os canais e as casas em tijolos estanques do pensamento, e vão-se obscurecendo as dúvidas e as certezas, reflectindo as mais variadas, complexas e sugestivas formas do equilíbrio precário em que se vive [vivo].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de facto uma resposta ao conflito entre o claro-escuro, entre o vermelho do fogo e o fogo na água translúcida, entre a clara manhã e a imensidão dum longo e angustiante anoitecer, entre os caminhos que nunca se encerram mas se modificam, se cruzam, se bifurcam, nas estradas sinuosas de uma estranha topologia dum labirinto qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é nesse infinito labirinto que irremediavelmente me perco, me transformo num instante nas mãos suadas que o tentam capturar, num instante que se afugenta e se apodera da alma, num instante que se faz e se refaz, e que atordoa, e que se dispersa numa explosão, numa espiral inteira, em fuga, fragmentado em mil filamentos a caminho dos recantos mais distantes do universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nesse preciso momento, curiosamente nesse preciso momento, Saturno, o deus do tempo congénere de Cronos, entra na linha do horizonte e Altair sobe as escadas do Zénite enquanto a Lua se levanta na constelação da Balança e o Sol se põe em Orion.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando no cais só fica ancorada &lt;br /&gt;A indiferença e já não resta nada &lt;br /&gt;Senão as ilusões a que te agarras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve a voz inefável das guitarras &lt;br /&gt;Tingindo de paixão a madrugada &lt;br /&gt;No fim duma viagem povoada &lt;br /&gt;Do canto indecifrável das cigarras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saberás então que há sempre um começo &lt;br /&gt;No profano rio em que a vida arde, &lt;br /&gt;E é nessa maré viva que estremeço &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ainda que saibas que nunca é tarde, &lt;br /&gt;Não tardes, que sem ti eu anoiteço, &lt;br /&gt;E não peças jamais ao rio que aguarde."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poema de António Tomé (autor africano)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115430339690264783?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115430339690264783/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115430339690264783' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115430339690264783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115430339690264783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/07/nunca-tarde_115430339690264783.html' title='Nunca é tarde'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115378705831273480</id><published>2006-07-25T01:20:00.000+01:00</published><updated>2006-07-31T19:29:25.596+01:00</updated><title type='text'>Anti-poema</title><content type='html'>&lt;img src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/antipoema.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo-te de um país distante&lt;br /&gt;falo-te do fundo de uma garganta onde o meu elevador de palavras se move&lt;br /&gt;Sobe-me à boca energia eléctrica e picante&lt;br /&gt;para esmagar cachos de uvas que a extingam&lt;br /&gt;Falo-te desde um corpo de imensos mecanismos alegres&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que te moves&lt;br /&gt;Por entre as mesas, os olhares. E os lança-chamas&lt;br /&gt;plantaram-te poemas no peito&lt;br /&gt;viram bosques muito suaves nos teus olhos&lt;br /&gt;teus&lt;br /&gt;e com a mesma imóvel confiança da rocha que&lt;br /&gt;não suspeita da formação de areia (branca!)&lt;br /&gt;(ainda é sob o sol descendo à panorâmica terrestre uma bela parábola da vida)&lt;br /&gt;viram claros bosques através da tua própria visão&lt;br /&gt;entrando e saíndo, cheios de mistérios e raízes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu falaste&lt;br /&gt;e era prata&lt;br /&gt;uma cascata&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me disto como de uma cintilante razão&lt;br /&gt;rápida sobre a praia&lt;br /&gt;que muito, muito longe da costa&lt;br /&gt;teu rosto espera&lt;br /&gt;encostado aos fortíssimos amarelos torrados do teu minuto favorito do dia&lt;br /&gt;uma cor rara nas aguarelas da pobre pobre melancolia&lt;br /&gt;Aonde e quando, eu não sei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(somente um modo de dizer que existo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo-te da noite de cujo xisto és o pau de giz&lt;br /&gt;falo-te do convés de uma noite de fósforos rápidos&lt;br /&gt;e a minha bagagem&lt;br /&gt;é a própria viagem&lt;br /&gt;Falo-te do interior de uma melancia&lt;br /&gt;falo-te do papo de uma bactéria&lt;br /&gt;e lá fora&lt;br /&gt;surdamente&lt;br /&gt;surdamente&lt;br /&gt;a realidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo-te de um sonho relvado, vigoroso como um puxão de orelhas&lt;br /&gt;arrasto-me pelos cabelos até à veiga acesa onde te posso falar&lt;br /&gt;falo-te pelos dedos vidas a fio&lt;br /&gt;com uma obstinação de martelo no prego em basalto forte&lt;br /&gt;até ao último fósforo de acender tua figura no escuro&lt;br /&gt;num pormenor iliteral de amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo-te de um país distante&lt;br /&gt;falo-te de onde me faltas&lt;br /&gt;com ervas baixas por fora&lt;br /&gt;e por dentro&lt;br /&gt;muito altas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foto de &lt;a href="http://wind9.blogspot.com/"&gt;Wind&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115378705831273480?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115378705831273480/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115378705831273480' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115378705831273480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115378705831273480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/07/anti-poema.html' title='Anti-poema'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115343819802076255</id><published>2006-07-21T00:25:00.000+01:00</published><updated>2006-07-21T00:30:06.240+01:00</updated><title type='text'>chamo-te assim</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/194310835/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/57/194310835_9078dd3d83.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/194310835/"&gt;chamo-te assim&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Não sei bem. Acho que são coisas que não se podem explicar, mesmo na  hora do crepúsculo, profundamente poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que sinto esta luz,lenta, calma, branca, na margem deste rio. É por isso que te sinto e te chamo assim. Com uma palavra inesperada, macia e dócil como a poeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;chamo-te assim ao pôr do sol no ar translúcido do cristal das tuas mãos&lt;br /&gt;chamo-te assim no aflorar da pele quente e nas sombras dissipadas do teu rosto&lt;br /&gt;chamo-te no instante do abraço luminoso que se prolonga na longitude do rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;chamo-te porque o grito se reclama assim&lt;br /&gt;e o som se propaga na voragem da chama&lt;br /&gt;e nascem ciclames em redor de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quero-te assim no absoluto ser&lt;br /&gt;de um tempo qualquer dum dia inacabado&lt;br /&gt;e no lento acordar do teu amanhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso, de qualquer modo&lt;br /&gt;e onde quer que estejas&lt;br /&gt;que é teu o meu amor&lt;br /&gt;e ao teu lado,&lt;br /&gt;debruçada&lt;br /&gt;na curva do teu ombro&lt;br /&gt;na concha das tuas pernas&lt;br /&gt;te beijo e penso&lt;br /&gt;e sinto e te desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto de http://olhareslisboa.blogspot.com/&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115343819802076255?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115343819802076255/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115343819802076255' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115343819802076255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115343819802076255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/07/chamo-te-assim.html' title='chamo-te assim'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115292740829906068</id><published>2006-07-15T02:32:00.000+01:00</published><updated>2006-07-15T02:36:48.680+01:00</updated><title type='text'>carícia</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/189751002/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/52/189751002_17b56089a2.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/189751002/"&gt;carícia&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	No ar quente da noite as estrelas deixaram de estar sobre nós para nos rodearem.&lt;br /&gt;Vi-me no céu, sobre qualquer mundo possivel que possa existir nesta noite, neste minuto, neste tempo de vida.                                                                                                                                                                                                &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O amor cerra os olhos não para ver mas para absorver; a obscura transparência, a espessura das sombras ligeiras, a ondulação ardente: a alegria. Um cavalo corre na lenta velocidade das artérias. O amor conhece-se sobre a terra coroada: animal de fogo, animal do ar: a matéria é só uma, terrestre e divina".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Ramos Rosa&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115292740829906068?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115292740829906068/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115292740829906068' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115292740829906068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115292740829906068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/07/carcia.html' title='carícia'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115240131029448968</id><published>2006-07-09T00:23:00.000+01:00</published><updated>2006-07-09T00:28:30.360+01:00</updated><title type='text'>À noite é quando tudo se junta dentro de nós</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/foto%20de%20Jaime-%20Lisboa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/320/foto%20de%20Jaime-%20Lisboa.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por onde é que hei-de começar? É difícil localizar o momento e o sentido de onde está o princípio. &lt;br /&gt;Não me lembro, realmente não me lembro como começou. Pairo numa espécie de encantamento quando penso nisso e as ideias atropelam-se numa aventura de pensamentos e de personagens. Num segundo perde-se e encontra-se o rumo no disfrutar da volúpia em concha que gera e armazena o nosso próprio ser.&lt;br /&gt;Não, não sei por onde começar. Vê-se ainda ao longe o esplendor do sol poente e a nascente das coisas percebidas. Apenas umas gotas que atenuam e ao mesmo tempo aumentam esta sede.&lt;br /&gt;Por onde hei-de começar?&lt;br /&gt;É como estar dentro dum comboio a alta velocidade que de repente e sem aviso começa a voar. Não se pode explicar. &lt;br /&gt;A pergunta não tem resposta, nem rastos de tristeza ou de nostalgia. Não se começa por coisa nenhuma. Porque tudo existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"traço no ar o caminho da água.&lt;br /&gt;quero aprender a permanecer&lt;br /&gt;no mais alto ponto dos rios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;posso ser um búzio&lt;br /&gt;ou um instrumento de navegação&lt;br /&gt;na órbita do lume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com uma mão azul&lt;br /&gt;deus coloca-me em segredo no teu corpo&lt;br /&gt;para navegar no cume,&lt;br /&gt;ou para descer mais humanamente&lt;br /&gt;ao fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assim te vejo&lt;br /&gt;como o fogo em minhas mãos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para voltar ao princípio do mundo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;poema de maat. &lt;br /&gt;Foto de Jaime - Olhares sobre Lisboa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115240131029448968?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115240131029448968/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115240131029448968' title='37 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115240131029448968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115240131029448968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/07/noite-quando-tudo-se-junta-dentro-de.html' title='À noite é quando tudo se junta dentro de nós'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>37</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115154362183132928</id><published>2006-06-29T02:00:00.000+01:00</published><updated>2006-07-05T22:02:24.893+01:00</updated><title type='text'>O elogio do amor</title><content type='html'>&lt;img src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/annastina.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.&lt;br /&gt;Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "práticamente" apaixonadas  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de  conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, são rasgos de "tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. &lt;br /&gt;Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha.&lt;br /&gt;Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a  pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. &lt;br /&gt;Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um  fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem  tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que  a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. &lt;br /&gt;O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se  ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sózinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode ceder. Não se pode resistir.&lt;br /&gt;A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de Miguel Esteves Cardoso&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115154362183132928?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115154362183132928/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115154362183132928' title='40 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115154362183132928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115154362183132928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/06/o-elogio-do-amor.html' title='O elogio do amor'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>40</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115094367342742054</id><published>2006-06-22T03:30:00.000+01:00</published><updated>2006-06-22T03:34:33.490+01:00</updated><title type='text'>Equilíbrio</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/172346128/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/65/172346128_40c9decd9c.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/172346128/"&gt;Equilibrio&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Várias são as expectativas e emoções envolvidas no acto de "esperar" por algum acontecimento ou por alguém, como acontece quando te espero. &lt;br /&gt;Mas neste caso esperei horas no tribunal da Boa Hora até finalmente ouvir a velha frase dita em vezes anteriores: adiado para data a comunicar oportunamente. &lt;br /&gt;Ficámos todos radiantes, incluindo o réu que nunca esteve lá. Sem apelo nem agravo, uma manhã perdida sem perceber as "motivações" e "razões" para tal e sem cometer o pecado da presunção sobre os motivos intelectualmente justos que levam os tribunais a adiamentos sucessivos do seu trabalho.&lt;br /&gt;Manhã perdida? Falando agora seriamente o que gostaria de concluir é que por vezes este hábito bem luso de adiar as coisas tem alguma utilidade. &lt;br /&gt;É que há algum tempo não palmilhava a rua da Conceição e a rua do Cruxifixo, não deslizava pela rua dos Fanqueiros nem me esquinava com a dos Retroseiros, nem cruzava a dos Sapateiros onde com Pessoa bebia um copo de vinho e passando a seguir no Rossio com Villaret.&lt;br /&gt;Vou aos Restauradores, subo a rua da Glória e encontro o Príncipe Real e S. Pedro de Alcântara, espreito o Castelo. Tomo um táxi e encolho-me na Mouraria. Oiço um fado de memória (que não aprecio) e regresso a hoje. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, por acaso, não te vi, talvez  por uma questão de oportunidade, de agenda, como se diz agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regresso á eternidade num livro de Ferreira de Castro, hoje para sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu irmão longínquo que te perdes na hipótese sobre o curso de todos os séculos vindouros, escuta! &lt;br /&gt;Escuta o nosso desespero de seres efémeros, esta ansiedade infinita que nos tortura há muitos milénios, este grito doloroso e impotente. Não importa o século em que venhas a existir. Estas páginas estão já cheias da tua presença e quanto mais longe estiveres de mim, mais perto eu estarei de ti, pressentindo-te, adivinhando-te, como o único consolo e a única razão moral da nossa existência. A tua vida terá no espaço e no tempo horizontes que a maioria dos meus contemporâneos difícilmente concebe. Eu sei disso, possuo esta certeza, vivo com esta verdade que ainda é só minha e contudo tenho que renunciar a ela vencido por essa voz que vem de ti para mim e que me desvaira e me humilha.&lt;br /&gt;Eu não queria ser apenas um dos arcos da ponte de passagem que tem levado tantos séculos a atravessar; eu queria estar para lá do rio imenso, queria ficar ao sol, à luz, ficar ao teu lado!&lt;br /&gt;Eu queria ser eterno como tu, no teu mundo de fraternidade e inteligência onde já não existirão iniquidades, dores inúteis, e absurdos que hoje se expôem sobre a Terra. &lt;br /&gt;Eu sei que esse mundo criado pela evolução humana, aberto pelo génio da espécie, virá a existir; sei que te apossarás do Universo, que dominarás os seus segredos e as suas leis, que te tornarás senhor da vida e que matarás a morte - mas quando eu já não for coisa nenhuma. E eu não queria deixar de ser. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria estar sempre ao teu lado amanhã, depois, sempre - eternamente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extraído de "Eternidade" - Ferreira de Castro&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115094367342742054?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115094367342742054/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115094367342742054' title='38 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115094367342742054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115094367342742054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/06/equilbrio.html' title='Equilíbrio'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>38</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-115017029848659768</id><published>2006-06-13T04:41:00.000+01:00</published><updated>2006-06-13T04:44:58.533+01:00</updated><title type='text'>Uma história vulgar</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/166141489/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/49/166141489_2d814235b3.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/166141489/"&gt;Uma história vulgar&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Que dia, meu Deus! Que dia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase toda a gente originária das ilhas tem um primo que emigrou para longe, e também tenho um que não via há 16 anos, o Luís Herculano que cedo se viu impelido a deixar o torrão natal e a rumar em busca de um futuro que parecia arredado do meio insular. Um futuro para encetar nova vida nas mais longínquas paragens do "Império" já que as ilhas constituiram polos de atracção, o que explica o êxito do seu povoamento, mas nem por isso o isolamento e a consciência desse isolamento deixaram de ser uma constante na vida do ilhéu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...] Às ilhas se chegava, das ilhas se partia...Por processos diversos e em circunstâncias que variam necessariamente, os habitantes das ilhas procuravam rasgar o cerco do mar, encontrar novos horizontes ou refugiar-se em formas utópicas- a evasão [...].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao reencontrar o meu primo recordei o facto que decidiu a sua partida, uma mulher de beleza inquietante e perturbadora de cabelos de sombras luminosas, um fogo escuro desenrolando-se à frente dele num estremecimento que lhe invadia todas as veias, nuns olhos com aquela cor indefinível que vem do prazer, nos gestos como imagens de carícias respirando desejos, numa límpida nudez.&lt;br /&gt;Claro que se fosse nos dias de hoje, a história teria porventura um final banal sem este odor romanesco dos amores desencontrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Luís Herculano é um homem  alto, desempenado, rosto queimado pelo sol de África onde permaneceu depois da independência do país, belo e rude na sua força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vê bem..não é uma pergunta leviana que te faço, Luís. Neste tempo todo, continuaste a pensar nela?&lt;br /&gt;Ao começar a fazer a pergunta, recuei. Estava a pensar no amor e no delito - nas eternas ficções do ser humano: o delito e o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele sorria com aquele seu ar distante enquanto continuávamos a andar pela avenida fora conversando de tudo um pouco [talvez tenhas razão: fumo demais] enquanto descia sobre Lisboa a doirada penumbra das festas de Santo António.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vamos comprar um manjerico e encontramo-nos às 3 horas no Rossio para ir ver a procissão? Diz com a voz branda, persuasiva, suave, "uma voz".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu que não percebo nada de procissões senão as das multidões do metro, nem nunca vi o milagre do sol quando a imagem do santo padroeiro entra na igreja, dei por mim a calcorrear as velhas ruas da baixa pombalina com uns vasos lindos de manjerico, esquecendo por momentos as questões pungentes do &lt;br /&gt;país de todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Ela era tão próxima e no entanto tão inacessível, crescendo dentro dele numa velocidade de clarões e chamas, chamas num rodopio confuso, na vertigem com que fechava os olhos e sonhava os seus beijos longos, lentos, lascivos como a nudez, voluptuosos como a culpa].&lt;br /&gt;E naquela espécie de torpor que me invadia ao fixar o olhar nos olhos dele, quase sentia flutuar o cheiro que o envolvia mais..mais..e mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Palavras, Fernanda. Tudo isso que dizes é um tecido frágil. Viver! Esta é a única verdade. Portanto ainda que gritasse, que poder teria esse grito? Nenhum. O mais que poderia ser seria uma coisa &lt;br /&gt;ridícula como as das comédias dos homens de bom humor. Ou seria ao contrário um drama? Sim, talvez, um pequeno drama fútil como sucede todos os dias na face da terra impassível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calei-me. Que se há-de fazer perante a passividade coerente do amor? Nada. E passaram tantos anos desde que os vi no adeus abraçado na varanda com vista para o mar na ilha de São Miguel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã, desprendendo o pensamento, desejarei caminhar simplesmente por ali atrelada aos manjericos ao som da banda da Felicidade da Paz e da Harmonia e de olhos em alvo na direcção do sol por causa do milagre, e até dizem que por ser dia de milagre não é preciso levar aqueles óculos especiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez até diga o improvável: Espera só mais um momento..Olha tantas estrelas no céu! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há estrelas no céu, e enxames de galáxias que deliciam os olhos dos astrofísicos. &lt;br /&gt;Mesmo que haja apenas uma estrela escondida nas torres do Taveira, será um adorno para o meu manjerico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas consta que amanhã o céu estará ligeiramente nublado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã, talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-115017029848659768?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/115017029848659768/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=115017029848659768' title='63 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115017029848659768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/115017029848659768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/06/uma-histria-vulgar_13.html' title='Uma história vulgar'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>63</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114954747670914304</id><published>2006-06-05T23:41:00.000+01:00</published><updated>2006-06-05T23:44:36.753+01:00</updated><title type='text'>Alburneo, Porto, Portugal</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/161229804/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/75/161229804_bc68ce7166.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/161229804/"&gt;Quatro elementos&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	A mão&lt;br /&gt;aflita à&lt;br /&gt;porta do toque&lt;br /&gt;exausta&lt;br /&gt;da espera&lt;br /&gt;em segredo&lt;br /&gt;junto ao&lt;br /&gt;coração onde bate à porta&lt;br /&gt;a outra mão&lt;br /&gt;que espera.&lt;br /&gt;O pé em&lt;br /&gt;cujo chão se&lt;br /&gt;planta a árvore&lt;br /&gt;cujo pé se calca&lt;br /&gt;ao chão da terra&lt;br /&gt;batida na&lt;br /&gt;retirada&lt;br /&gt;da&lt;br /&gt;meia.&lt;br /&gt;A cabeça &lt;br /&gt;cuja sentença&lt;br /&gt;se aguarda&lt;br /&gt;como&lt;br /&gt;o apeadeiro&lt;br /&gt;que fica&lt;br /&gt;sempre à&lt;br /&gt;espera do&lt;br /&gt;próximo comboio.&lt;br /&gt;Próximo agente da partida,&lt;br /&gt;futuro viajante&lt;br /&gt;da alma interior.&lt;br /&gt;A folha,&lt;br /&gt;solta ou trémula que&lt;br /&gt;se risca da memória ao&lt;br /&gt;mesmo tempo que se esquece&lt;br /&gt;o ar por&lt;br /&gt;onde&lt;br /&gt;abaixo cai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poema "Quatro elementos", de Alburneo. Do livro  A Primeira Pedra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto de Ernesto&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114954747670914304?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114954747670914304/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114954747670914304' title='46 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114954747670914304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114954747670914304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/06/alburneo-porto-portugal.html' title='Alburneo, Porto, Portugal'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>46</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114947891352946569</id><published>2006-06-05T04:38:00.000+01:00</published><updated>2006-06-05T04:41:53.806+01:00</updated><title type='text'>A grande ilusão</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/160496310/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/50/160496310_158f9b7c50.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/160496310/"&gt;A grande ilusão&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Olho a ambiguidade dos teus olhos que me pareciam claros e leais, a destreza com que utilizas as palavras, a verdade que te oculta, os mistérios que te povoam.&lt;br /&gt;Agora sei que não te conheço,que não sei quem és. És talvez a cadeira desocupada na paisagem desta minha insana credulidade. Mas aprendi qualquer coisa. Como alguém disse: "Aprender, aprender, aprender..."&lt;br /&gt;Haverá sempre quem saiba como és. Restantes conclusões to be continued... Porque de facto, não sei quem és..&lt;br /&gt;Notei em várias situações que te conhecia - falha minha. Oh como eu te conhecia! Porque de facto não sei quem és na verdade, e nem sequer te conhecia.&lt;br /&gt;Não povoo os teus secretos mundos, os teus mundos escondidos num qualquer universo paralelo, as tuas mentiras engomadas, as tuas alegações elaboradas, os esquemas quotidianos e tão óbvios que ao pé deles o senhor de La palisse parece um pobre diabo com o rabo de fora.&lt;br /&gt;Esta metáfora serve precisamente para ilustrar a conclusão de quanto mais se conhece, menos se conhece, e que a mesma reforça a importância destes sinais: A verdade é uma linha ténue, um trapézio sem rede. &lt;br /&gt;Mas nem sequer assim eu te conhecia.&lt;br /&gt;E a verdade é um circo, ou um circulo (neste caso, um circulo vicioso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher" - Baudelaire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada que um guronsan não resolva, e isso por aí não deve faltar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114947891352946569?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114947891352946569/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114947891352946569' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114947891352946569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114947891352946569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/06/grande-iluso.html' title='A grande ilusão'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114903169170174842</id><published>2006-05-31T00:25:00.000+01:00</published><updated>2006-05-31T00:28:11.733+01:00</updated><title type='text'>Morde-me aqui a ver se eu deixo</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/156763335/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/46/156763335_5f8ab06191.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/156763335/"&gt;Morde-me aqui a ver se eu deixo&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Dizem as más linguas que metade dos trabalhadores do planeta são pobres e não têm acesso aos sistemas de protecção social, trabalham na economia paralela e vivem com menos de 1,63 euros por dia. Mas isto é mentira, diz o presidente da junta.&lt;br /&gt;Aqui, diz ele, é diferente da Índia onde 90% dos trabalhadores vivem no limiar da pobreza, e da América Latina com 60% com idêntico nível de bem estar. Sim, porque aqui ainda temos os continentes, onde vamos comprar a prestações o friforífico e a lasanha com queijo.&lt;br /&gt;Aqui temos o "Prace" e estamos na União Europeia. O "Prace" responde às exigências do grande capital e à possibilidade de obtenção de lucros rápidos na exploração dos serviços públicos, segundo o modelo norte-americano em que as pessoas são remetidas para um segundo plano em nome da necessidade de contenção de despesas, reduzindo o papel do Estado e privatizando tudo o que desperte o apetite dos privados.&lt;br /&gt;Incluindo o direito ao trabalho.&lt;br /&gt;Dizem as más línguas que quem vai avaliar o presidente da junta não é o povo. É o pai do presidente da junta. Também quem irá avaliar os militares e os bombeiros e os juízes e os professores e os médicos e a vizinha do lado, é o pai dele, ou o avô. Incluindo o seu direito ao decote de Verão, e à visão apocalíptica duns peitorais deslumbrantes. Da vizinha do lado, é claro.&lt;br /&gt;Dizem as más linguas que o primeiro ministro do Camboja, farto de ver a excelsa esposa receber mensagens pornográficas no telemóvel de terceira geração, resolveu simplesmente banir os aparelhos do mercado.&lt;br /&gt;"Escrevi ao ministro das Telecomunicações dando-lhe conta de que certos telemóveis não podem ser utilizados", disse o mister Hun Sen, acrescentado que o país ainda precisa de cerca de 10 anos, até que a sociedade interiorize as regras dos bons comportamentos morais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restam 10 anos? Então, morde-me aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beija-me, amor...Morde-me. Morde-me aqui se fores capaz.&lt;br /&gt;Não sei se me encontro, quando te vejo.&lt;br /&gt;Não sei se me vejo quando te encontro&lt;br /&gt;a flutuar no silêncio húmido dos teus olhos&lt;br /&gt;e na angústia sentida do mútuo desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me revejo quando te encontro.&lt;br /&gt;quando te beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título do livro de Lynne Truss - Morde Aqui a Ver Se Eu Deixo – A Estuporada Grosseria do Dia-a-Dia&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114903169170174842?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114903169170174842/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114903169170174842' title='40 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114903169170174842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114903169170174842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/05/morde-me-aqui-ver-se-eu-deixo_31.html' title='Morde-me aqui a ver se eu deixo'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>40</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114868402059866586</id><published>2006-05-26T23:50:00.000+01:00</published><updated>2006-05-26T23:53:40.656+01:00</updated><title type='text'>Às vezes é um vislumbre</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/153846280/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/63/153846280_3d2e96b797.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/153846280/"&gt;Às vezes é um vislumbre&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Não há nenhum momento em que a criança&lt;br /&gt;se afaste da sua condição.&lt;br /&gt;Há, isso sim, uma sedimentação&lt;br /&gt;do tempo por cima do sem nome.&lt;br /&gt;Da areia à pedra, como da criança ao adulto,&lt;br /&gt;o espaço e o tempo brincam à macaca&lt;br /&gt;com a criança dentro da criança.&lt;br /&gt;Ao fim do dia, quando a hora do&lt;br /&gt;brincar der espaço e tempo à sala do Ser,&lt;br /&gt;a criança sentirá os seus olhos fecharem-se&lt;br /&gt;sob a penumbra de um mundo simultaneamente&lt;br /&gt;estranho e familiar.&lt;br /&gt;Esse é o instante mágico que, se&lt;br /&gt;bem guardado, como qualquer tesouro merece,&lt;br /&gt;fará do tempo uma forma de espaço.&lt;br /&gt;Não sei se é desde aí que a criança passa a ser eterna.&lt;br /&gt;Mas é desde aí que ela é a mais completa expressão da vida.&lt;br /&gt;E essa expressão é que é eterna.&lt;br /&gt;Ao fecharem-se os olhos da criança, caídos sob&lt;br /&gt;o peso incalculável do dia,&lt;br /&gt;fecha-se um mundo na mão aberta de outro.&lt;br /&gt;E esses são mundos infindáveis, tanto quanto o são&lt;br /&gt;os olhares que se desenham nas pálpebras fechadas.&lt;br /&gt;A criança finge, então, dormir.&lt;br /&gt;Mas o que ela realmente dorme é a reunião ancestral&lt;br /&gt;de todas as forças que fazem o mundo,&lt;br /&gt;naquilo que essas forças têm de sustentação e poder.&lt;br /&gt;Porque é esse o único poder verdadeiro:&lt;br /&gt;aquele que reúne, num só gesto,&lt;br /&gt;toda a amplitude do Universo.&lt;br /&gt;No adulto, essa criança não dorme.&lt;br /&gt;Ela é o peso da água sob a qual subsiste&lt;br /&gt;o peixe duplo, o estranho cardume que&lt;br /&gt;se bifurca.&lt;br /&gt;Depois há também o cabelo das mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Alburneo  (poeta e designer português) - "Manual para a construção da criança"&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114868402059866586?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114868402059866586/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114868402059866586' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114868402059866586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114868402059866586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/05/s-vezes-um-vislumbre.html' title='Às vezes é um vislumbre'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114842358282563463</id><published>2006-05-23T23:30:00.000+01:00</published><updated>2006-05-23T23:33:02.923+01:00</updated><title type='text'>Fraternidade</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/lusomerlin.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/320/lusomerlin.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando B.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podias ser mais especial, Fernando B. &lt;br /&gt;Uma pessoa capaz de transformar o acto de viver numa verdadeira obra de coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 23 de Maio de 2006, bateste à porta e pediste licença para sair.&lt;br /&gt;Ou entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Basta pensar em sentir&lt;br /&gt;Para sentir em pensar.&lt;br /&gt;Meu coração faz sorrir&lt;br /&gt;Meu coração a chorar.&lt;br /&gt;Depois de parar de andar,&lt;br /&gt;Depois de ficar e ir,&lt;br /&gt;Hei de ser quem vai chegar&lt;br /&gt;Para ser quem quer partir".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pessoa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114842358282563463?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114842358282563463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114842358282563463' title='31 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114842358282563463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114842358282563463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/05/fraternidade.html' title='Fraternidade'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>31</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114824622186831854</id><published>2006-05-21T22:14:00.000+01:00</published><updated>2006-05-21T22:17:02.020+01:00</updated><title type='text'>Equador</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/150540533/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/48/150540533_3019a5b674.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/150540533/"&gt;Equador&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Os 2 filhos da Consolação emigraram para o Brasil nos anos cinquenta, nunca mais ningúem os viu ou soube deles e jamais esqueci a sombra daqueles olhos negros e lânguidos que nos protegiam nas fugas para os silvados da infância na encosta da Casa das Mudas.&lt;br /&gt;Muito mais tarde ainda tentei averiguar o paradeiro deles, através dos baptismos paroquiais e dos róis de confessados e excomungados e do ciclo da vida que regula a constituição das famílias, mas foi em vão. Nem o pormenor da "linha imaginária que resulta da intersecção da superfície da Terra com o plano que contém o seu centro e é perpendicular ao eixo de rotação" resultou.&lt;br /&gt;É a importância do pormenor que faz a diferença entre o banal e o emocionante, entre a Consolação das terras e das pessoas que permanecem nas nossas vidas e o anonimato asséptico das nossas cidades, terras de todos e de ninguém, não sei se será, porque na verdade "nobody cares"que é como quem diz ninguém se rala. &lt;br /&gt;E é para os olhos multicoloridos da gente deste Rio de Onor citadino que foi finalmente inaugurada a CowParade de Maio a Setembro, e que como se sabe significa que as ruas e praças da cidade serão invadidas por 100 vacas, numa espécie de patchwork que é afinal um outro lado do espelho da criatividade feita para a animação das cidades. Embora prefira sem dúvida as hortas tropicais existentes no IC19, ou o cultivo de couves portuguesas no separador central da segunda circular, ou as colmeias de Lisboa, ou a mancha de alfazema que se colhe no caminho rápido para o Parque das Nações.&lt;br /&gt;E tendo a Consolação morrido hoje, aos 96 anos, sem jamais saber qual a linha que a separou dos filhos que foram para o Brasil, lembro a sua mão suada do calor do ferro de engomar e a tristeza dos seus negros olhos solitários, e a voz que a medo me tirava o medo da catequese na qual ela não acreditava, e o carinho com que pegou no vestido branco que me vestiu na primeira - e única- &lt;br /&gt;comunhão.&lt;br /&gt;E se o detalhe merece louvor, é desse deus das pequenas coisas de que falava a escritora indiana Arundhati Roy que hoje me lembro, neste limbo que separa o céu do inferno, a paz da guerra, a cidade da serra, a saudade da presença, o verosímil do real.&lt;br /&gt;É nessa linha ténue que te vejo, apenas um pormenor nesta mera Consolação que me separa da Produção de Eventos e Desejo Sem Limites.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114824622186831854?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114824622186831854/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114824622186831854' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114824622186831854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114824622186831854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/05/equador_21.html' title='Equador'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114766897295144391</id><published>2006-05-15T05:53:00.000+01:00</published><updated>2006-05-15T05:56:12.983+01:00</updated><title type='text'>Viagem</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/146690006/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/48/146690006_a30959c034.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/146690006/"&gt;Viagem&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Há palavras palavras recolhidas de diversas vibrações, que ficam no ouvido e no olhar. &lt;br /&gt;Quando ao longe se agita a rumorosa paisagem da cidade. Quando se calam todos os frementes impulsos do dia. &lt;br /&gt;Palavras que permanecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Brotam&lt;br /&gt;nas  profundezas da terra como fome no meu corpo&lt;br /&gt;as palavras velozes que digo com a alma.&lt;br /&gt;E dos meus lábios resvalam beijos semeados no vento&lt;br /&gt;nascidos na essência dos prantos&lt;br /&gt;ou nas fragoas inventadas do silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritam dentro de mim nos relentos da madrugada&lt;br /&gt;e incendeiam a noite&lt;br /&gt;no astral fulgor que habitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entre o transe do meu ser e o vestígio dos limites&lt;br /&gt;capturo&lt;br /&gt;a música audaz do poema e o murmúrio do instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És a luz onde se funde o cosmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque tu és o relâmpago sem retorno.&lt;br /&gt;O desejo da viagem.&lt;br /&gt;A miragem.&lt;br /&gt;Que aprisiona este grito no meu peito&lt;br /&gt;e me abraça com o seu perfume de Universo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poema de AA. 2005 - &lt;a href=""&gt;http://poemarte.blogspot.com/ &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto de &lt;a href=""&gt;http://cidadesurpreendente.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114766897295144391?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114766897295144391/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114766897295144391' title='46 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114766897295144391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114766897295144391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/05/viagem.html' title='Viagem'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>46</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114722352321015467</id><published>2006-05-10T02:09:00.000+01:00</published><updated>2006-05-10T02:12:03.283+01:00</updated><title type='text'>Mil nomes dum caso de amor com árvores</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/143198365/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/44/143198365_0f0c45b5f6.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/143198365/"&gt;image0&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Ver uma sombra pode ser tão bom ou até melhor do que ver a coisa real. É errada a afirmação de que todos os dias o Sol nasce no Leste e se põe no Oeste. Tu és o meu caso de amor. Não te quero e te quererei para sempre. Entendes este paradoxo?&lt;br /&gt;Moro aqui em Lisboa e dantes esta zona estava coberta de árvores. Derrubaram tudo neste sítio a que chamavam o bairro das estacas, um projecto de arquitectura urbanística bastante conceituado na época, destinado na altura a habitação social. Tudo, tudo, não, sobraram algumas. Gosto de árvores.&lt;br /&gt;Então se abro o jornal e leio que morreu a pessoa tal e tal que conheci há muito, fico mais triste porque se vai com ela alguma coisa da minha memória profunda. Que não existe mais como aquela árvore cortada ali na avenida e que possui mil nomes, quase como o rosto de Deus. &lt;br /&gt;E como o círculo da árvore e da pedra, quereria ser a magia que cai na noite ou o raio de sol que vem pela manhã. Mas o homem é feito de sonhos e "cada homem é um deus aprisionado no seu corpo" e é por estas e outras que és o meu caso de amor. Há quem diga que tudo é muito relativo, lá isso é verdade. Podemos perceber que a  vida tem as suas manhas, birras, e tem lá os seus percursos. Gosta de arrulhar, atrair, cativar, catrapiscar, cobiçar, cortejar, requebrar, seduzir, afeiçoar, chatear. &lt;br /&gt;E muitas vezes exige um alto preço a pagar... Mas convenhamos, a própria vida vai dando coragem para nos empurrarmos pelos becos e esquinas dos seus labirintos e assim vai-nos dando a hipótese de aprender a "soletrar o mundo", a saber que há verdades e mentiras em todas as histórias. Inclusive nas minhas. Menos nesta, obviamente, pois o meu portatil tem porta USB. Menos nas árvores decepadas &lt;br /&gt;da minha rua. E na pedra. E na imagem do círculo, da serpente.&lt;br /&gt;Por tudo isto, és o meu caso de amor. Não te quero e te quererei para sempre, como o Sol no Princípio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Um poema cresce inseguramente&lt;br /&gt;na confusão da carne.&lt;br /&gt;Sobe ainda sem palavras, &lt;br /&gt;só ferocidade e gosto,&lt;br /&gt;talvez como sangue&lt;br /&gt;ou sombra de sangue pelos canais do ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora existe o mundo. &lt;br /&gt;Fora, a esplêndida violência&lt;br /&gt;ou os bagos de uva onde nascem&lt;br /&gt;as raízes minúsculas do sol.&lt;br /&gt;Fora, os corpos genuínos e inalteráveis&lt;br /&gt;do nosso amor,&lt;br /&gt;os rios, a grande paz exterior das coisas,&lt;br /&gt;as folhas dormindo o silêncio&lt;br /&gt;- a hora teatral da posse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.&lt;br /&gt;E já nenhum poder destrói o poema.&lt;br /&gt;Insustentável, único,&lt;br /&gt;invade as órbitas, a face amorfa das paredes,&lt;br /&gt;e a miséria dos minutos,&lt;br /&gt;e a força sustida das coisas,&lt;br /&gt;e a redonda e livre harmonia do mundo.&lt;br /&gt;- Em baixo, o instrumento perplexo ignora&lt;br /&gt;a espinha do mistério. &lt;br /&gt;- E o poema faz-se contra o tempo e a carne."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in Livros para oferecer a si mesmo&lt;br /&gt;Herberto Helder&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114722352321015467?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114722352321015467/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114722352321015467' title='36 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114722352321015467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114722352321015467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/05/mil-nomes-dum-caso-de-amor-com-rvores_10.html' title='Mil nomes dum caso de amor com árvores'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>36</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114636977907921811</id><published>2006-04-30T05:02:00.000+01:00</published><updated>2006-04-30T05:02:59.313+01:00</updated><title type='text'>Todo o tempo do mundo</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/137242171/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/45/137242171_997d3a9a90.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/137242171/"&gt;Todo o tempo do mundo&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	A primeira vez que ouvi "tenho todo o tempo do mundo para ti" achei que  precisava daquele disco e peguei no passe e desci a avenida e voltei feliz, feliz... O disco enfiado no bolso, o vento da noite no meu rosto, fumando sózinha e clandestinamente o velho cigarro pendurado nos meus lábios quentes dum café mais pequeno do que um cimbalino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podes vir a qualquer hora &lt;br /&gt;Cá estarei para te ouvir &lt;br /&gt;O que tenho para fazer &lt;br /&gt;Posso fazer a seguir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frios dos primeiros calores do ano e fugir e correr para ti sonhando com o húmido roçar do teu sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação de não ter tempo para mais nada, de que o tempo passa a uma velocidade incrível, em cima da hora, com atraso, no último minuto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para casa e era como se alguma coisa me houvesse devolvido o rumo antes perdido, como se estivesse irremediavelmente renascida, inteira, em paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse vai e vem e quando as esperanças se perdem, ainda é possível lembrar que há todo "o tempo do mundo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste vai e vem, o avesso faz com que as forças se propaguem, e quando as esperanças se perdem ainda é possível lembrar que há..&lt;br /&gt;todo o tempo do mundo sem ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que poder passar tardes em frente ao mar sem ti e conquistar Ceuta aos mouros, passar além da Taprobana e dobrar o Cabo das Tormentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quê a pressa? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era como se, outra vez, nós tivéssemos todo o tempo do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se te visse uma vez mais, apenas mais uma vez.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114636977907921811?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114636977907921811/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114636977907921811' title='59 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114636977907921811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114636977907921811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/04/todo-o-tempo-do-mundo.html' title='Todo o tempo do mundo'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>59</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114541514350309759</id><published>2006-04-19T03:52:00.000+01:00</published><updated>2006-04-19T03:52:23.573+01:00</updated><title type='text'>Ana Severina</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/131113090/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/53/131113090_f7a639e2de.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/131113090/"&gt;Ana Severina&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Quis o acaso das circunstâncias que te encontrasse naquela tarde com sabor a Primavera e então tomei a liberdade de enviar o teu corpo sem filtros e sem zooms. Ias fazer um "workshop" de berloques de colares, pulseiras e brincos e é claro que tinha que me matricular. E assim fui compartilhar aquela tarde com uma dúzia de jovens adeptos do novo new age.&lt;br /&gt;Pensei na altura que afinal ainda não está tudo perdido para as bolas de sabão que fixei naquela manhã do ano passado e que me deixaste fotografar com aquela máquina japonesa que ainda vai deixando pequenas chamas de pequenos prazeres que me ligam aos pormenores do quotidiano, à natureza, ao universo e aos belos espectáculos que estes nos proporcionam.&lt;br /&gt;Esqueci-me dos óculos de ver ao perto embora tivesse levado a lupa enfim.&lt;br /&gt;Deste-me bolas e mais bolas e alicates e fios, e quase que enfiei um alicate num olho esquecendo-me que é mais difícil ler a lista telefónica do que enfiar uma linha numa agulha, e muito &lt;br /&gt;menos colar minusculas esferas entremeadas com florzinhas de crochet que tu própria fizeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando fiquei a olhar para ti e de ti para mim, no gosto de te ver a espreitar o mundo de fora, sem pompa e nenhuma circunstância, tu, que és a pré-história redescoberta do paladar, enquanto olho a tua silhueta como uma escada até aos céus guardando o sono dos homens, no temor dos deuses.&lt;br /&gt;É por estas e outras coisas que me vou deslumbrando em cada dia, na diversidade de sabores de viver, a partir do dia da graça do primeiro frio e do primeiro medo do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há cristais e rosas&lt;br /&gt;há flores exóticas e areias finas&lt;br /&gt;e conchas lindas&lt;br /&gt;mas nada têm, nenhumas ousam&lt;br /&gt;essa pele tão bonita que tu tens&lt;br /&gt;nem os olhos que enchem&lt;br /&gt;este mundo&lt;br /&gt;nem os teus sonhos&lt;br /&gt;nem as tuas bolas de sabão.&lt;br /&gt;Nasceste de morango e vinho puro&lt;br /&gt;És assim porque és.&lt;br /&gt;Não tens limites.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114541514350309759?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114541514350309759/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114541514350309759' title='58 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114541514350309759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114541514350309759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/04/ana-severina_19.html' title='Ana Severina'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>58</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114471956793656925</id><published>2006-04-11T02:36:00.000+01:00</published><updated>2006-04-11T02:39:27.943+01:00</updated><title type='text'>fiat lux</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/fiat%20lux_jpg.1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/320/fiat%20lux_jpg.1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Encontro-te no gesto do rosto, nos tons emotivos que definem um olhar. O olhar em movimento, o rosto como cintilação, como inspiração, como um estado de luminosidade interior análogo ao fiat lux divino.&lt;br /&gt;Será o rosto do abismo onde repousam os teus deuses foragidos?&lt;br /&gt;A imagem, o texto, capaz de reproduzir o drama e de propor o drama, de identificar o momento e de determinar o seu sentido e a sua humanidade. Sim, é preciso sonhar. Mas é ainda preciso saber a diferença entre o sonho e a realidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lembro-me agora que tenho de marcar um&lt;br /&gt;encontro contigo, num sítio em que ambos&lt;br /&gt;nos possamos falar,de facto, sem que nenhuma&lt;br /&gt;das ocorrências da vida venha&lt;br /&gt;interferir no que temos para nos dizer. Muitas&lt;br /&gt;vezes me lembrei de que esse sítio podia&lt;br /&gt;ser até um lugar sem nada de especial&lt;br /&gt;como um canto de café, em frente de um espelho&lt;br /&gt;que poderia servir de pretexto&lt;br /&gt;para reflectir a alma, a impressão da tarde,&lt;br /&gt;o último estertor do dia antes de nos despedirmos,&lt;br /&gt;quando é preciso encontrar uma fórmula que&lt;br /&gt;disfarce o que,afinal,não conseguimos dizer. É&lt;br /&gt;que o amor nem sempre é uma palavra de uso,&lt;br /&gt;aquela que permite a passagem á comunicação&lt;br /&gt;mais exacta de dois seres,a não ser que nos fale,&lt;br /&gt;de súbito, o sentido da despedida e que cada um de nós&lt;br /&gt;leve consigo o outro deixando atrás de si o próprio&lt;br /&gt;ser,como se uma troca de almas fosse possível&lt;br /&gt;neste mundo. Então, é natural que voltes atrás e&lt;br /&gt;me peças: "Vem comigo!", e devo dizer-te que muitas&lt;br /&gt;vezes pensei em fazer isso mesmo, mas era tarde,&lt;br /&gt;isto é, a porta tinha-se fechado até outro&lt;br /&gt;dia que é aquele que acaba por nunca chegar, e então&lt;br /&gt;as palavras caiem no vazio, como se nunca tivessem&lt;br /&gt;sido pensadas. No entanto, ao escrever-te para marcar&lt;br /&gt;um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos&lt;br /&gt;para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que&lt;br /&gt;é também a mais absurda, de um sentimento; e por&lt;br /&gt;isso, de que o mundo há-de ser outro no dia&lt;br /&gt;seguinte, como se o amor de facto pudesse mudar as cores&lt;br /&gt;do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos&lt;br /&gt;encontrar, que há-de ser um dia azul, de verão, em que&lt;br /&gt;o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí&lt;br /&gt;que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas,&lt;br /&gt;que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo&lt;br /&gt;das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poema de Nuno Júdice.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114471956793656925?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114471956793656925/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114471956793656925' title='51 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114471956793656925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114471956793656925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/04/fiat-lux_114471956793656925.html' title='fiat lux'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>51</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114437554955417768</id><published>2006-04-07T03:05:00.000+01:00</published><updated>2006-04-10T23:58:48.006+01:00</updated><title type='text'>gosto de ti todos os dias</title><content type='html'>&lt;div class="flickr-frame"&gt;&lt;a title="photo sharing" href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/124471752/"&gt;&lt;img class="flickr-photo" alt="" src="http://static.flickr.com/43/124471752_126778df07.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/124471752/"&gt;gosto de ti todos os dias&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;&lt;br /&gt;O factor mais importante para descobrir uma estrela é sem dúvida a magnitude desta, o seu brilho, pois destaca-a de outras no fundo escuro do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Cada vez que me dá esta sensação o que eu normalmente faço é ir desesperadamente à procura, ou pelo menos imaginar, algo de novo para ocupar tempo, espaço e vontade. Deu-me para isto e, armado em escritor, sentei-me no vermelho acolchoado da cadeira e lentamente massajei as teclas do computador. Como que se sentisse esta minha ferramenta a soltar gritos de prazer ao longo destas palavras e dos espaços entre elas, cresce a minha vontade de mais a utilizar tornando-se em mais do que um simples esforço, transformando-se sim num divertimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O hábito e a rotina criam em mim uma força que não compreendo e que combate o prazer para o orientar a uma metamorfose em direcção ao tédio. Solta como nada, a vontade puxa pelo lado mais forte, assistindo a uma luta sem tréguas e sem vencedores, pois quem mais vence maior será a sua derrota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portas de sentimentos fechadas há muito, janelas de vidro de pedra opacos à mais pequena brisa, são estranhas passagens loucas pelo desejo do ontem e do amanhã, soltas neste infinito em que flutuam ao sabor de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhos sem vida que anseiam pelo fio da esperança que foge naquele momento em que se pensa que se alcança, a ponta de uma caneta que sem tinta ainda escreve ou todos aqueles fogos que ardem no vácuo, são todos sonhos que daí não passam e que acabam no despertar de cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serões de dias infinitos de ocasos ainda por vir relembram a voz de quem se calou e os gritos de quem já não tem forças para gritar. Bestas que reinam e soldados que agem ao som de um comando sem darem por isso, são imagens que ocorrem e desaparecem pela vontade de cada um de fugir à sua própria sentença. Pesos carregados nos ombros de alguém que sem saber se encontra na fronteira do real e do imaginário, que ocorre na ânsia de fugir daquele mundo que o cerca e que cada vez mais parece não existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A erosão dos ventos que sopram sem origem ou destino, mas que batem forte e são sentidos, limam as arestas e moldam o que nasceu puro, como o escopro de um escultor nas mãos de um mestre. Lentamente se forma o que não tinha forma, lentamente nasce o que não existia para logo morrer nas mãos de quem o criou. Lágrimas sem sentido pousam levemente como que não tivessem peso ou não quisessem existir. Lagos de terror e demência envolvem tudo, não sobra nada, só o sufoco de quem perdeu as forças para voltar a criar. Tempo que passa ao lado de quem nem vontade tem de o sentir e então deixar de sentir, deixar de lembrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca duram demais os ventos, passam como se nem sequer tivessem existido se não fossem as marcas dos fundos golpes que não nos deixam esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As sombras que perseguem cada passo escondem-se em cada esquina mas são vistas por quem quer. São profundas feridas sentidas na dor daqueles que delas querem fugir, mas em vão.Quando param e olham para trás vêem sombras que não são sombras mas apenas flores que já murcharam de quem as tenta esquecer. Possessas pelo medo de quem não as quer lembrar mirram pelas mãos destes pois da sua lembrança depende a sua existência." &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;João Roberto, Lisboa, 1993&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114437554955417768?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114437554955417768/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114437554955417768' title='46 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114437554955417768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114437554955417768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/04/gosto-de-ti-todos-os-dias_114437554955417768.html' title='gosto de ti todos os dias'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>46</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114403916611291199</id><published>2006-04-03T05:39:00.000+01:00</published><updated>2006-04-11T00:04:59.626+01:00</updated><title type='text'>Céu de baunilha</title><content type='html'>&lt;div class="flickr-frame"&gt;&lt;a title="photo sharing" href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/122308986/"&gt;&lt;img class="flickr-photo" alt="" src="http://static.flickr.com/39/122308986_e7fd1630ef.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/122308986/"&gt;Céu de baunilha&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;Nos antigos e grandes cinemas espaçosos havia a plateia e o primeiro e o segundo balcão e o intervalo pelo meio, com a debandada geral a caminho do café, o espaço de conversa onde se caminhava dum lado para o outro, olhando vagamente os cartazes enquanto na verdade se olhava uns para os outros naquela cumplicidade do olhar, vago ou insistente, ou simplesmente o olhar, no manto diáfano da fantasia. E havia o Lauro António e o Eduardo Prado Coelho, assíduos frequentadores de cinema, que connosco partilhavam, sem nos conhecermos, a magia do momento naqueles que eram os cinemas paraíso dos tempos de estudante.&lt;br /&gt;Eram assim o S. Jorge, o Império e o Tivoli, nesta cidade que o Alain Tanner chamou a cidade branca, num dos filmes mais bonitos que o cinema deu a Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa é "...uma rapariga descalça e leve, um vento súbito e claro nos cabelos, algumas rugas finas a espreitar-lhe os olhos, a solidão aberta nos lábios e nos dedos, descendo degraus e degraus e degraus até ao rio..." Como disse Eugénio de Andrade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nostalgia? Não e muito menos saudosismo. Deixei a nostalgia para sempre, como naquela canção do Fernando Tordo adeus tristeza até depois chamo-te triste porque não há entre os dois (o resto não me lembro). Quero lá saber dos cinemas antigos, que viva a vida, se possível sem o cheiro das pipocas no pescoço. A vida é só uma e não é assim tão longa até prova em contrário. É simples como um céu de baunilha, no qual os pequenos detalhes são os ingredientes principais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje nada é como ontem e o amanhã ainda não aconteceu. É madrugada duma noite e dum dia que ainda não amanheceu. Logo, aqui em Lisboa, olharei o céu. Imaginarei que não há carros, nem poluição. Verei a cidade nos tons que quiser. Ou não são os pensamentos responsáveis pelas nossas emoções? Verei o seu céu de bauniha, escondido e suspenso, no latejar da vida que passa. Sôfregas quedam-se as asas sedentas do meu voo cansado, e o horizonte hesita. E finalmente o voo recomeça, em todo o seu esplendor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foto de Carlos Romão in a Cidade Surpreendente&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114403916611291199?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114403916611291199/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114403916611291199' title='43 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114403916611291199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114403916611291199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/04/cu-de-baunilha.html' title='Céu de baunilha'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>43</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114300523668640042</id><published>2006-03-22T05:20:00.000Z</published><updated>2006-03-22T05:27:16.806Z</updated><title type='text'>Até qualquer dia</title><content type='html'>A noite iria cair em breve, cair vermelha e negra como um tapete que cai duma janela sideral e encobre os astros mais brilhantes. &lt;br /&gt;Não, não iria haver lua, embora a maré estivesse ampla e batesse mesmo rente como se fosse cheia. &lt;br /&gt;Iria cair como uma colcha que se desprende, imensa e abissal. Demoravam a acender as luzes da cidade. E para quê acendê-las? Devia-se deixar as sombras ocultarem as árvores pelas suas próprias sombras, deixar que a Terra com o seu contraste natural entre o claro e o escuro devolvesse às pessoas a noção das rotações planetárias - a noite com o escuro, o dia com a luz, depois o escuro definitivo quando chegasse a nossa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In A Costa dos Murmúrios, de Lídia Jorge&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- blog... preciso que me ajudes..comecei a escrever e falta-me a inspiração&lt;br /&gt; -eu inspiro, chega aqui&lt;br /&gt;- sim, inspira-me&lt;br /&gt;- inspiro-te, claro&lt;br /&gt;- encosta aqui e vais ver&lt;br /&gt;- então diz&lt;br /&gt;- que queres que diga?&lt;br /&gt;- se soubesse não te perguntava, preciso de ti agora e já&lt;br /&gt;- estou aqui, não fujo&lt;br /&gt;- fala-me da noite...e como ela me pode inspirar&lt;br /&gt;- eu disse para te encostares aqui não disse para te pendurares aqui senão eu caio&lt;br /&gt;- sim&lt;br /&gt;- e não me respondeste, estavas a escrever sobre o quê?&lt;br /&gt;- digo-te.. vou dizer-te&lt;br /&gt;- muda as pilhas, essas estão gastas&lt;br /&gt;- estava a ver se encontrava um texto que escrevi sobre a fuga, mas não encontro&lt;br /&gt;- qual fuga?&lt;br /&gt;- a minha, o adeus&lt;br /&gt;- a tua fuga? não estou a perceber&lt;br /&gt;- a fuga para outra realidade &lt;br /&gt;- já vi que andas a inventar, mas qual outra realidade?&lt;br /&gt;- essa é a que procuro ver qual é, que faça sentido&lt;br /&gt;- não percebo o que é fuga para outra realidade, a realidade é esta onde tu andas,  bem ou mal andas lá e é só esta a realidade&lt;br /&gt;- é,mas falta-lhe um sentido&lt;br /&gt;- eu estou feito contigo.. ah precisas de mim precisas já estou a ver&lt;br /&gt;- de certa maneira sim&lt;br /&gt;- falta 1 sentido na tua realidade como falta da de toda a gente, procuramos sempre qualquer coisa  de diferente, que seja nosso. Estás aí a mudar as pilhas?&lt;br /&gt;- não, estou a ler o que escreves&lt;br /&gt;- a ler não, senão respondias logo, estás mas é a devorar o que eu escrevo&lt;br /&gt;- isso mesmo &lt;br /&gt;- eu dou, upa aqui&lt;br /&gt;- pelo menos tu gostas de mim?&lt;br /&gt;- ainda me estás a devorar?&lt;br /&gt;- ainda, não me resta mais nada esta noite.&lt;br /&gt;- pareces-me triste, que tens?&lt;br /&gt;- estou triste e cansada de mim&lt;br /&gt;- queres mimo?&lt;br /&gt;- sim&lt;br /&gt;- gosto e muito&lt;br /&gt;- É madrugada e a internet tem sido uma boa companhia, a noite com o escuro, o dia com a luz.&lt;br /&gt;- tens medo do escuro?&lt;br /&gt;- sim, do escuro que vejo em mim...&lt;br /&gt;- não vejo escuro nenhum em ti, vejo-te inteligente e fresca, a mim não me prejudica nada&lt;br /&gt;- não achas que me devo despedir?&lt;br /&gt;- que tipo de obsessões tens?&lt;br /&gt;- do género afectivo&lt;br /&gt;- precisas de mimo bem me parecia que era isso&lt;br /&gt;- que hei-de fazer?&lt;br /&gt;- fazer para quê?&lt;br /&gt;- para me proteger e não ferir as outras pessoas&lt;br /&gt;- ferir como, afectivamente?&lt;br /&gt;- não esperando nelas o paraíso ou as minhas carências&lt;br /&gt;- isso é porque não tens confiança em ti, se tivesses confiavas nelas também&lt;br /&gt;- é por isso que vou fugir&lt;br /&gt;- fugir para onde?&lt;br /&gt;- não sei&lt;br /&gt;- vamos tomar 1 café estás a precisar de conversa&lt;br /&gt;- nestes dias não, preciso de pensar nalgumas coisa&lt;br /&gt;- pensas tanto&lt;br /&gt;- não, esse é o meu mal&lt;br /&gt;- comigo não precisas de pensar muito eu não complico nada&lt;br /&gt;- ajudaste-me muito&lt;br /&gt;- nem fiz nada&lt;br /&gt;- parece-te, mas ajudaste&lt;br /&gt;- ainda bem, o que precisares diz&lt;br /&gt;- sim, vou-me embora&lt;br /&gt;- beijo &lt;br /&gt;- obrigada e até um dia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114300523668640042?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114300523668640042/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114300523668640042' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114300523668640042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114300523668640042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/03/at-qualquer-dia.html' title='Até qualquer dia'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114291201465528585</id><published>2006-03-21T03:33:00.000Z</published><updated>2006-03-21T03:33:34.706Z</updated><title type='text'>verdes são os campos</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/115637257/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/43/115637257_04c8bfe210.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/115637257/"&gt;verdes são os campos&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Um ano...&lt;br /&gt;e dou conta do tempo.&lt;br /&gt;Tanto que lá vai&lt;br /&gt;e teima em não voltar.&lt;br /&gt;Tanto que quero revivido&lt;br /&gt;e que apesar de não ter morrido,&lt;br /&gt;a impossibilidade do agora&lt;br /&gt;me nega, neste finito vivencial&lt;br /&gt;de uma existência para o momento &lt;br /&gt;do presente,&lt;br /&gt;porque o futuro não basta para a juventude,&lt;br /&gt;só para idade (espero que longínqua)&lt;br /&gt;da sabedoria apurada da velhice.&lt;br /&gt;Tanta energia percorreu as minhas veias&lt;br /&gt;para que um beijo se selasse,&lt;br /&gt;tanto esforço para construir um nada&lt;br /&gt;em que o tempo não importasse,&lt;br /&gt;em que tudo se resumisse simplesmente&lt;br /&gt;às partículas insignificantes &lt;br /&gt;que compõem o mundo,&lt;br /&gt;as quais, na pressa e na necessidade de respirar,&lt;br /&gt;nem se dá pela sua presença.&lt;br /&gt;Que saudades do não-tempo em que nada importa:&lt;br /&gt;a ânsia de um sentir mais forte,&lt;br /&gt;mais intenso, mais tudo&lt;br /&gt;que a temporalidade, que a mortalidade,&lt;br /&gt;que a sobrevivência da alma ou da vida;&lt;br /&gt;a sede de um momento em que só&lt;br /&gt;dois olhares, frente a frente, existem,&lt;br /&gt;e que num comunicar, entre si indecifrável,&lt;br /&gt;relegam para a insignificância &lt;br /&gt;as palavras, as imagens,&lt;br /&gt;os outros, os medos, os preconceitos,&lt;br /&gt;a vida, o tempo, &lt;br /&gt;na busca do seu próprio paraíso,&lt;br /&gt;o dos amantes impossíveis e perdidos&lt;br /&gt;que se encontram sabe-se lá &lt;br /&gt;como e quando&lt;br /&gt;e por quanto tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(F. Marques)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114291201465528585?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114291201465528585/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114291201465528585' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114291201465528585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114291201465528585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/03/verdes-so-os-campos.html' title='verdes são os campos'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114274357097332743</id><published>2006-03-19T04:46:00.000Z</published><updated>2006-03-19T04:46:11.140Z</updated><title type='text'>Sobre o erotismo</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/114457311/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/39/114457311_904bd2a2cc.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/114457311/"&gt;Sobre o erotismo&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	O sexo perde todo o seu poder, toda a sua magia, quando se torna explícito, abusivo, quando se torna mecânicamente obcecante. Passa a ser enfadonho. É um erro é não lhe juntar a emoção, a fome, o desejo, a luxúria, os caprichos, as manias, os laços pessoais, as relações mais profundas que lhe mudam a cor, o perfume, os ritmos, a intensidade. &lt;br /&gt;A sua fonte é a curiosidade, é a paixão. O sexo não pode pairar na monotonia. Sem invenções, humores, &lt;br /&gt;sentimentos. O sexo deve ter à mistura lágrimas, riso, palavras, promessas, cenas, ciúme, inveja, todos os condimentos do medo, histórias, sonhos, fantasia, música, dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anaïs Nin, in "Delta de Vénus"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o fio da meada. &lt;br /&gt;Nele, há calor e frio, é inteiro e completo como a natureza, é pleno de sabores e mil saberes, é provar, conhecer o sabor, é saber.&lt;br /&gt;É todo o sabor.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114274357097332743?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114274357097332743/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114274357097332743' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114274357097332743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114274357097332743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/03/sobre-o-erotismo.html' title='Sobre o erotismo'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114266484233702700</id><published>2006-03-18T06:54:00.000Z</published><updated>2006-03-18T06:54:02.406Z</updated><title type='text'>Tudo bem?</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/114013557/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/48/114013557_e152eacde9.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/114013557/"&gt;Tudo bem?&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Quando cheguei a casa e liguei este computador lembrei-me do carteiro, do seu ar pesado e cabisbaixo quando era não, e do seu sorriso rasgado quando era sim.&lt;br /&gt;Quando a carta não vinha, descia a escuridão sobre o mundo cinzento e entristecido. Quando a carta vinha, e com as mãos a temer rasgava ansiosamente a lombada e lia avidamente o que tanto esperava com &lt;br /&gt;um bater mais forte do coração, ele ficava ali uns minutos junto a mim na sua figura curvada que de repente ganhava força.&lt;br /&gt;E sorrindo maliciosamente repetia a frase “Está tudo bem assim e não podia ser de outra maneira”, que curiosamente é atribuida a um ditador de fabrico nacional ali para os lados de Santa Comba Dão. Mas é claro que nessa época dos 16 anos o que interessava era a carta que vinha de França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje as coisas mudaram com o you've got mail, três palavras tão simples e que simbolizam o desejo de quem espera por notícias de alguém especial ou nem por isso, ou nem por uma coisa nem outra.&lt;br /&gt;Abro a carta, perdão, abro o email.&lt;br /&gt;"Tudo bem?"&lt;br /&gt;É a forma como se costuma iniciar os encontros,sejam eles fortuitos ou não. Fiquei a pensar na resposta. Para responder correctamente teria que ter á mão os últimos exames e análises feitos no meu centro de saúde (sim, ainda funcionam alguns) e ter o rascunho dos assuntos mais importantes da vida pessoal, profissional, afectiva, sexual, equilíbrio psiquíco, declarações do Irs, grau de motivação &lt;br /&gt;de convições políticas, religiosas, filosóficas, etc. &lt;br /&gt;A menos que o "Tudo bem" fosse outra coisa, do género Diz-me como és e dir-te-ei como sou, uma coisa afirmativa, sem apelo nem agravo. Na dúvida responderei com o fabuloso Vai-se indo, ou um "mais ou menos", que é uma alternativa possível ao Tudo Bem afirmativo e categórico.&lt;br /&gt;Sempre é melhor do que o : "Não, não vai tudo bem!", que provocaria do outro lado um silêncio tumular... &lt;br /&gt;Que obrigação eu tenho de aparentar estar bem, se eventualmente posso não estar? &lt;br /&gt;Será que as formigas quando caminham e trocam informações entre elas também dizem: Tudo bem?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar as coisas.&lt;br /&gt;Olhar as coisas e vê-las.&lt;br /&gt;Pressenti-las, cheirá-las.&lt;br /&gt;São outras as dimensões do tempo&lt;br /&gt;para cada um de nós.&lt;br /&gt;A única coisa das coisas &lt;br /&gt;que é diferente por acaso,&lt;br /&gt;é o acaso de olharmos diferente para as coisas.&lt;br /&gt;E sabermos que vemos com a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta noite, por acaso, és distante como a galáxia longínqua.&lt;br /&gt;Esta noite, por acaso..&lt;br /&gt;não estou cá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto:António-San&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114266484233702700?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114266484233702700/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114266484233702700' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114266484233702700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114266484233702700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/03/tudo-bem.html' title='Tudo bem?'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114239723268663679</id><published>2006-03-15T04:33:00.000Z</published><updated>2006-03-15T04:33:52.880Z</updated><title type='text'>Voo rasante</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/112728464/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/49/112728464_f895c1edd3.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/112728464/"&gt;Voo rasante&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	A guinada para a direita é o Rosário, quando o avião vira. Madeira, aeroporto.&lt;br /&gt;Hoje em dia e cada vez mais não dizemos adeus. Quando nos despedimos de alguém é habitual dizer-se até logo, ou até amanhã. Ou então, a gente fala-se. Mesmo quando a despedida não é temporária.&lt;br /&gt;É como andar de avião, costumo dizer adeus quando isso acontece. É derivado ao avião.&lt;br /&gt;Por conseguinte e derivado a, terei de ir de avião a tal sítio. O "derivado a" é um problema de sonoridade e de construção da frase na arte de bem falar, pior ainda que o "por conseguinte", sem falar noutras igualmente maravilhosas como por exemplo, em conclusão, ou em consequência, consoante o contexto.&lt;br /&gt;Derivado a um problema familiar, terei que ir à Madeira e por conseguinte e derivado a não haver barcos lá terei que ir de avião derivado a não ter alternativas navais.&lt;br /&gt;Começarei a viagem de copo de whisky na mão - on the rocks pois claro. Não, não podes imaginar este suplício ...&lt;br /&gt;Andar de avião nem sabe a peixe nem sabe a carne,sem cor nem cheiro, ou seja, sem alma, tem apenas uns momentos dignos, que é a partida e e chegada, e de resto vive numa imensa monotonia.&lt;br /&gt;Mas nem tudo é mau. Há que realçar a aterragem no aeroporto da Madeira, quando se vê o mar e as casinhas ali em baixo, ao som das palmas dos passageiros num piar discreto e em coro quando o comandante  executa uma manobra radical nos últimos instantes do vôo.&lt;br /&gt;Mas tudo vale a pena quando nos envolvemos na floresta natural da Madeira (a laurissilva), considerada Património Mundial da UNESCO. Para além da sua beleza deslumbrante, conhecer esta ilha de diferentes formas e tons de verde é partilhar a impressionante força da natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Para lá das montanhas &lt;br /&gt;que a neblina esconde &lt;br /&gt;ficou o meu riso &lt;br /&gt;de criança, o meu amor &lt;br /&gt;e a minha esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para lá das montanhas &lt;br /&gt;fiquei de olhar perdido &lt;br /&gt;a chamar por mim… &lt;br /&gt;Mas eu não vim." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;               (Murilaonde,1990)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114239723268663679?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114239723268663679/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114239723268663679' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114239723268663679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114239723268663679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/03/voo-rasante.html' title='Voo rasante'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114230784084138496</id><published>2006-03-14T03:44:00.000Z</published><updated>2006-03-14T03:44:00.933Z</updated><title type='text'>Ás vezes acontece</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/112244130/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/19/112244130_e8a40d68df.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/112244130/"&gt;carlos romão111111_jpg&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Às vezes acontece.&lt;br /&gt;Estranho.&lt;br /&gt;Estranho e lúcido.&lt;br /&gt;De tempo ausente. &lt;br /&gt;Intemporal.&lt;br /&gt;Presente quotidianamente.&lt;br /&gt;Homem sem dono,&lt;br /&gt;agreste,&lt;br /&gt;selvagem, recolhido,&lt;br /&gt;tímido.&lt;br /&gt;Pode ser,&lt;br /&gt;porque tudo pode ser.&lt;br /&gt;Pode ser,&lt;br /&gt;porque tudo pode ser,&lt;br /&gt;que nada disto seja verdade.&lt;br /&gt;E que a amável quietude&lt;br /&gt;se transforme&lt;br /&gt;num súbito fulgor&lt;br /&gt;quando alguém surge &lt;br /&gt;dum outro lado,&lt;br /&gt;sem motivo, sem pensares,&lt;br /&gt;e abstracto se envolve&lt;br /&gt;no teu destino&lt;br /&gt;tranquilo, inalterado.&lt;br /&gt;Assim ficarei aqui quieta,&lt;br /&gt;enquanto decides daquilo &lt;br /&gt;que te dei&lt;br /&gt;e que te disse&lt;br /&gt;esta noite.&lt;br /&gt;E se tudo for contrário &lt;br /&gt;àquilo que mereço,&lt;br /&gt;não vou desistir&lt;br /&gt;e tentarei de novo &lt;br /&gt;conquistar-te&lt;br /&gt;enlançando-te com o mesmo verso&lt;br /&gt;com que te amei esta tarde,&lt;br /&gt;sorrindo-te com a minha boca&lt;br /&gt;e beijando-te com o meu olhar.&lt;br /&gt;Tardes ternas &lt;br /&gt;de aromas doces.&lt;br /&gt;Tardes de perfumes&lt;br /&gt;do teu corpo,&lt;br /&gt;de brisas suaves,&lt;br /&gt;de olhos profundos,&lt;br /&gt;de beijos leves&lt;br /&gt;de ritmo que aumenta,&lt;br /&gt;se alvoroça,&lt;br /&gt;de duas bocas que se esmagam,&lt;br /&gt;se entregam.&lt;br /&gt;Tardes de corpo&lt;br /&gt;cansado nos teus braços,&lt;br /&gt;de dedos que se entrelaçam,&lt;br /&gt;da calma nas palavras &lt;br /&gt;que se dizem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São estes dias que fazem&lt;br /&gt;da minha vida,&lt;br /&gt;o relógio de água com que conto&lt;br /&gt;o teu e o meu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São estes dias que contam,&lt;br /&gt;estes dias, estas horas&lt;br /&gt;em que te amo,&lt;br /&gt;desesperadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto de Carlos Romão.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114230784084138496?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114230784084138496/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114230784084138496' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114230784084138496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114230784084138496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/03/s-vezes-acontece.html' title='Ás vezes acontece'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114220777663697467</id><published>2006-03-12T23:56:00.000Z</published><updated>2006-03-12T23:56:16.696Z</updated><title type='text'>O Quinto Império</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/111605211/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/45/111605211_1fea112f86.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/111605211/"&gt;O Quinto Império&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	A filosofia portuguesa não existe sem a poesia.&lt;br /&gt;D. Sebastião teria subsidiado Luís de Camões de forma bem mais generosa se por acaso ele tivesse sido um general de sucesso. Digo ele, Luís de Camões. Pois que D. Sebastião foi o nosso bem conhecido general do insucesso. &lt;br /&gt;D. Sebastião teria feito bem melhor a Portugal se se tivesse tornado poeta. &lt;br /&gt;Quis ser rei e seguidor de sinais. Ou melhor, era esse o destino que lhe estava traçado. Eis a sua única desculpa. &lt;br /&gt;Sonhou os sonhos errados e foi esse o seu legado. Por outro lado, diga-se, ser poeta ao lado de Luís Vaz de Camões deveria ser hercúlea obra mesmo para um D. Sebastião.&lt;br /&gt;A partir de D. Sebastião passámos a encontrar-nos na saudade, na quimera, na luz espiritualmente revelada.&lt;br /&gt;Não mais glórias de expansão ou de domínio terreno. Todos perceberam que o destino de Portugal, a partir de tal desastre, só poderia ser espiritual.&lt;br /&gt;O Padre António Vieira fundou a ideia de Quinto Império. Não me importam, agora, os quatro impérios anteriores ao Quinto. Importa-me essa sensação sublime que é sentir-me parte vivente de um sonho maior do que uma Nação. E porque digo isto? Porque só as Nações grandes de coração e alma podem sonhar os sonhos que lhe são maiores.&lt;br /&gt;O conceito de Quinto Império evolui, sendo o mesmo. António Vieira procura-o na História do Futuro. &lt;br /&gt;Fernando Pessoa encontra-o na História do Passado. E é a esta transversalidade que irá juntar-se Luís de Camões. &lt;br /&gt;Luís de Camões entra neste triângulo com a voz da intemporalidade que une os discursos de Fernando Pessoa e António Vieira.&lt;br /&gt;Cada um tem um D. Sebastião dentro de si. E quando cada um regressa a si mesmo é D. Sebastião que retorna por entre as brumas da alma de cada um. O caminho do Quinto Império talvez possa dissipar a bruma. O D. Sebastião que falta a cada um de nós se calhar não está longe. &lt;br /&gt;Talvez a bruma seja o muro que nos separa da plenitude espiritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto é parte dum trabalho sobre o sonho do Quinto Império, que encontrei algures na net, do Mário Máximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me disto porque a esperança dum povo e a sua identidade ainda existe. &lt;br /&gt;Como este rio que nasce na Serra da Estrela, em Portugal, o meu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, existe algo mais do que um beijo sórdido, o beijo de Judas, que custou 30 moedas.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114220777663697467?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114220777663697467/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114220777663697467' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114220777663697467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114220777663697467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/03/o-quinto-imprio.html' title='O Quinto Império'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114204601735354645</id><published>2006-03-11T03:00:00.000Z</published><updated>2006-03-11T03:00:17.456Z</updated><title type='text'>Pasion</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/110661930/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/36/110661930_7fa9f4e4d7.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/110661930/"&gt;Pasion&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	O vento começa a soprar. Escrevo para ti que neste momento entras e ficas à porta, e hesitas. Dou-te uma bela paisagem, árvores esplendorosas vistas numa tarde de Setembro na terra do feitiço da lua, como se elas fossem uma reflexão sobre a vida, sobre o que se passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ay, abrazame esta noche&lt;br /&gt;Y aunque no tengas ganas&lt;br /&gt;Prefeiero que me mientas&lt;br /&gt;Tristes breves nuestras vidas&lt;br /&gt;Acercate a mí, abrazame a ti por Dios&lt;br /&gt;Entregate a mis brazos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta voz em off, evoco uma fábula sobre um pássaro que, uma vez nascido, levanta vôo e passa a vida assim, voando.&lt;br /&gt;Se sente sono, dorme ao vento e só pousa uma única vez no momento de morrer. O teu sonho, tudo o que vires e ouvires é criado por ti.&lt;br /&gt;Faz parte dos teus sonhos. Este mundo é só teu, podes conhecê-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No, no digas que yo me muero&lt;br /&gt;Amor, mi vida es sufrimiento&lt;br /&gt;Yo te quiero en mi camino&lt;br /&gt;Por vos cambiaba mi destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado da luz, para ti, que não és destas letras, parece ser mais determinante o ouvir - audire, em latim - do que escrever. Mas mesmo assim escrevo como se fosse a ti que veria ao mergulhar no mar, chamando com toda a dor do desejo pelo que seria então a memória do teu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hesitas mas continuas a ler. Mas nem falo (ai, meu Deus, sempre a tal inultrapassável obsessão erótica) de nada de especial, só mostro a fotografia. Açores, São Miguel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tengo un corazón ganando&lt;br /&gt;Yo sé que vos me estas escuchando&lt;br /&gt;Con mis lagrimas te quiero&lt;br /&gt;Pasión sos mi amor sincero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hesitas ainda mais e sais de fininho. Mas psiuuuu, é segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a Adriana Calcanhoto, ou lá como é que ela se chama, sem ofensa.&lt;br /&gt;A dar um ar clássico ao silêncio e às palavras.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114204601735354645?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114204601735354645/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114204601735354645' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114204601735354645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114204601735354645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/03/pasion.html' title='Pasion'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114160996773005220</id><published>2006-03-06T01:52:00.000Z</published><updated>2006-03-06T01:52:47.766Z</updated><title type='text'>chá no deserto</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/108443742/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/49/108443742_49c2752ce0.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/108443742/"&gt;chá no deserto&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Antes de mais há o ruído. Não, não há sabor a maresia, nem a mar alto, nem se vêem pelicanos à beira das falésias nem leões marinhos amontoados nas escarpas.&lt;br /&gt;Há o ruído que nos penetra no quotidiano, esse tempo mensurável e exterior a nós, o tempo dos prazos, das figuras certas, verticais e geometrizadas, o tempo que desliza nas curvas dos comboios em movimentos subreptícios, esse real sem tempo nem &lt;br /&gt;espaço para acontecer, esse real no exacto instante caótico de muros, grades, contentores, obras de arte, arquitecturas anónimas, alcatrão, alumínio, azulejo, cimento, entrando nas entranhas, transformando a natureza em gestos provisórios, &lt;br /&gt;vazios, sonolentos.&lt;br /&gt;Um quotidiano em permanente fuga, nos espantos, nas angústias do dia-a-dia, neste “desterro em/ meu deserto” entrevisto nos percursos do dia a dia, na conversa breve dum qualquer recanto, no sorriso correcto lavado à pressa da manhã, no cansado olhar do regresso à noite.&lt;br /&gt;À noite do breve regresso, ao sonho do outro dia, sonho desse outro dia e de um outro tempo, iluminado, finalmente nosso, finalmente realizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São duas da manhã,&lt;br /&gt;oh! meu amor&lt;br /&gt;e tu dormes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São duas da manhã&lt;br /&gt;e pressinto-te&lt;br /&gt;e quero-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São duas da manhã&lt;br /&gt;e penso:&lt;br /&gt;dormes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São duas da manhã!&lt;br /&gt;São três da manhã!&lt;br /&gt;São tantos amanhãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia a dia sem tempo, a fuga apetece em direcção à vida, à liberdade, ao amor, a fuga no sonho que nunca se recorda ao acordar, que tenta sair do cativeiro, o sonho nómada vagueando no deserto e nos espaços escusos do pensamento, carregando as suas marcas, explodindo por dentro, prometendo sempre ser a promessa de outra vida, de outro tempo. &lt;br /&gt;Ser outro tempo é a sua incerta e secreta vantagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a cidade dos imortais está em qualquer parte de um deserto ainda desconhecido.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114160996773005220?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114160996773005220/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114160996773005220' title='54 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114160996773005220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114160996773005220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/03/ch-no-deserto_06.html' title='chá no deserto'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>54</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114143832899534397</id><published>2006-03-04T02:12:00.000Z</published><updated>2006-03-04T02:12:09.033Z</updated><title type='text'>O implacável tempo</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/107414937/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/45/107414937_5c340af42f.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/107414937/"&gt;O implacável tempo&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Há horas de absurdos abraços.&lt;br /&gt;Quero apenas deixar um abraço ao meu amigo &lt;a href=""&gt;Henrique&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Deixo um poema, tão absurdo como o tempo, tão implacável como o tempo.&lt;br /&gt;Porque hoje o céu esteve cinzento numa tonalidade amarela-rosa e azul aqui em Lisboa.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um dia for para além do mar,&lt;br /&gt;embarcado num sonho à vela,&lt;br /&gt;e chegar ao infinito do Amor,&lt;br /&gt;ao precipício abismal da Saudade,&lt;br /&gt;ao Limbo perdido das loucuras da Paixão&lt;br /&gt;e à minha universal vontade &lt;br /&gt;de te imaginar,&lt;br /&gt;em todo o teu esplendor e magia,&lt;br /&gt;em toda a tua pureza e fantasia,&lt;br /&gt;em toda a tua candura livre&lt;br /&gt;destas amarras que impedem o  meu barco&lt;br /&gt;de ir além deste cais,&lt;br /&gt;sujo e cinzento,&lt;br /&gt;de tanto sonho destruído e destroçado&lt;br /&gt;ter, em sua miserável função, aportado;&lt;br /&gt;livre desta amargura de não ter partido&lt;br /&gt;quando o meu coração me ordenava&lt;br /&gt;a busca incessante de mim próprio,&lt;br /&gt;até nas minhas mais bestiais realidades&lt;br /&gt;(porque sim, eu sou sexo, eu sou carne,&lt;br /&gt;meu espírito é minha alma de poeta,&lt;br /&gt;condenada a vis prazeres a quem atribui&lt;br /&gt;a tão ideal inteligibilidade);&lt;br /&gt;livre de mim,&lt;br /&gt;ser cuja consciência prefere a loucura&lt;br /&gt;à rendição pessimista do conformismo&lt;br /&gt;e que por isso, pesa por saber&lt;br /&gt;que entender a sapiência dos tempos&lt;br /&gt;é demais para um coração&lt;br /&gt;que só ambiciona a impossibilidade&lt;br /&gt;de ser feliz &lt;br /&gt;e sim, às vezes também se conforma,&lt;br /&gt;atraiçoando-se na sua própria fealdade);&lt;br /&gt;então, se eu chegar lá,&lt;br /&gt;terei cumprido a minha missão,&lt;br /&gt;terei descoberto quem sou&lt;br /&gt;ou os vários "quem" de que sou feito,&lt;br /&gt;terei encontrado o meu fim,&lt;br /&gt;sem ter condenado outros&lt;br /&gt;a um fim cujos meios para o atingir são duvidosos,&lt;br /&gt;e terei te amado ilimitadamente,&lt;br /&gt;porque só a tua imagem,&lt;br /&gt;sempre presente em meu pensamento,&lt;br /&gt;só a idealidade do teu ser&lt;br /&gt;me teriam feito, sequer, partir destemido&lt;br /&gt;à conquista do Sol e da Lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;F. Marques&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114143832899534397?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114143832899534397/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114143832899534397' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114143832899534397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114143832899534397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/03/o-implacvel-tempo_04.html' title='O implacável tempo'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114134474619752502</id><published>2006-03-03T00:12:00.000Z</published><updated>2006-03-03T00:12:26.266Z</updated><title type='text'>A moira encantada</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/106959814/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/51/106959814_a60c28e4b3.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/106959814/"&gt;Orion&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Não há texto, não há nada. Falar raramente é conforme à natureza.&lt;br /&gt;Apenas esta imensidade.&lt;br /&gt;Se os fenómenos do céu e da terra não são duráveis, porque o seriam as acções humanas?&lt;br /&gt;Um vendaval não dura toda a manhã.Um aguaceiro não dura todo o dia.&lt;br /&gt;Quem os produz? O céu e a terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o céu esteve limpo numa tonalidade amarela-rosa e azul-cinzento aqui em Lisboa.&lt;br /&gt;....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tu és o momento.&lt;br /&gt;As mulheres com rosas nos cabelos.&lt;br /&gt;O Tempo.&lt;br /&gt;A linhagem de relógios de pulso&lt;br /&gt;que tomou a vida das criadas.&lt;br /&gt;Eu sou o infante.&lt;br /&gt;A criança doida que adormeceu no colo,&lt;br /&gt;a invenção perdida para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu és a Lua.&lt;br /&gt;A travagem do coração em ironia,&lt;br /&gt;a desdita da Rosa da Banharia,&lt;br /&gt;és o  teu dedo em riste por um fio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou o teu amor deixado &lt;br /&gt;à porta de casa,&lt;br /&gt;como se a porta abrisse para um céu&lt;br /&gt;completamente desconhecido."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De: Alburneo&lt;br /&gt;A Primeira Pedra&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114134474619752502?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114134474619752502/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114134474619752502' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114134474619752502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114134474619752502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/03/moira-encantada.html' title='A moira encantada'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114126432006922510</id><published>2006-03-02T01:52:00.000Z</published><updated>2006-03-02T01:52:00.110Z</updated><title type='text'>Sei lá</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/106518644/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/49/106518644_4566950cc5.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/106518644/"&gt;Sei lá&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Sei que gozo do privilégio de uma excelente vista sobre o Caramulo. Toda a natureza se veste de cores, renascendo, qual Fénix. Oh, sim, eu sei que vais dizer-me que adoro mitologias e viver em Mundos de Luas distantes, olhando estrelas e o vácuo do nada, ou de todos os Universos, sei lá. Tenho de te confessar que é verdade: que olho o céu. E que olho as estrelas. Apenas não te disse ainda, que a cada uma delas eu dei-lhe o teu nome. Esforço-me por encontrar mais, na ânsia louca de te dar todas as estrelas e todas as luas. Prometi-te que te daria o céu. E estou a cumprir. Desdobro-me em esforços para descobrir mais galáxias e mais estrelas, para te oferecer todos os céus. Ofereço-te também palavras. Ao acaso. Ou talvez o acaso afinal não exista e serão letras sentidas, das quais faço arranjos, como se de ramos de flores se tratassem. Isso: as minhas palavras são flores que te ofereço! Repara na imensidão de cores que todas elas têm! Mas estas palavras são ainda mais que ramos de flores bem urdidos. São testemunhos escritos que permanecerão para além da vida, onde me poderás ver mesmo depois de eu partir em demanda de novas estrelas, e outras dimensões. Sinto que esta é já pequena para te oferecer. Um dia, fecharei os olhos e ficas com todas as palavras, todas as flores, todas as estrelas e todas as luas. Ficarei eternamente contigo, porque quando também tu fechares olhos e partires em busca de mim, levarás contigo todos os livros que escrevi, todos os artigos que produzi, todas as reportagens que fui fazendo, nesta minha vida solitária de escriba. Ontem vesti-me de ti. Hoje, vestir-te-ás tu de mim, absorvendo tudo o que sinto! Um dia, podes fazer puzzles com todas as palavras, que afinal talvez sejam letras ao acaso, juntar cada uma delas e teres-me inteiro, reunindo cada pedaço que te vou dando em cada palavra que te escrevo. O que farás então? Ter-me-ás dado vida de novo. Vês porque teimo em olhar estrelas, luas e fazer flores de todas as palavras? Poderás de novo abraçar-me. Poderás de novo possuir-me, poderás de novo olhar-me, mergulhares no azul dos olhos que ganharão de novo vida e dizeres-me, enquanto te afundas no azulado oceânico: amar-te-ei sempre. Eu também o farei. Por isso, partirei um dia em busca de todas as estrelas que terão todas o teu nome. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto de &lt;a href=""&gt;Inapto&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114126432006922510?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114126432006922510/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114126432006922510' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114126432006922510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114126432006922510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/03/sei-l_02.html' title='Sei lá'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114083406606057658</id><published>2006-02-25T02:21:00.000Z</published><updated>2006-02-25T02:21:06.103Z</updated><title type='text'>a saudade impossível</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/103994183/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/35/103994183_14a958f4bc.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/103994183/"&gt;a saudade impossível&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Encontrei uma vez o Zeca Afonso á beira mar na Ilha da Armona, em frente à Fuzeta, a dar conselhos sobre a preservação da flora rasteira que nessa altura ainda defendia o extenso areal. À noite, o espectáculo dos microorganismos que se transformavam em miríades de pirilamos no rasto das pegadas na areia e dos barcos de pescadores rente á praia, e a chuva de estrelas cadentes, permanece na memória daquele céu, ao som da sua voz inesquecível que se calou há 19 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nas palavras dum poeta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Diz-se de alguns homens, que foram por si próprios condenados ao deserto. Não só a viver nele, como a contemplá-lo até à cegueira, lugar fundo onde o Divino, o Pensamento, os impelia a destilar luz e trevas de novo. Uma vez completa a operação sobre a fronteira dos mundos, deserto algum temeriam mais esses homens, para a eternidade. Haviam, eles próprios, sido um Génesis. Haviam sido um Princípio. &lt;br /&gt;Transformaram-se em grãos de areia.&lt;br /&gt;Esse, descontados os naturais delírios da imaginação humana, seria, dizia-se, o significado verdadeiro da Iniciação. &lt;br /&gt;Diz-se também que ainda hoje erram pelo deserto alguns desses homens. Que, como outrora, contemplam sem esperança o seu próprio vazio. E que, de quando em vez, como que para mitigar a sua solidão, dizem uns, ou para lhes reforçar a perseverança, segundo outros, um certo vento se ergue e lhes fala. &lt;br /&gt;Exorta-os a caminhar e a nenhum deserto temer. Que não há homens nem desertos. Nem luz, nem trevas. &lt;br /&gt;Nem princípio, nem fim.&lt;br /&gt;Só vento."&lt;br /&gt;..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui ainda é noite, mas aí já é dia.&lt;br /&gt;Há silêncio lá fora.&lt;br /&gt;As árvores da cidade estão cansadas,&lt;br /&gt;o tempo urge,&lt;br /&gt;a memória renasce.&lt;br /&gt;Tocam-se belas melodias&lt;br /&gt;de mãos desafinadas,&lt;br /&gt;procurando objectivos,&lt;br /&gt;nos voos, nos sentidos&lt;br /&gt;em asas cortadas.&lt;br /&gt;O caos espreita, sorrindo&lt;br /&gt;à beira do telhado.&lt;br /&gt;O circulo retoma-se,límpido&lt;br /&gt;na ordem sem piedade&lt;br /&gt;e o sentido perde-se&lt;br /&gt;nas árvores cansadas da cidade.&lt;br /&gt;É no peso das árvores que sustenho&lt;br /&gt;a curva do meu corpo,&lt;br /&gt;e o sentido dele.&lt;br /&gt;É quando nasce o dia&lt;br /&gt;na alma, em que a noite&lt;br /&gt;me tece e me impele.&lt;br /&gt;É nestes dias sufocantes&lt;br /&gt;de caos mirabolantes&lt;br /&gt;que o sentido me tolhe.&lt;br /&gt;É nestes dias que a verdade&lt;br /&gt;me sopra ao ouvido,&lt;br /&gt;sussurra, e me agarra&lt;br /&gt;e me afasta e me acolhe.&lt;br /&gt;E subitamente&lt;br /&gt;perco-me no sentido de outrora,&lt;br /&gt;e vejo-me na memória&lt;br /&gt;das árvores cansadas da cidade.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114083406606057658?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114083406606057658/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114083406606057658' title='44 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114083406606057658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114083406606057658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/02/saudade-impossvel.html' title='a saudade impossível'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>44</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114057491289515953</id><published>2006-02-22T02:21:00.000Z</published><updated>2006-02-22T02:21:52.936Z</updated><title type='text'>Os volúveis diademas</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/102838264/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/38/102838264_363d243834.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/102838264/"&gt;Os volúveis diademas&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	"Gostosamente tenso e grosso&lt;br /&gt;é o cilindro cálido e fremente&lt;br /&gt;que ela acaricia e aperta &lt;br /&gt;nas finas mãos voluptuosas&lt;br /&gt;como chamas de seda ágeis e vibrantes.&lt;br /&gt;O que era o sonho do seu corpo,&lt;br /&gt;o seu ébrio desejo&lt;br /&gt;que em violentas crispações a devastava&lt;br /&gt;ou em lânguidas imagens fulgurantes&lt;br /&gt;os seus olhos febris alucinava,&lt;br /&gt;estava ali verticalmente vivo&lt;br /&gt;na espessura de caule incandescente&lt;br /&gt;e numa vibração de chama sólida.&lt;br /&gt;Não resistiu a beijar suavemente&lt;br /&gt;em sucessivos beijos titilantes&lt;br /&gt;a sua redonda corola com uma fenda&lt;br /&gt;de minúscula nascente.&lt;br /&gt;Como desejaria lambê-lo, sugá-lo, sorver-lhe&lt;br /&gt;avidamente&lt;br /&gt;a cálida seiva transbordante.&lt;br /&gt;Mas não, agora não, seria para depois&lt;br /&gt;de se entregar, de pertencer inteira&lt;br /&gt;àquele que lhe pertencia inteiramente.&lt;br /&gt;Mas antes de unir o corpo dela ao seu&lt;br /&gt;sopesou-lhe nas palmas &lt;br /&gt;as engelhadas bolsas &lt;br /&gt;que, pendentes e longas&lt;br /&gt;continham os grandes óvulos melindrosos.&lt;br /&gt;Depois pousou a cabeça &lt;br /&gt;no ventre do amante&lt;br /&gt;num abandono de orgulho glorioso.&lt;br /&gt;E por fim, na incandescente urgência do desejo,&lt;br /&gt;enlaçou voluptuosamente o homem &lt;br /&gt;que a esperava&lt;br /&gt;e as fontes da energia brotaram turbulentas&lt;br /&gt;em avassaladoras ondas convulsivas&lt;br /&gt;que derrubavam todas as portas interiores.&lt;br /&gt;Na sua pequena gruta ávida e fremente&lt;br /&gt;o que ela desejara em sonhos e acordada&lt;br /&gt;penetrava-a teso e rubro&lt;br /&gt;e o mundo flutuava&lt;br /&gt;sob uma abóbada vermelha de veludo.&lt;br /&gt;O insustentável gozo cedia&lt;br /&gt;a outro gozo&lt;br /&gt;e o júbilo e a voluptuosa &lt;br /&gt;agonia de onda em onda&lt;br /&gt;inundavam as sombras subterrâneas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poema de António Ramos Rosa&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114057491289515953?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114057491289515953/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114057491289515953' title='38 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114057491289515953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114057491289515953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/02/os-volveis-diademas.html' title='Os volúveis diademas'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>38</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-114014631730180942</id><published>2006-02-17T03:18:00.000Z</published><updated>2006-02-17T03:18:37.360Z</updated><title type='text'>Um dia luminoso</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/100283185/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/24/100283185_5d3c449c63.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/100283185/"&gt;Telheiro02&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	-  Chuac&lt;br /&gt;-  Chuac&lt;br /&gt;-  Gosto de ti. Queres ver o puto?&lt;br /&gt;-  Quero. &lt;br /&gt;-  http://www......./teste.php&lt;br /&gt;-  Ele é tão bonito.&lt;br /&gt;-  Vê a segunda página. EU SOU O PAI! hehwhhww.... E essas fotos já estão desactualizadas.&lt;br /&gt;-  Não restam dúvidas, é tão parecido contigo.&lt;br /&gt;-  É tão.... ahg.... é BONITO.&lt;br /&gt;-  Nisso estou de acordo.&lt;br /&gt;-  Vês têm uns 12 dias..... se tanto. Agora.... falta TUUUDO..&lt;br /&gt; - Saber "voar".&lt;br /&gt;-  Saber DUVIDAR!&lt;br /&gt;-  Saber acreditar.... dar, receber, ser , estar, animar, ludibriar, entusiasmar, crescer, ser (outra vez!), e.... e....&lt;br /&gt;-  E...&lt;br /&gt;- Não tenho nenhum outro jogo em que apostar, este vale tudo. Tudo. É "meu". Tem uma "virtude": Ao contrário do que é costume.... "sou dele".&lt;br /&gt;- És dele.&lt;br /&gt;- Somos "parentes".... AMIGOS! PAI E FILHO?.... Somos... somos boa gente&lt;br /&gt;- És boa gente, o primeiro e o último num conjunto infinito.&lt;br /&gt;- Tu inundas de luz qualquer sítio por onde passas.... nunca tinhas reparado que eu sou o "esfomeado de algo que valha a pena"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequenas histórias do dia a dia, subindo degraus de esperança em leves flocos que partilhamos.&lt;br /&gt;Como estas palavras deslumbrantes de alguém que muito admiro. &lt;br /&gt;É apenas uma poesia, mas quem ousará desmenti-la? Tem a força de todas as palavras que gostaria de escrever agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se eu ainda puder sentir o amor,&lt;br /&gt;se ainda sobrar entre o céu e a terra&lt;br /&gt;um trovão que mo traga,&lt;br /&gt;eu quero que ele seja como&lt;br /&gt;uma figura de cera parada que dorme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que é difícil encontrar&lt;br /&gt;figuras de cera que dormem&lt;br /&gt;mas há dias em que das velas&lt;br /&gt;pende esse milagre.&lt;br /&gt;Por isso, se ainda puder sentir o amor,&lt;br /&gt;quero que a paz que ele costuma dar&lt;br /&gt;se verta devagarinho,&lt;br /&gt;como se sobrasse da vela que arde&lt;br /&gt;no lugar das estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando penso nisso&lt;br /&gt;faço por não pensar em mais nada&lt;br /&gt;para assim o poder atrair.&lt;br /&gt;Penso só que prefiro o amor à justiça.&lt;br /&gt;Não sei se o prefiro com o coração&lt;br /&gt;ou com a cabeça.&lt;br /&gt;Faço por não pensar nisso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As minhas histórias que não são minhas são como bocados de luz que me permitem Ver o instante. O dia, se for feito desse instante em movimento, é um dia luminoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse Alburneo, autor deste poema, numa entrevista efectuada em Março de 2004 a propósito do seu livro A Primeira Pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A poesia pode contra a morte e o frio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia não pode. Só o Amor pode. Ele é a inversão do espelho, da Roma da Morte e do Frio".&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-114014631730180942?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/114014631730180942/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=114014631730180942' title='54 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114014631730180942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/114014631730180942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/02/um-dia-luminoso.html' title='Um dia luminoso'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>54</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113980767161117884</id><published>2006-02-13T05:14:00.000Z</published><updated>2006-02-13T05:14:31.650Z</updated><title type='text'>asta la vista, baby</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/99043658/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/24/99043658_0cfabc217e.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/99043658/"&gt;CAYNIVA5&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Uma coisa é a palavra escrita e outra bem distinta é a palavra límpida, clara, a palavra para o mundo. Qual a diferença? Não vemos o que pensamos antes de escrever mas também é certo que alcançamos a transmissão do que pensamos quando a letra deixa de ser a nossa caligrafia. &lt;br /&gt;Entre esses dois passos vai uma grande mudança, mais funda do que a forma, mais de ninguém...mais de todos...&lt;br /&gt;É quando a palavra se liberta e quando voa, sem destino, sem pergaminhos.&lt;br /&gt;É quando se ousa ser palavra, asas, sonho, magia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que tardas, meu anjo!" seguida de um convite sedutor: "oh! vem comigo./Serei teu, serás minha.."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Por que é que tremeste? Não eram meus lábios .../Beijava-te apenas . . ./Teu laço de fita." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma cena de amor: "Eu quero teu olhar de áureos fulgores"..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Meu Deus! ... Só eu compreendo as harmonias /De tua alma sublime ... as melodias/Que tens no coração./Vem! Serei teu poeta, teu amante .../Vamos sonhar no leito delirante/No templo da paixão."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volúpia", "sangue", "ardente", "leito", "seio", "morro", "desfaço-te"..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sofrimento da amada a respeito do constante abandono, como se vê: "Partindo eu disse .. 'Voltarei! &lt;br /&gt;... descansa! ... / Ela, chorando mais que uma criança, / Ela em soluços murmurou-me: 'adeus!'". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É o ser que eu busquei do sul ao norte ... / Por quem meu peito em sonhos desespera ? ..Quem és tu ? &lt;br /&gt;Quem és tu ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias em que o destino &lt;br /&gt;não tem cor.&lt;br /&gt;As horas passam-nos por dentro&lt;br /&gt;e nem desejos, &lt;br /&gt;nem pensamentos,&lt;br /&gt;nem nada nos estremece, &lt;br /&gt;nos agita.&lt;br /&gt;Percebemos que estamos sós,&lt;br /&gt;inquietantemente sós,&lt;br /&gt;desacompanhados,&lt;br /&gt;tristemente desacompanhados.&lt;br /&gt;É nestes dias &lt;br /&gt;que o futuro se estilhaça&lt;br /&gt;numa palavra vã, &lt;br /&gt;numa palavra fágil,&lt;br /&gt;ambígua e solitária.&lt;br /&gt;Sentimos que os outros&lt;br /&gt;estão do lado de lá&lt;br /&gt;e que aquilo que lhes acontece,&lt;br /&gt;nada tem a ver connosco.&lt;br /&gt;E que o destino &lt;br /&gt;vai ser aquilo que pudermos.&lt;br /&gt;Ou que quisermos.&lt;br /&gt;Ou nem sequer destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agostinho da Silva falava 15 linguas e dois dialectos africanos.&lt;br /&gt;Nasceu no Porto a 13 de Fevereiro de 1906.&lt;br /&gt;Apenas palavras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Especialmente para si, com acompanhamento musical da orquestra da Felicidade, da Paz e da Harmonia, mediante arranjo musical dos Il Divo (oh yesssss) letra deste lado, foto da minha amiga Ana (oh Ana...).&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113980767161117884?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113980767161117884/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113980767161117884' title='42 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113980767161117884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113980767161117884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/02/asta-la-vista-baby_13.html' title='asta la vista, baby'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>42</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113963556582657921</id><published>2006-02-11T05:26:00.000Z</published><updated>2006-02-11T05:26:05.930Z</updated><title type='text'>Reflexos </title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/98090688/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/25/98090688_582e804dfc.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/98090688/"&gt;Reflexos&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	És brilhante. &lt;br /&gt;Possuis uma inteligência laminada,&lt;br /&gt;serena, concreta, mas amável.&lt;br /&gt;Uma inteligência, digamos, &lt;br /&gt;bastante ágil.&lt;br /&gt;Tens um pouco do malandro de Lisboa&lt;br /&gt;ou de outro sítio qualquer,&lt;br /&gt;maldito, bendito, espertalhão.&lt;br /&gt;Gostas das mulheres, de as seduzir,&lt;br /&gt;de as confundir.&lt;br /&gt;És vaidoso. És muito vaidoso.&lt;br /&gt;Tens a palavra fácil, o gesto certo&lt;br /&gt;e o sorriso terno dos garotos&lt;br /&gt;a quem se perdoam as maldades.&lt;br /&gt;És, resumindo, uma feira de vaidades.&lt;br /&gt;Estás convencido do que dizes &lt;br /&gt;e de que és lúcido.&lt;br /&gt;És de esquerda, o que te dá &lt;br /&gt;um certo estilo,&lt;br /&gt;que me perdoem os outros,&lt;br /&gt;e não levam a mal.&lt;br /&gt;Mas gostas de viver &lt;br /&gt;como um aristocrata,&lt;br /&gt;como um marquês, de palácio a cair&lt;br /&gt;aos bocados.&lt;br /&gt;Também és ateu, o que te dá um sopro de raridade&lt;br /&gt;de quem não tem dúvidas misticas&lt;br /&gt;ou miticas&lt;br /&gt;ou metafísicas.&lt;br /&gt;Sobrevives em paixões difíceis&lt;br /&gt;por mulheres impossíveis&lt;br /&gt;e gostas de saltar de cama em cama,&lt;br /&gt;sempre muito bem acompanhado.&lt;br /&gt;Por tudo isto, &lt;br /&gt;ou por algumas destas coisas,&lt;br /&gt;haverá quem ache&lt;br /&gt;que não devias ter nascido,&lt;br /&gt;pois não faz falta a nada quem perturba&lt;br /&gt;aquilo que já está estabelecido.&lt;br /&gt;Tens assim um destino igual a zero&lt;br /&gt;e volátil como um perfume barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas fiz este poema para ti,&lt;br /&gt;porque sei que, aqui e ali,&lt;br /&gt;dizem de ti estas coisas,&lt;br /&gt;quem nada tem, nem a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou fi-lo também, talvez,&lt;br /&gt;porque ao fim e ao cabo&lt;br /&gt;há quem te ame de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paro aqui para descansar e vou sonhar com A Branca de Neve, a Bela Adormecida e a Gata Borralheira a &lt;br /&gt;tomar banho juntas numa banheira cheia de água morna e sais de banho...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113963556582657921?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113963556582657921/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113963556582657921' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113963556582657921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113963556582657921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/02/reflexos.html' title='Reflexos '/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113934823352795586</id><published>2006-02-07T21:32:00.000Z</published><updated>2006-02-08T23:06:47.863Z</updated><title type='text'>Nem às paredes confesso</title><content type='html'>Vou responder ao desafio. Deve ser um efeito colateral deste esforço para deixar de fumar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então aqui vai a resposta ao desafio da &lt;a href="http://doutroladodomar.blogspot.com/"&gt;Agatha&lt;/a&gt; e do Alexandre Sousa, do &lt;a href="http://gregueria.blogspot.com"&gt;Gregueria&lt;/a&gt;, que é também do &lt;a href="http://ascartasperdidas.blogspot.com/"&gt;Cartas Perdidas&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao som imaginário do "Nem às paredes confesso":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Odeio levantar-me cedo apesar da sorte que sempre tive em morar relativamente perto dos lugares onde estudei e tenho trabalhado. Para castigo, o primeiro foi em frente dum cemitério e a 50 metros do local de trabalho, mas 3 meses depois arranjei casa num sítio que me obrigava a calcorrear montes e vales. Foi nessa altura que comprei uma vaca a meias com o senhor Nunes e passava horas com ela. &lt;br /&gt;Mais tarde vendi a minha parte ao senhor Nunes, quando me vim embora. Ainda tenho fotos dela e fiquei com a mania das vacas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. A primeira e única vez que comi arroz de lampreia, que pelos vistos é uma maravilha,jurei para nunca mais. É a única coisa de que não gosto, tirando nabos e enguias depois de as ver vivas e a contorcerem-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Um dia encontrei um caracol a subir pela parede da casa de banho e ele esteve a morar lá uns dias. Acompanhei o seu crescimento e a sua fuga para a liberdade. Nunca comi um caracol, vá-se lá saber a razão desta mania...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Na primeira vez que vim a Lisboa aos 5 anos, levaram-me a percorrer o aqueduto das Águas Livres e aquilo era tão alto, tão alto que desde aí tenho a mania dos abismos e alturas, e faço tristes figuras e agarro-me a qualquer coisa que esteja mais á mão, salvo seja, quando estou em sítios altos.&lt;br /&gt;Uma vez, numa das parcas viagens ao estrangeiro, ao subir uma vereda com degraus para aceder a um miradouro altissimo, atraquei-me a um alemão com unhas e dentes e rastejei com ele até lá acima, ouvindo-o dizer compadecidamente... meine frau... meine frau, se não estou em erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Devo ser a única pessoa que não viu cair neve em Lisboa, e passei tempos infinitos a responder à pergunta "viste a neve?" com um soturno " NÃO, não vi neve nenhuma!", até que desisti e disse que era uma neve muito linda, bués de linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã se me virem aqui não sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convido os meus amigos Klepsidra, Henrique, Travessa Larga, Ana e António, do &lt;a href="http://eusoulouco.blogspot.com/"&gt;Eu sou Louco.&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre gostava de os ver mas duvido...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113934823352795586?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113934823352795586/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113934823352795586' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113934823352795586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113934823352795586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/02/nem-s-paredes-confesso.html' title='Nem às paredes confesso'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113911241711002616</id><published>2006-02-05T04:06:00.000Z</published><updated>2006-02-08T23:20:04.753Z</updated><title type='text'>A suave equidade</title><content type='html'>&lt;div class="flickr-frame"&gt;&lt;a title="photo sharing" href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/95597086/"&gt;&lt;img class="flickr-photo" alt="" src="http://static.flickr.com/30/95597086_071f9085ef.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/95597086/"&gt;A suave equidade&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Acórdão do Tribunal da Relação de Guimarães&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nº do Documento: RG &lt;br /&gt;Data do Acordão: 10-01-2005&lt;br /&gt;Votação: UNANIMIDADE&lt;br /&gt;Privacidade: 1&lt;br /&gt;Meio Processual: RECURSO PENAL&lt;br /&gt;Decisão: IMPROCEDENTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"a violência é um flagelo que põe em causa o próprio cerne da vida em sociedade e a dignidade da pessoa humana..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A violência é um acto essencialmente genético, comum a todos os seres vivos, mas apesar de duras evidências de sinal contrário, também neste aspecto as sociedades tendem a evoluir positivamente, e a busca de uma sociedade perfeita vem já desde Platão e passou por Kant, Hegel, Rousseau e Marx (e também, de certa forma, pelo absurdo, por Kafka), mas como se vê ainda não foi atingida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sociedade actual está muito longe de poder ser considerada aceitável, notando-se uma enorme disfunção entre a realidade e o sentimento social dominante, não se negando que neste momento existe uma profunda crise de valores, com causas e efeitos ainda indeterminados, apesar dos homens continuarem a procurar por várias formas novos caminhos, agora cada vez mais globais e globalizantes que os conduzirão, se não à meta desejada, pelo menos a melhores formas de sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sociedade vai surgindo na sua contingência, no seu risco de desagregação, o que tudo nos conduz a um sentido de responsabilidade diferente – um sentido de responsabilidade mais ético, incidindo sobre o equilíbrio da natureza, a vida, o amanhã do Homem, o destino da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a par da crise, das contradições, das incertezas, abrem-se continentes de perspectivas, paradigmas inéditos que na criatividade e na responsabilidade importa descobrir e desenvolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, a crise pode ser fonte de renovação e estímulo à busca de um novo contrato social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O principal motor da renovação são as novas gerações, a quem há que conceder e incutir esperança, pois segundo Neto de Carvalho, Direito, Biologia e Sociedades, 29, "...de facto, nessa altura (na adolescência), existe uma grande receptividade à novidade, à aceitação de novas situações, à integração em outros sistemas de acção".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que a juventude seja fautora de agitação e de instabilidade em todas as épocas, mesmo quando mais tarde volte a ajustar-se e a cristalizar dentro dos sistemas tradicionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É este o ciclo da vida, e do Universo, se se quiser, cumprindo-se, um dia, a profecia de Osho, segundo a qual a guerra (só) desaparecerá quando existirem muitas pessoas que são lagos de paz, silêncio e compreensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As sensibilidades actuais, que timidamente se vão mostrando (mesmo em diplomas de cariz ostensivamente político), mais não são do que a consequência da sedimentação dos actos históricos do Homem e, afinal, o indicador positivo de uma constante revolução de mentalidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos Tribunais cabe espelhar a sensibilidade social e defender os bens jurídicos, morigerando as mentalidades, nem que seja, como é o caso, e no respeito pela lei, com recurso à privação da liberdade de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes acontece ler-se algo de belo nos acórdãos judiciais.. mesmo sabendo-se aque não existe uma justiça absoluta, universal, perfeita e divina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só um áspero Direito ... com a sua suave equidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto de Carlos Romão&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113911241711002616?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113911241711002616/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113911241711002616' title='45 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113911241711002616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113911241711002616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/02/suave-equidade.html' title='A suave equidade'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>45</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113858893357984048</id><published>2006-01-30T02:31:00.000Z</published><updated>2006-01-30T02:42:13.646Z</updated><title type='text'>Xeque-mate</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/marostica2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/320/marostica2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sabes jogar xadrez? &lt;br /&gt;No xadrez todas as peças podem capturar todas as peças adversárias, com excepção do Rei que não pode ser capturado.&lt;br /&gt;Cada partida de xadrez inicia-se com um aperto de mão e normalmente há dois jogadores. Cada um deles dispõe de 16 peças todas da mesma cor (brancas ou pretas), que se movem em lances sucessivos de acordo com regras próprias sobre um tabuleiro de 64 quadrados. A intenção final da partida é capturar o rei adversário. Xeque-mate.&lt;br /&gt;Talvez não saibas.&lt;br /&gt;Eu sei jogar xadrez desde os 5 anos. Mas a referência ao jogo é só para ilustrar o seguinte: não faças bluff, como se faz em jogos de cartas. Nas cartas, não vemos o jogo do adversário. No xadrez é diferente, pois todo o jogo está à vista de toda a gente, entendes?&lt;br /&gt;O que não está à vista é a técnica de cada jogador. No xadrez existem as manobras de diversão que servem para afastar a atenção do local onde se vai realizar o xeque-mate.&lt;br /&gt;Isto para te dizer que sei muito mais sobre ti do que tu imaginas. Tal como na alegoria do xadrez, entendes? &lt;br /&gt;Sim, talvez saibas. Como no xadrez, só se aprende com as derrotas. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Comovi-me contigo, com a perpexidade causada por um problema que afinal não existia. Mas se a tua história teve o espantoso mérito de não ser ela mesma a experiência viva do que descreveste, seria um erro menosprezar-te enquanto escritora de blogs.&lt;br /&gt;Não, não és apenas uma galeria de sombras empenhadas na abstracção de um projecto metafísico, tens valor, és impiedosa, escreves para o acontecimento mediático &lt;br /&gt;E reconheço que serias uma boa jornalista de um pasquim qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade - como dizes - que geralmente se quisermos utilizar uma terminologia banal, aqui "não acontece nada," a não ser o acontecimento de um improvável e incorporal diálogo, como o que tive contigo. E que mais querias que acontecesse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amiga,&lt;br /&gt;se um dia me acontecer&lt;br /&gt;qualquer coisa,&lt;br /&gt;estou contigo.&lt;br /&gt;Na pausa declinante do amor,&lt;br /&gt;na flor aberta,&lt;br /&gt;na dor escondida no meio da tua vida.&lt;br /&gt;Mas cuidado&lt;br /&gt;que a vida é para valer&lt;br /&gt;e não é o espaço que tu pensas&lt;br /&gt;de ti para nunca mais.&lt;br /&gt;Quando for assim, amiga,&lt;br /&gt;nunca mais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vai então lá fora e sobe aos telhados, especula, pensa e comunica. Podes ficcionar com mais imaginação, dispensar pechisbeques de fingimentons e girândolas de fogo-fátuo, e deixar de vender palavras a metro e frases a retalho. Levantas muitas questões e não tenho respostas. Só uma: o caminho do meio, como diz o budismo, certamente é o mais indicado.&lt;br /&gt;Tens muitos sítios, de política, de ciência, de história, de cidadania, de poesia, ou sem tema específico. Tudo pode ser um espaço de conhecimento e aprendizagem, ou um simples espaço onde o possível e o real, a amizade e o amor, o sexo e a ausência de sexo, a presença e a ausência, a morte e vida, se tornem transparentes, comunicáveis, transbordantes e divinos. &lt;br /&gt;És inteligente e talvez não precises de aprender a jogar xadrez, basta estares atenta e perto, tão perto. No xadrez um peão pode mover-se duas casas de uma vez se o seu objectivo for capturar outro peão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tens jeito, inscreve-te no Sindicato dos Jornalistas e exibe a tua carteira profissional.E não te esqueças de ler bem o Código Deontológico que é a base de qualquer profissão liberal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113858893357984048?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113858893357984048/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113858893357984048' title='56 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113858893357984048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113858893357984048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/01/xeque-mate.html' title='Xeque-mate'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>56</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113807316901432705</id><published>2006-01-24T03:26:00.000Z</published><updated>2006-01-24T03:26:09.053Z</updated><title type='text'>Poema da madrugada</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/90491808/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/33/90491808_3e701ba65f.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/90491808/"&gt;Poema da madrugada&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	"Um pouco mais de sol - eu era brasa. Um pouco mais de azul - eu era além".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As idéias são iguais a partículas que se movimentam, são combinações de cores, músicas de infinitas combinações. Tudo está inventado. O que mais surpreende por isso não é a "banalidade" das idéias mas o facto de algumas delas conseguirem superar a banalidade. E é este mecanismo de escolha que me intriga. &lt;br /&gt;O que faz com que uma idéia deixe de ser banal? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta-me esta sensação de calor,&lt;br /&gt;de calor,&lt;br /&gt;de que se faz tarde ou cedo&lt;br /&gt;sem saber para quê.&lt;br /&gt;Faz agora sentido esta minha vida,&lt;br /&gt;oh meu doce, meu terno,&lt;br /&gt;meu maravilhoso amor.&lt;br /&gt;Será que existes &lt;br /&gt;ou és uma criação elaborada&lt;br /&gt;por um gene apaixonado,&lt;br /&gt;saído da microcirurgia que me faço&lt;br /&gt;para me sentir feliz?&lt;br /&gt;Serás um segredo ou uma palavra aberta?&lt;br /&gt;Serás molde ou uma estátua completa?&lt;br /&gt;Eu sei que é tarde&lt;br /&gt;e que a neblina me envolve&lt;br /&gt;lentamente.&lt;br /&gt;Esfumam-se as imagens,&lt;br /&gt;perco-lhes os contornos.&lt;br /&gt;De coloridos tornam-se &lt;br /&gt;cinzentas e brancas.&lt;br /&gt;Restam-me os contrastes, &lt;br /&gt;que curiosamente se afinam.&lt;br /&gt;Vejo agora melhor do que penso.&lt;br /&gt;Vejo aquele dia, por exemplo,&lt;br /&gt;em que acontecerá &lt;br /&gt;qualquer coisa entre tu e eu.&lt;br /&gt;E é essa irresistível vantagem&lt;br /&gt;que me faz viver e olhar, &lt;br /&gt;quanto mais não seja&lt;br /&gt;para a cor da minha pele e da tua pele.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113807316901432705?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113807316901432705/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113807316901432705' title='59 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113807316901432705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113807316901432705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/01/poema-da-madrugada.html' title='Poema da madrugada'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>59</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113754764936843382</id><published>2006-01-18T01:11:00.000Z</published><updated>2006-01-18T01:27:29.430Z</updated><title type='text'>Poema</title><content type='html'>A pouco e pouco,&lt;br /&gt;um pouco lentamente obscurece o dia.&lt;br /&gt;É como se uma sinfonia se gastasse&lt;br /&gt;de tanto ser ouvida.&lt;br /&gt;Com o crespúsculo, vem uma ansiedade&lt;br /&gt;que tem a ver com o outro dia&lt;br /&gt;e de novo,&lt;br /&gt;um outro fim de tarde de agonia.&lt;br /&gt;Solenemente quando venho para casa,&lt;br /&gt;as árvores avisam-me que estão nuas&lt;br /&gt;e que os meus pensamentos estão despidos&lt;br /&gt;e não põem cores nas faces de ninguém.&lt;br /&gt;Chove oblíquamente no asfalto um tanto reluzente&lt;br /&gt;da luz que me vão dando os candeeiros.&lt;br /&gt;Em casa está frio ou muito calor,&lt;br /&gt;se puseram há muito tempo a funcionar&lt;br /&gt;os metálicos aparelhos de aquecer&lt;br /&gt;ou as lareiras com lenha para arder.&lt;br /&gt;O jantar tanto faz. É para comer.&lt;br /&gt;O que importa, o que é preciso,&lt;br /&gt;com urgência,&lt;br /&gt;é arranjar qualquer coisa para fazer.&lt;br /&gt;Para fazer de conta que estamos a viver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113754764936843382?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113754764936843382/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113754764936843382' title='52 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113754764936843382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113754764936843382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/01/poema.html' title='Poema'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>52</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113729223295971147</id><published>2006-01-15T02:30:00.000Z</published><updated>2006-01-15T02:30:33.050Z</updated><title type='text'>À procura de Nemo </title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/lupan/83471028/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/39/83471028_fc673f54f2.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/lupan/83471028/"&gt;À procura de Nemo 4&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/lupan/"&gt;lupan59&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Reencontrei Maquiavel no fundo da estante de baixo, impávido como sempre e bradando que os fins justificam os meios e que as razões de Estado devem impor-se a qualquer custo. Não percebi muito bem a sua súbita fúria quando lhe peguei na lombada já gasta, ouvindo-o explicar que a questão não está em usar a violência mas em saber usá-la na intensidade certa e no momento oportuno.&lt;br /&gt;Foi por isso que a intolerância tomou a forma de lutas ideológicas,formas mais ou menos subtis de intolerância política, religiosa, cultural, étnica e sexual? Não, diz ele, isso foram os outros.&lt;br /&gt;Foram os outros que inventaram essas novas formas de inquisição em "nome de deus", em nome da economia dos países, em nome dum Império.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois telefonei-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era sábado e estávamos por aí e jantámos num restaurante de comida portuguesa, já que estamos em &lt;br /&gt;Portugal, embora pudesse ser tailandês, e bebemos uma garrafa de vinho tinto. Estávamos apenas um pouquinho "quentes". Deu-me um beijo em cada olho, beijou-me suavemente os lábios enquanto sorríamos repletos de perversa cumplicidade. Acabámos de beber o vinho e conversámos &lt;br /&gt;descontraidamente. Propus-lhe irmos a uma discoteca. Aceitou divertido e saímos do restaurante. &lt;br /&gt;Andámos na rua de mão dada uns cem metros. Chamou um táxi. Sentámo-nos no banco de trás. Dei-lhe um beijo toda debruçada sobre si fazendo-o sentir o meu corpo.&lt;br /&gt;Entrámos na discoteca. Estava cheia até à porta,house music misturada com rock. Pediu um gin para mim e um dry-martini (gosta disso?) para si. Bebêmo-los quase de um trago e fomos dançar... &lt;br /&gt;Ao nosso lado uma morena enorme beijava um rapaz louro, imberbe, de olhos azuis e cheirando intensamente a Van Cleef &amp; Arppels enquanto se roçavam ao som da música prendendo-se com força pelas ancas. O rapaz loiro disse para ela, em inglês, "Let’s go to the dark room."&lt;br /&gt;Virou-me para si, ri-me, deu-me um enorme beijo na bochecha e disse-me "Vamos atrás deles."&lt;br /&gt;Entrámos no tal dark-room.Enquanto a porta se abria distinguimos sombras abraçadas, em posições estranhas. Viam-se as pontas dos cigarros acesas. A música era tão alta lá dentro como cá fora. Às apalpadelas descobrimos uns bancos altos arrumados contra a parede.&lt;br /&gt;Beijámo-nos...recompusemo-nos...Voltámos à sala.&lt;br /&gt;Tínhamos uma sede tremenda. Pedimos duas Heinnecken (só gosto dessa) com limão. Saboreámos a cerveja com o braço em redor do outro. Pousei o copo no balcão e olhei para si com ar malicioso e entre risos &lt;br /&gt;disse-lhe: "Vamos para o hotel".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei pelo colarinho de Maquiavel, uma edição antiga comprada na feira do livro de 1978, e coloquei-o na parte de cima da estante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristo estava reunido com os discípulos na última ceia: hoc est corpus meum. Isto é o meu corpo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113729223295971147?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113729223295971147/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113729223295971147' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113729223295971147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113729223295971147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/01/procura-de-nemo.html' title='À procura de Nemo '/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113674514121880843</id><published>2006-01-08T18:32:00.000Z</published><updated>2006-02-08T23:42:20.240Z</updated><title type='text'>O amor infinito de Pedro e Inês</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt; &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/83927941/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/42/83927941_d261005636.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/83927941/"&gt;O amor infinito de Pedro e Inês&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;    &lt;p class="flickr-yourcomment"&gt; "A loucura bateu-me à porta numa manhã de Janeiro. Dia 7 do mês. No ano que tem dois cincos, de 1355. &lt;br /&gt;Terminação aziaga. Foi nesse dia que morreu Inês.&lt;br /&gt;A loucura trazia flores murchas e notícias de mortes e imagens de amores passados.&lt;br /&gt;Tinha nome de vida inconformada e lembrança de um amor infinito que me ligou a mim, Pedro de Portugal, a D. Inês, a do colo de garça.&lt;br /&gt;Trazia memórias de Inês e pregões de motivos injustiçados pela sua morte. Desde aí fui justo, sisudo e louco ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Não sei se se ama alguém com loucura, ou se se ama a loucura por motivo de alguém.&lt;br /&gt;De repente, num dia certo, no meio daquela larga rua da vida, deixa de saber-se onde se está, nem o que se é ou quem.&lt;br /&gt;E fica-se preso à fixidez branca de uma ideia imóvel, feita memória perene.&lt;br /&gt;A voz começou-me a deslizar em ruínas sob a minha gaguez. Roía-me o pensamento, estorvado de exprimir-se.&lt;br /&gt;Quem é que morreu no dia em que morreste, Inês?&lt;br /&gt;A vida somos sempre nós e mais ninguém. Mas quando um morre, todos morrem. Sobrevivem apenas pedaços, &lt;br /&gt;desencontrando-se no caminho interrompido.&lt;br /&gt;O vento faz o seu caminho e o apaga na passagem.&lt;br /&gt;Só o homem tem sempre vontade de voltar ao impossível.&lt;br /&gt;(...)"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que começa um magnífico livro de Luís Rosa, O Amor Infinito de Pedro e Inês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez na verdade existam amores infinitos, amores difíceis, extremos amores, intrínsecos amores. Amor do meu coração perene como o brilho das estrelas que já lá não estão, amores liquefazendo-se no tempo dos fios entrelaçados duma teia, no braço tatuado "amor de mãe", amor dai-me e libertai-me da "lei da morte", dai-me.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E vós, Tágides minhas, (...) &lt;br /&gt;Dai-me (...) &lt;br /&gt;Dai-me (...) &lt;br /&gt;Dai-me (...) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez exista o amor infinito, não o amor puro e casto das cantigas dos trovadores, não o desejo carnal nem o amor-paixão na sua forma mais extremada, o amor de Jesus Cristo crucificado por amor ao mundo, nem o amor de Eva seduzida, nem sequer o amor impossível pois se é impossível não conta para coisa nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o amor infinito seja apenas uma forma de aproximar o universo da fascinante dimensão do amor. Existe porque sim. &lt;br /&gt;Não é a mesma coisa do que fotografar William Shakespeare à conversa com a Judite de Sousa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito que desisti de procurar explicações sobre a metafísica do mundo do amor. Desde os tempos em que encontrei Alberto Caeiro a guardar rebanhos, prefiro chamar a Deus flores e árvores e montes e sol e luar e mais e mais, e é por isso que acredito no amor infinito, pois é assim que ele quer que eu o conheça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No instante da sua existência no Big Bang do seu nascimento o amor infinito não tem código, nacionalidade, raça, fronteiras, não tem lugar marcado nem vem no dicionário, nem faz parte da lista dos direitos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor infinito é assim uma coisa frágil. E cai subitamente como um estalar dos dedos dentro do coração do Homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto de Carlos Romão&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113674514121880843?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113674514121880843/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113674514121880843' title='55 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113674514121880843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113674514121880843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/01/o-amor-infinito-de-pedro-e-ins_08.html' title='O amor infinito de Pedro e Inês'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>55</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113610201793883021</id><published>2006-01-01T07:53:00.000Z</published><updated>2006-01-01T07:53:37.973Z</updated><title type='text'>Regresa a mi</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/80090557/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/43/80090557_fe1eb17193.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/80090557/"&gt;Regresa a mi&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Não há longe nem distância, nem final nem recomeço.&lt;br /&gt;Tudo é uno, eterno, como o pó das estrelas de que somos feitos.&lt;br /&gt;No primeiro instante de um novo ano e  após o soar da última badalada da meia noite, que haja esperança num mundo melhor, num mundo mais justo e mais solidário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na possibilidade de ser o que ainda não se é, e no vivo segredo do prazer de ser, e na fénix que renasce em cada um de nós...surgirá um raio cintilante de renovação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o sonho é uma constante da vida...&lt;br /&gt;Porque a vida precisa de ser sonhada...&lt;br /&gt;Porque a esperança deve ser renovada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque seremos capazes de resplandecer no obscuro fundo da retina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regresa a mi. &lt;br /&gt;Dime que si, yo no quiero lhorar.&lt;br /&gt;no me abandones asi.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113610201793883021?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113610201793883021/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113610201793883021' title='63 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113610201793883021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113610201793883021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2006/01/regresa-mi_113610201793883021.html' title='Regresa a mi'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>63</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113521473049326047</id><published>2005-12-22T01:09:00.000Z</published><updated>2005-12-23T13:41:16.576Z</updated><title type='text'>Os cinco sentidos</title><content type='html'>&lt;img src="http://galerias.escritacomluz.com/cromao/albums/CidadeSurpreendente/akr.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhares são muitos, pode-se dizer. O olhar tem consistências, tons, aromas, receitas antigas, o olhar improvisa, aproveita, o olhar desconcerta. Há o olhar apaixonado que se entrega e brilha, um olhar inocente e um olhar culpado, um olhar que se derrama, um olhar inteiro e outro metade, um olhar fragmentado, dividido, feito impossibilidade, um olhar sem encontro, um olhar compartilhado. Um olhar que submete e outro que liberta, um olhar de horizonte e um olhar possível, há um olhar de outono, um olhar ventoso, olhar de fogo, olhar de primavera, um olhar de setembro, pássaro de uma ilha distante.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E há ainda a respiração sábia, premente, súbita, pausada, alterando tempos, acelerando, interrompendo a cadência (o que é isto? Que foi que se passou?) mudando o ritmo, na incerteza, uma dúvida, um sobressalto, espanta-te (sim!), escuta: olha os tons harmoniosos, o perfume de lavanda, o olhar da erva, o olhar da pele. Respira pausadamente, isto é o contar histórias, é hipótese, é jogo, é uma coisa, é todas as coisas, a vida, a seiva de qualquer erva que tritura ossos, engole desgostos e possui os espaços que se afirmam para além de qualquer distância.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E o sabor. O sabor que era amargo mas se tornou doce, o sabor que era doce e ainda mais doce ficou. Do café ao chocolate quente, o sabor a doce que me perseguiu do tejo ao castelo dos mouros, o sabor que percorri só para o saborear, para me vangloriar de o ter saboreado, doce ou amargo, como do dia para a noite, com um frio amargo, mas com um doce na boca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabor doce, amadurecido, que se respira sempre com o mesmo olhar de quem observa a curva do tempo que ao passar permanece naquilo que ficou em nós, saboreando longamente o que se observa, vendo sempre mais além do aparenta, deliciando-se com a pura realidade interior de cada ser complexo. E é este travo de vida que me fica no olhar e sustém a respiração, e é este o aroma que enlouquece, que me embala a respiração e me põe no olhar um brilho cheio de esperança.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há a pele. A pele a arrepiar de susto, a ficar vermelha de vergonha, a pele que sua de medo, a pele do acne, da queda de cabelo, a pele da celulite, a pele da cor, dos sentimentos, dos arquétipos e dos desejos. A pele da aproximação, a pele quente e do contato, do toque e do carinho, a pele do distanciamento e da discriminação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No doce e tímido ouvido, puxa-se a orelha, tem-se as orelhas a arder, há também a orelha em pé, ou com a pulga atrás da orelha, há o espírito santo de orelha, o entrar por um ouvido e sair por outro, há as paredes que têm ouvidos, há que dar ouvidos, há que ter bom ouvido, dor de ouvido e outras similares, e entre a melodia, a harmonia e o ritmo, o som de bater de palmas no ritmo do coração em repouso - o que é que isso quer dizer? O ritmo é algo que está no sangue , na música batendo no tímpano, música do clarinete e da guitarra, do rock e do adagietto de gustav mahler e das cinco estações de vivaldi, o som dos decibéis em forma de vibrações nas avenidas, o choro da criança mal amada, o respirar intranquilo duma mulher sem abrigo, o tilintar da água na fontana di trevi, o trovejar das armas ceifando vidas, o som lugubre da sala de execuções num país sem deveres, Hiroxima mon amour.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E o equilíbrio, esse filho pródigo que nunca entra nas estatísticas e que transforma em seis os cinco sentidos que são afinal seis, mas não vale a pena mudar o título, pois não? "Cinco sentidos" é mais interessante, soa bem e os três mosqueteiros que eram três eram afinal quatro, e ninguém reclamou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hei-de encontrar um dia uma nuvem de pequenas borboletas brancas a esvoaçar à procura do equilíbrio, irei todas as semanas a uma agência de emprego temporário e perguntarei se há alguma vaga disponível para o equilíbrio, para alguém com o meu perfil profissional (sorriso sarcástico), que tenha um trabalho, um equilíbrio que não resvale para o desiquíbrio das emoções.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E se é verdade não existem realmente afrodisíacos para os sentidos, que são afinal seis (eram cinco, não eram?) e que estes são apenas fruto da nossa imaginação luxuriante, todas as receitas serão estimulantes, não pelos ingredientes, não pelos poderes misteriosos de um licor ou de uma essência ou dum candomblé qualquer, mas sim pelo poder mais forte que nos é dado conhecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O poder num Natal sem poluição, sem violência, sem racismo, sem guerras, em que os homens e mulheres independentemente do sexo, da cor, do país de nascimento, da religião, da inteligência, de credos políticos e ideológicos se dessem as mãos como amigos, como irmãos, como iguais, sem armas químicas, bacteriológicas, atómicas, sem gente dormindo nas ruas, debaixo dos viadutos, nos bancos dos jardins.&lt;br /&gt;Um Natal com mágicos poderes, um Natal impossível, utópico, imaginário, com energias alternativas, com Serviço Nacional de Saúde tendencialmente gratuito, sim sim, tendencialmente, e no fim do Natal o simples início de outro &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;"sentir tudo de todas as maneiras,&lt;br /&gt;viver tudo de todos os lados,&lt;br /&gt;ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,&lt;br /&gt;realizar em si toda a humanidade de todos os momentos&lt;br /&gt;num só momento difuso, profuso, completo e longínquo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já agora, como é o seu olhar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Poema de Fernando Pessoa. Fotografia de Carlos Romão.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113521473049326047?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113521473049326047/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113521473049326047' title='58 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113521473049326047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113521473049326047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/12/os-cinco-sentidos.html' title='Os cinco sentidos'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>58</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113410542377476557</id><published>2005-12-09T05:17:00.000Z</published><updated>2005-12-10T10:36:14.343Z</updated><title type='text'>... e foram felizes para sempre</title><content type='html'>&lt;div class="flickr-frame"&gt;&lt;a title="photo sharing" href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/71681969/"&gt;&lt;img class="flickr-photo" alt="" src="http://static.flickr.com/35/71681969_da68f3f0b1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/71681969/"&gt;Douro- carlos romão-lazuli&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;"Numa quente tarde de Verão, estava Alice a dormir deitada na relva, ao lado da irmã que lia encostada a uma árvore, quando de repente viu um coelho a correr, com um grande relógio de ouro na mão e a gritar: «Já vou atrasado!» Cheia de curiosidade, Alice seguiu-o.&lt;br /&gt;O coelho enfiou-se numa toca. Alice, que ia atrás, teve a impressão de cair até ao fundo de um poço.&lt;br /&gt;Mas viu-se numa grande sala com muitas portas fechadas e uma mesa de vidro. Uma pequenina porta que dera passagem ao coelho acabava de fechar-se. Alice espreitou pela fechadura e viu um magnífico jardim".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu não existes. O tempo não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei-me devagar e fitei-o bem no fundo dos olhos e ele não desviou a vista, ofereceu-se inteiro como quem abre um livro diante de mim, e vi então agitar-se naquelas profundezas alguma coisa brilhante como a esperança — de quê, meu Deus!, nem eu própria o poderia dizer jamais -, tão recôndita e cintilante, tão secreta, tão acrisolada no fundo daquela alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tacteei o seu olhar, à maneira dos que se perdem na escuridão em busca do verdadeiro caminho, sem querer explicar os argumentos que tornam prováveis as nossas esperanças, tal como fez Colombo que, antes da sua maravilhosa navegação pelo oceano Atlântico, expôs as razões que o levaram a confiar na descoberta de novas terras e continentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tacteei a sua alma, na sua intrínseca bondade, à procura da resposta inexistente sobre o tempo que já existia antes do nosso tempo, sobre a memória do futuro, sobre o passado do presente.&lt;br /&gt;E se ficasse comprovada a inexistência do tempo, o relógio seria como um instrumento de navegação no instante, e a prova da existência desse instante, o instante em que te encontrei. O agora. Axis Mundi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizes-me que o passado é tão real quanto um agora, que somos pessoas diferentes a cada instante, e que a nossa consciência é parte dessa seta do tempo em que vários "agoras" são num único instante.&lt;br /&gt;Somos prisioneiros do agora em que vivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tempo me desenha a tua fisionomia?&lt;br /&gt;Que tempo me liga à vida,a ti, às alegrias, às tristezas, às interrogações, aos outros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diz o poeta Drummond de Andrade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que pode uma criatura senão,&lt;br /&gt;entre criaturas, amar?&lt;br /&gt;amar e esquecer,&lt;br /&gt;amar e malamar,&lt;br /&gt;amar, desamar, amar?&lt;br /&gt;sempre, e até de olhos vidrados, amar?&lt;br /&gt;.....&lt;br /&gt;Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura&lt;br /&gt;nossa&lt;br /&gt;amar a água implícita, e o beijo tácito,&lt;br /&gt;e a sede&lt;br /&gt;infinita".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o ser que eu busquei no tempo do sul ao norte do tempo... Por quem meu peito em sonhos desespera ... Quem és ...&lt;br /&gt;..Tu ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perder-me na imensidão do tempo para retornar ao espaço-tempo presente e descobrir que em ti há tanto aroma... há tanta vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o acordar? Como seria o após, o despertar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Podia-me dizer por favor, qual é o caminho para sair daqui? - Perguntou Alice.&lt;br /&gt;- Isso depende muito do lugar para onde você quer ir. - disse o Gato.&lt;br /&gt;- Não me importa muito onde... - disse Alice.&lt;br /&gt;- Nesse caso não importa por onde você vá. - Disse o Gato.&lt;br /&gt;- ...contanto que eu chegue a algum lugar. - acrescentou Alice como explicação.&lt;br /&gt;- É claro que isso acontecerá. - Disse o Gato - desde que você ande durante algum tempo".&lt;/p&gt;&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113410542377476557?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113410542377476557/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113410542377476557' title='81 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113410542377476557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113410542377476557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/12/e-foram-felizes-para-sempre_09.html' title='... e foram felizes para sempre'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>81</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113350393471700270</id><published>2005-12-02T05:20:00.000Z</published><updated>2005-12-02T06:12:14.776Z</updated><title type='text'>Contacto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/Peixe.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/320/Peixe.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; O espaço, essa entidade omnipresente que nos rodeia e do qual somos parte indissociável; desde as quatro paredes onde repousamos, alimentamo-nos, trabalhamos, divertimo-nos, até ao mais vasto campo de horizontes a perder de vista; o espaço como o universo  que nos envolve, palpável ou apreensível através das nossas sensações, emoções. O espaço, tudo o que vemos e apreendemos quando a luz que se lhe incide nos dá a visão que temos dele e do que ele contém. Em todas as nossas manifestações, de alegria ou de tristeza, o espaço está presente, envolvendo-nos e abraçando-nos para o melhor e para o pior.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há espaços que são esquivos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Raramente os encontramos de propósito. Vêem-se melhor pelo canto do olho. Uma bonita surpresa que surge repentinamente  quando se está a olhar para outro sítio. Outros são exactamente o oposto. Deslumbrantes, suficientemente brilhantes para projectar sombras ténues, prendem a nossa atenção de forma hipnótica e não se consegue tirar os olhos deles. Que mal tem que uma maioria admire as obras de uma minoria? Que mal tem que nós façamos parte dessa maioria? Pela admiração daqueles que nos são superiores na imaginação, na técnica, na arte..&lt;br /&gt;A admiração, a noção da distância que nos separa do que nos causa espanto é motor de desenvolvimento. O gosto de admirar um espaço, suspendê-lo com o olhar. E o olhar suspende  o desejo; aquilo que os franceses chamam o "voyeur" é afinal um homem ou mulher normais que se distinguem, se marginalizam, pelo isolamento de certas fases ou processos de contacto com o outro? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Olhar o espaço. Olhar-te, a ti, absolutamente outro. Sobretudo da memória futura, e já sem medos: penetrar nos teus lábios, enfim. No espaço tecido de absurdos, equívocos, paradoxos, reclama-se de ti um espaço que se constrói com a própria vida, nu e luminoso, o desejo de uma nova realidade e ainda o desejo de sair da realidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas isto já tem que ver com a memória, o desejo e um novo olhar sobre as coisas. Eu vejo-te e suspendo o meu desejo, tu és o desconhecido que se senta à minha frente no comboio. E aqui, algo deprimida, hesito entre continuar a escrever ou correr à estante a buscar, sei lá, o Cesário Verde.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acordei com uma dor de cabeça, uma espécie de zunido aproximadamente na área do lobo parietal esquerdo e creio que tive uns sonhos muito fantasiosos.  Já lavei os dentes mas ainda não bebi o meu café forte. Também não li os jornais da manhã, e tirando tudo isso veio-me à ideia o espaço de árvores, rochas, céu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E principalmente as cores da beleza dum quadro do Bruno Santos. A que devo esta aparição? Ao espaço..o espaço infinito que me acordou na sua rota desconhecida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As Plêiades são uma ninhada de estrelas e Vénus é 600 vezes mais brilhante que Alcyone, a estrela mais luminosa nas Plêiades. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há escolha possível? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;That’s the point.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113350393471700270?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113350393471700270/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113350393471700270' title='48 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113350393471700270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113350393471700270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/12/contacto_02.html' title='Contacto'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>48</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113272357993212854</id><published>2005-11-23T05:26:00.000Z</published><updated>2005-12-10T10:41:09.593Z</updated><title type='text'>Visita a  Antoine</title><content type='html'>&lt;div class="flickr-frame"&gt;&lt;a title="photo sharing" href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/66061068/"&gt;&lt;img class="flickr-photo" alt="" src="http://static.flickr.com/24/66061068_da93612d7f.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/66061068/"&gt;Quinta da Regaleira&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;Diz-se que não há realmente Arte, que apenas existem artistas; e independentemente da relatividade de conceitos e das teorias e práticas, cada um sente dentro de si as razões que o levam a gostar dum quadro, duma música, dum desenho, dum livro, duma catedral gótica, algo que sinta como "arte", algo que o leva a partir à descoberta da sua tremenda sinceridade.&lt;br /&gt;Como se vissemos o mundo pela primeira vez, sem saber se a relva é efectivamente verde, e se o céu tem efectivamente aquelas tonalidades de azul, parte-se à descoberta de sentimentos, sem hábitos e preconceitos, viaja-se em diferentes dimensões do tempo e do espaço. Somos cativados ardentemente e ardentemente queremos cativar.&lt;br /&gt;Terei que ver Cristo sempre da mesma maneira, de preferência deitado na manjedoura com os três reis magos ou pregado na cruz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Por favor... cativa-me!&lt;br /&gt;- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.&lt;br /&gt;- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa nenhuma. Compram tudo pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!&lt;br /&gt;- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.&lt;br /&gt;- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E assim se celebrizou o verbo cativar, “apprivoiser” no original, tão difícil de conseguir como de traduzir).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a beleza duma obra não reside realmente no seu tema, se a arte não é apenas a recriação da beleza de acordo com os gostos e padrões de cada época, se a arte não é apenas um quadro com anjinhos a tocar alaúde, que significa?&lt;br /&gt;Muitos tratados se escreveram, muitos métodos se ensinaram, haverá sempre muito caminho a percorrer e nada se esgotará nos quadros de Caravaggio nem no sorriso aprisionado da Mona Lisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto que a emoção é parte da razão, e é na emoção que mora o motivo porque olho tão intensamente este desenho e ciosamente o possuo neste momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estaria inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.&lt;br /&gt;- Que é um rito? perguntou o principezinho.&lt;br /&gt;- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nome da segurança e das ideias convencionais, teremos que ver um anjo e um santo, um homem e uma mulher, com o aspecto que deveriam ter, distantes, dependurados em paredes ou encurralados em museus, metidos em Tês uns e outros Tês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foram feitos para serem vistos, disputados, fazendo soltar olhos em vez de soltar línguas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah! Eu vou chorar.&lt;br /&gt;- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu&lt;br /&gt;te cativasse...&lt;br /&gt;- Quis, disse a raposa.&lt;br /&gt;- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.&lt;br /&gt;- Vou, disse a raposa.&lt;br /&gt;- Então não sais a lucrar nada.&lt;br /&gt;- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho para aquele desenho, mais uma vez. Procuro descobrir o que é real e o que é imagem.&lt;br /&gt;Mas não sei decifrar a sua arte, e muito menos sei se ela existe ou não. Só interessa a sua beleza, sem perceber as técnicas da sua geometria e das suas sombras. Interessa gostar. As técnicas do desenho são importantes como os ritos, mas não são o mais importante. Há alturas em que devemos arriscar gostar, mesmo sem os ritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso entender tudo para se gostar, pois não?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113272357993212854?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113272357993212854/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113272357993212854' title='79 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113272357993212854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113272357993212854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/11/visita-antoine.html' title='Visita a  Antoine'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>79</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113194508759796865</id><published>2005-11-14T05:11:00.000Z</published><updated>2005-11-14T05:11:27.623Z</updated><title type='text'>os limites do absurdo</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/63089225/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/33/63089225_3565530504.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/63089225/"&gt;caos&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	A ilusão compensa os defeitos da realidade. Mas em 1610, Galileu apontou com o seu telescópio para o céu. Sabias que as estrelas para lá do nosso sol estão a afastar-se para &lt;br /&gt;fora no sentido do limite, e que algumas estrelas próximas estão a afastar-se  para o centro do hipotético bib bang? &lt;br /&gt;Qual o pulsar do universo, finito e curvo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não tinha olhos senão para aquela rapariga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevia-lhe como um cronista do amor, da felicidade, da tristeza, da revolta, da esperança, da fé, da descrença, do pessimismo, da angústia, da melancolia, da felicidade.&lt;br /&gt;Escrevia-lhe na rapsódia frondosa de amores nocturnos, no corpo dos adeuses. Saudade e rio, poesia e mar, um arco-íris de emoções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não eras tu emanação e reflexo do céu? Porquê não ousaste, pois, volver os olhos para o fundo abismo do meu amor? Verias que esse amor do poeta é maior que o de nenhum homem; porque é imenso, como o ideal, que ele compreende; eterno, como o seu nome, que nunca perece". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevia-lhe sem os espinhos da vaidade – essa planta tão daninha e maléfica aos valores da arte, em especial da poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nuvens não são esferas, as montanhas não são cubos e a luz não viaja segundo uma linha recta. O universo não é regular, é uma geometria do quebrado, retorcido, enredado. O mundo, como tu, é uma irregularidade regular. E com algumas limitações, as pequenas tempestades &lt;br /&gt;são semelhantes às grandes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele olhou-a como na primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consumiu-se de amor por ela, só ela, só ela..&lt;br /&gt;E ela consumiu-se de amor por ele, só ele, só ele..&lt;br /&gt;Só eles, só eles, só eles...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo na verdade saber como descrever nuvens. A maravilhosa promessa da Terra é a de que existem coisas belas, maravilhosas e fascinantes, e a nossa missão é compreendê-las. Como aos teus quadros, como aos teus versos, como a ti. Como a nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poisei o cigarro, e o fumo elevou-se numa linha recta e depois em elos quebrados que rodopiam em direcção ao tecto. Oiço The Best, sem saber quem são. The Best, simplesmente &lt;br /&gt;Uma coisa qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele disse-lhe amor amo-te, de repente. Beijou-a. Alexandra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual o verdadeiro aspecto do objecto natural? Um físico quer fazer medidas, mas o que há para medir nestas imagens em movimento, de mistura, desordem, &lt;br /&gt;acaso,sim-não-sim-não-sim-não-sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos prever o regresso do cometa Halley, quando o Sol terá os seus períodos de expansão e de contracção, quando as marés terão o seu fluxo e refluxo.&lt;br /&gt;Podemos ser astrólogos e quiromantes, sábios e antropólogos, músicos e poetas. Mas existem mais coisas na terra e no céu do que as nossas filosofias podem conceber. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No infinito. Zona de captura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele olhou-a mais intensamente. Olharam-se. Deixei de lado o livro, pousei-o ali e olhei-os. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não os vi, tinham desaparecido numa curva infinita do tempo finito, que não consegui acompanhar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sei que voltarão, vindos do nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não tinha olhos senão para aquela rapariga.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113194508759796865?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113194508759796865/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113194508759796865' title='70 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113194508759796865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113194508759796865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/11/os-limites-do-absurdo_113194508759796865.html' title='os limites do absurdo'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>70</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113132355154206967</id><published>2005-11-07T00:32:00.000Z</published><updated>2005-11-07T00:32:31.576Z</updated><title type='text'>Outono</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/60610609/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/28/60610609_21e96d4105.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/60610609/"&gt;Foto de Carlos Romão&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Hoje, fim de tarde, Lisboa. É Novembro. Lisboa ao pôr do sol, algures perto do Castelo de São Jorge. Encontrei à tarde o rosto da manhã, água absoluta.&lt;br /&gt;Nesta visão do entardecer, numa cidade que amo.&lt;br /&gt;Slipery slope...&lt;br /&gt;De onde estará mais longe a poesia do que dos livros de versos?&lt;br /&gt;Lá longe está o mar alto e a ilha amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;........&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O crepúsculo, símbolo estreitamente ligado à ideia do Ocidente, a direcção onde o sol se põe, se apaga e morre, exprime o fim dum ciclo e, consequentemente, a preparação duma &lt;br /&gt;renovação. Os grandes feitos mitológicos, que foram prelúdio de uma revolução cósmica, social ou moral, realizam-se no decurso de uma viagem para o Ocidente(...). O crepúsculo é &lt;br /&gt;uma imagem espácio-temporal: o instante suspenso. O espaço e o tempo vão soçobrar ao mesmo tempo no outro mundo e na outra noite. Mas esta morte de um é anunciadora do outro; um novo &lt;br /&gt;espaço e um novo tempo suceder-se-ão aos antigos. A marcha para o Oeste é a marcha para o futuro, mas através das transformações tenebrosas. Para lá da noite esperam-se novas auroras.&lt;br /&gt;O crepúsculo reveste-se, também para si mesmo, e simboliza, da beleza nostálgica dum declínio e do passado. É a imagem e a hora da melancolia e da nostalgia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In "Dicionário dos Símbolos", de Jean Chevalier e Alain Gbeerbrant.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto do blog A Cidade Surpreendente&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113132355154206967?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113132355154206967/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113132355154206967' title='79 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113132355154206967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113132355154206967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/11/outono.html' title='Outono'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>79</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113125792524284196</id><published>2005-11-06T06:18:00.000Z</published><updated>2005-11-06T06:18:45.266Z</updated><title type='text'>Vozes na noite</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/60287360/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/27/60287360_7e87c457fd.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/60287360/"&gt;Vozes na noite&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	&lt;br /&gt;Escutemos hoje a voz dos poetas, porque ela exprime o “sentimento do mundo”, o sentimento da velhice e da juventude, da grandeza e da pequenez dos seres humanos e mortais.&lt;br /&gt;Mas os poetas também exprimem o sentimento de que o mundo é feito de mudanças e repetições intermináveis,e de renovação constante, de permanente metamorfose, de constante refluir. É &lt;br /&gt;também a águia que voa mais alto, que sobe à montanha e abraça o mundo. O poeta é Florbela nas suas asas de condor, é Ovídio que escreveu "não há coisa alguma que persista em todo o &lt;br /&gt;Universo. Tudo flui, e tudo só apresenta uma imagem passageira. O próprio tempo passa com um movimento contínuo, como um rio... O que foi antes já não é, o que não tinha sido é, e todo instante é uma coisa nova.."&lt;br /&gt;Escutaremos também a voz dos politicos, descendentes em segunda mão dos gregos que inventaram a política (palavra que vem de polis, que significa cidade organizada por leis e instituições), e as suas ilusões, e sobretudo criaram a idéia da lei e da justiça como expressões da vontade &lt;br /&gt;colectiva pública e não como imposição da vontade de um só, ou de um grupo.&lt;br /&gt;E transformaram em medicina - o conhecimento racional sobre o corpo humano, a saúde e a doença - aquilo que eram práticas de grupos religiosos para a cura misteriosa das doenças. &lt;br /&gt;E assim por diante..etc e tal.&lt;br /&gt;Mesmo que o tema da politica não integre, neste momento de divagação nocturna, uma situação de força maior, por falta dos caracteres da imprevisibilidade e da inevitabilidade (vis cui resisti non potest..)&lt;br /&gt;E voltemos então aos poetas.&lt;br /&gt;A noite é o paraíso do poeta, quando na noite flutuam as suas palavras de magia, de encanto ou de desespero, de amor ou desamor.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"Quando abro a cada manhã a janela do meu quarto&lt;br /&gt;É como se abrisse o mesmo livro&lt;br /&gt;Numa página nova..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escutaremos a voz dos não poetas, dos prosadores, dos contadores de histórias, dos tímidos suaves de contornos etéreos, dos humoristas e dos cantores. A voz dos valentes Dom Quixote, das mulheres e homens com alma e de disfarçado coração.&lt;br /&gt;Vozes que vão e vêm, retratos de vida, vozes que são "flashes" que nos fascinam, vozes meigas, doces, duras, vozes sussurradas, gritadas, zangadas, alegres, murmuradas, enfeitiçadas, livres, doridas, felizes, cansadas.&lt;br /&gt;Escutaremos as vozes que apaixonam, que encantam, que ensinam, que nos transportam para mundos passados e futuros, que acompanham o sempre eterno presente. &lt;br /&gt;Vozes simples, não rebuscadas, não complicadas, vozes complicadas, rebuscadas, carentes, vozes da nossa &lt;br /&gt;humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subo à noite á minha montanha mágica, abraço as vozes desconhecidas, distantes de mim e tão próximas, tão próximas..tão próximas..Voo sobre elas num voo rasante, asas, vento, desejo, &lt;br /&gt;tempestade, gosto de ti e de ti também, leio-te em surdina, leio-te em silêncio, leio-te com admiração, com estupefacção, com paixão, com saudade, não, não te vás embora, fica comigo esta noite, irónico, sarcástico, misterioso, inacessível na tua acessibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vozes companheiras, ligeiras, matreiras. Vozes únicas, com sotaque. Estrangeiras, passageiras. Palavras e  letras do acaso, um acaso que se quer, por ser acaso, por serem &lt;br /&gt;tuas..&lt;br /&gt;E porque são tuas, apenas por acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A noite chega com todos os seus rebanhos&lt;br /&gt;Uma cidade amadurece nas vertentes do crepúsculo&lt;br /&gt;Há um íman que nos atrai &lt;br /&gt;para o interior da montanha.&lt;br /&gt;Os navios deslizam nos estuários do vento.&lt;br /&gt;Alguma coisa ascende de uma região negra.&lt;br /&gt;Alguém escreve sobre os espelhos da sombra.&lt;br /&gt;A passageira da noite vacila &lt;br /&gt;como um ser silencioso.&lt;br /&gt;O último pássaro calou-se.As estrelas acenderam-se.&lt;br /&gt;As ondas adormeceram com as cores e as imagens.&lt;br /&gt;As portas subterrâneas têm perfumes silvestres.&lt;br /&gt;Que sedosa e fluida é a água desta noite!&lt;br /&gt;Dir-se-ia que as pedras entendem os meus passos.&lt;br /&gt;Alguém me habita como uma árvore ou um planeta.&lt;br /&gt;Estou perto e estou longe no coração do mundo." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Ramos Rosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foto de A.S.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113125792524284196?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113125792524284196/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113125792524284196' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113125792524284196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113125792524284196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/11/vozes-na-noite_06.html' title='Vozes na noite'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113072000774333165</id><published>2005-10-31T00:23:00.000Z</published><updated>2005-10-31T00:53:27.796Z</updated><title type='text'>Sobre o que é um Blog</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/BelaseAssustadoras(Maria)10.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/400/BelaseAssustadoras%28Maria%2910.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É altura de nada dizer, e transcrever um texto belo, de luzes e sombras, de suaves tonalidades e cores intensas, de um fascinante equilíbrio entre o vazio e a plenitude. Escrevo-o ao ritmo da respiração. Escrevo-o porque desejei tê-lo escrito, nessas palavras misteriosamente cálidas, entre o olhar e o ser. Sobre o que é um Blog.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“O teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Brandas, as brisas brincam nas flâmulas, teu sorriso...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e o teu sorriso no teu silêncio é as escadas e as andas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;com que me finjo mais alto e ao pé de qualquer paraíso.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pessoa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui dentro, dentro destes versos que transcrevi de memória,&lt;br /&gt;que, aliás, tenho sempre na memória, está o Milagre do mundo.&lt;br /&gt;Não fosse por mais, isso atestaria haver milagres, embora este em&lt;br /&gt;particular pertença a uma casta altíssima, na própria hierarquia&lt;br /&gt;dos imortais.&lt;br /&gt;Não é incomum acharmos em palavras sussurradas, ou mesmo em&lt;br /&gt;ínfimos toques ou discretos sinais, o lugar repentino do Tempo&lt;br /&gt;absoluto, aquele sítio que todos intuímos como esfera e que na&lt;br /&gt;intuição que nos deixa ver deposita uma alegre certeza de&lt;br /&gt;plenitude. Isso pode acontecer, por exemplo, quando insistimos&lt;br /&gt;em guardar segredo sobre aquilo em que toda a gente fala. Quando&lt;br /&gt;nos opomos, pela ausência, à profanação do mínimo, do&lt;br /&gt;despercebido, investindo o corpo e a alma no mais insignificante&lt;br /&gt;gesto, procurando nele a origem dos múltiplos milagres que fazem&lt;br /&gt;a passagem das horas. O silêncio, nesse caso, é uma espécie de&lt;br /&gt;reunião entre nós e a nossa projecção no milagre, uma forma de&lt;br /&gt;fuga ao Tempo transitório, inquietantemente finito. É a expressão&lt;br /&gt;de um amor incompreensível que nos liga e separa&lt;br /&gt;simultaneamente do mundo. Um amor incompreensível, que não&lt;br /&gt;incompreendido. Um amor sem correspondência possível, que&lt;br /&gt;vive em absoluta e egoísta autonomia, inamovível do seu centro,&lt;br /&gt;tal a magnitude de energia que veicula. Que uma coisa vivida&lt;br /&gt;assim não pode ser amor, protesto. Que o amor implica uma troca,&lt;br /&gt;um fluxo e refluxo, que obriga à participação e à permuta. Mas&lt;br /&gt;esse é outro amor que não aquele que incha as velas. Esse é outro&lt;br /&gt;que não o que impele verdadeiramente a nau sem destino para a&lt;br /&gt;visão do Tempo absoluto.&lt;br /&gt;Quando insistimos em guardar segredo sobre o que vai na boca do&lt;br /&gt;mundo, quando pela boca do mundo vão mundos que nos são&lt;br /&gt;estranhos como a morte, cumprimos o papel de testemunhas do&lt;br /&gt;tempo e o silêncio que nos une a ele e à aparente vulgaridade das&lt;br /&gt;suas manifestações mais ínfimas, deixa-nos penetrar a solidão que&lt;br /&gt;nos perdeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://se-if.blogspot.com/"&gt;http://se-if.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113072000774333165?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113072000774333165/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113072000774333165' title='54 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113072000774333165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113072000774333165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/10/sobre-o-que-um-blog_31.html' title='Sobre o que é um Blog'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>54</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-113029497999476068</id><published>2005-10-26T03:49:00.000+01:00</published><updated>2005-10-26T03:49:40.110+01:00</updated><title type='text'>Faz-se tarde</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/54774476/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/28/54774476_07914ccfe0.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/54774476/"&gt;Tu&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Há palavras belas e divinas no retorno infinito da aparição e não aparição do infinito, há palavras que não são apenas belas no instante do aparecer e no instante de ir. Há palavras que se eternizam, palavras em luta pela palavra, uma luta com a palavra - e uma restrição da palavra. &lt;br /&gt;Qualquer coisa é dita, como uma tempestade. Porque é que foi dito isso, isso exactamente, isso e não outra coisa que teria sido possível dizer?  Ou escrever?&lt;br /&gt;Os poderes não incidem apenas sobre os corpos, mas também sobre as palavras. &lt;br /&gt;As palavras são também objecto do desejo, no murmúrio anónimo duma luta simultaneamente pelo poder e contra o poder da palavra. Palavras do interdito, da partilha, da razão e da vontade de verdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim ele falou, assim eu o ouvi falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a questão não está nas palavras mas sim em ti e em  mim, no que pode ser dito e no que pode ser dito de verdadeiro, no que pode ser dito de razoável seja qual for a sua natureza. &lt;br /&gt;Por um momento, as tuas palavras são um nimbo de cor que cresce e se espalha. Movem-se e entrelaçam-se, expandem-se e contraiem-se. Mudam com a velocidade do relâmpago e martelam &lt;br /&gt;silenciosas erupções coloridas nos olhos que te lêem, crescem num clamor glorioso com todos os instrumentos musicais desde o contrabaixo à viola, e paradoxalmente cada um soa com uma &lt;br /&gt;nitidez solitária. E das palavras vem o olhar e a sensação mais subtil do odor, um campo colorido, fragrâncias exóticas cada vez mais fortes em suaves bafejos de prazer, e vejo, oiço e cheiro as miragens de um cérebro em puras ondas de deleite.&lt;br /&gt;Por um momento, és tudo nas tuas palavras. E mesmo percebendo que não há palavras para as tuas palavras, e mesmo sabendo que não há conceito para interpretar a ilusão das tuas palavras, mesmo assim mergulho nelas como num universo desconhecido, sem limites, infinto na sua variedade, num horizonte distante que tarda na sua rápida explosão.&lt;br /&gt;Mesmo as mais belas e comoventes palavras ditas e trocadas no interior dos mais complexos mecanismos de restrição são apenas palavras na sua dissonância, são palavras e não são, simultaneamente. &lt;br /&gt;Por por um momento as tuas palavras não são só só rituais, sociedades de discurso, doutrinas e apropriações sociais, não são só um nimbo de cor que se espalha, não crescem num clamor, podem nem sequer ser as mais belas e comoventes palavras .&lt;br /&gt;Mas são as palavras que partilho contigo na mesma carruagem de um comboio sôfrego, com as suas cores e os seus sons e o seu júbilo, a sua melancolia e o seu sabor.&lt;br /&gt;Nas estradas que não vão dar a parte alguma, e mesmo assim são notáveis, e nas cidades que se isolam de tudo e que são capitais do mundo, as palavras dizem muito mais do que elas próprias. Elas são o sal da língua, como disse o poeta. O teu sal. São elas a aparecer - e não outras no seu lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sento-me em frente deste computador, deste papel branco&lt;br /&gt;desesperadamente em frente &lt;br /&gt;deste papel branco&lt;br /&gt;no qual possívelmente nada tenho para escrever&lt;br /&gt;e ao qual possívelmente nada tenho para dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho-o com uma certa raiva, feita de cansaço&lt;br /&gt;e não sei se lhe conte algumas das coisas que se passam&lt;br /&gt;ou algumas das coisas que me passam&lt;br /&gt;ou de uma ou duas coisas a teu respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um certo sortilégio na brancura&lt;br /&gt;desta folha à minha frente&lt;br /&gt;que me remete para a memória e&lt;br /&gt;para o presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo que possuí e que não tive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste sonho e destas lembranças ternas e agrestes, e de loucuras&lt;br /&gt;tento projectar-me&lt;br /&gt;como seta flutuante.&lt;br /&gt;E encaminhada aqui pelos sentidos&lt;br /&gt;e ali pelos desejos&lt;br /&gt;das tuas palavras&lt;br /&gt;parto-me.&lt;br /&gt;Seguramente, assim ao meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revolto os ares e aguardo &lt;br /&gt;que me sejam dados&lt;br /&gt;caminhos do sem fim.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-113029497999476068?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/113029497999476068/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=113029497999476068' title='47 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113029497999476068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/113029497999476068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/10/faz-se-tarde.html' title='Faz-se tarde'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>47</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112976583760751920</id><published>2005-10-20T00:50:00.000+01:00</published><updated>2005-10-20T00:50:37.663+01:00</updated><title type='text'>Sem querer querendo</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/54147719/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/31/54147719_927b5f1d86.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/54147719/"&gt;Sem querer querendo&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	“I Have a Dream”, de Martin Luther King, no Memorial Lincoln, em Washington, a 28 de Agosto de 1963.&lt;br /&gt;Um fá só pode ser um fá, um dó é um dó. Não pode ser saudade de ti, não pode ser alegria, só pode ser um fá ou um dó. Uma guitarra é uma guitarra não um murmúrio, só pode ser uma &lt;br /&gt;guitarra nunca um murmúrio.&lt;br /&gt;I have a dream ou melhor, tive. I have a dream de te ouvir, de te olhar. E nunca te ouvi.&lt;br /&gt;Então aonde quero chegar?&lt;br /&gt;A arte acabará, destruída pelos efeitos especiais? &lt;br /&gt;Como no sexo, só ficarão as emoções reproduzidas por computador: o belo, o sublime, o lírico, o trágico.&lt;br /&gt;Acabará o amor romântico? &lt;br /&gt;Serão fabricadas máquinas virtuais para a produção artificial de prazer e o desejo vai esvair-se por excesso de sexualização?&lt;br /&gt;Cada vez mais, a política será um espectáculo?&lt;br /&gt;O corpo humano vai mudando com os primeiro sinais no silicone, nos narizes decepados, nas clonagens, nas transformações genéticas. Os corpos vão evoluindo, aspirando à condição de &lt;br /&gt;"coisas". As orelhas vão tender para telemóveis, os braços para tentáculos vorazes, os olhos para telas de cristal liquido, e os cérebros para chips com bilhões de gigabytes.&lt;br /&gt;Por isso, sonho. &lt;br /&gt;Gosto de pensar que a inspiração não surge do acaso ou de fenómenos transcendentes ou de outros seres que povoam o nosso universo. Mas de coisas que nos acontecem todos os dias, que &lt;br /&gt;se observam e que estão à nossa volta à espera de serem observadas.  Quantos pensariam na lei da gravidade a partir da queda do fruto de uma árvore?&lt;br /&gt;I Have a Dream é extraordinário como discurso, belo como texto literário, empolgante como sermão e, mais importante, politicamente demolidor: as palavras proferidas naquele dia deram origem à Declaração dos Direitos Civis de 1964. No ano seguinte, em 1965, King foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os os sonhos não são utopias. És sonho no Pássaro de Fogo do tal russo e na Sagração da Primavera e Petruschka.&lt;br /&gt;E acredito. Mesmo que seja sem querer.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112976583760751920?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112976583760751920/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112976583760751920' title='46 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112976583760751920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112976583760751920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/10/sem-querer-querendo.html' title='Sem querer querendo'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>46</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112950730407888611</id><published>2005-10-17T01:01:00.000+01:00</published><updated>2005-10-17T01:01:44.143+01:00</updated><title type='text'>Pasion</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/53176641/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/27/53176641_0b9d964001.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/53176641/"&gt;Pasion&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Ocupas mais uma vez um espaço só teu e escreves sempre só para mim quando subitamente percebo que não sonhava, que estava acordada.&lt;br /&gt;Esta noite foi cheia de cólera e de paixão e saimos completamente transformados e diferentes e sem nenhum pensamento oculto e foi preciso muito tempo para abrir os olhos nesse momento espantoso que foi o meu despertar.&lt;br /&gt;Numa escuridão profunda, como não conhecera antes, ergui-me para recuperar a razão e então percebi que não sonhava, que estava acordada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da janela a luz real da claridada da manhã dava-me a imagem do teu perfil, sem coragem de me aproximar de ti, das tuas admiráveis mãos nervosas e violentas e suaves, das tuas palavras, dos teus olhos que me rejuvenescem como um céu picado de branco lá em cima onde as nuvens esvoaçam no azul do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terei sido alguma vez mais feliz no que fui neste momento do despertar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o desejo se sentou aí ao teu lado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentir o cheiro da terra e beber gota a gota o teu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mergulhar na tua alma nua e salgada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para arrancar de ti todas as dúvidas e amar-te pela primeira vez.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112950730407888611?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112950730407888611/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112950730407888611' title='47 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112950730407888611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112950730407888611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/10/pasion.html' title='Pasion'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>47</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112911070348560324</id><published>2005-10-12T10:51:00.000+01:00</published><updated>2005-10-12T14:46:10.576+01:00</updated><title type='text'>Tango</title><content type='html'>&lt;div class="flickr-frame"&gt;&lt;a title="photo sharing" href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/51394458/"&gt;&lt;img class="flickr-photo" alt="" src="http://static.flickr.com/31/51394458_c6c4fc66c3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/51394458/"&gt;tango&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;A música chegava aos meus ouvidos suavemente.&lt;br /&gt;O ritmo do tango ao longe despertou-me. Comecei a seguir o som dos violinos.&lt;br /&gt;O bandoneón com passado era um convite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mi libertad me ama&lt;br /&gt;y todo el ser le entrego.&lt;br /&gt;Mi libertad destranca la cárcel de mis huesos.&lt;br /&gt;Mi libertad se ofende si soy feliz con miedo.&lt;br /&gt;Mi libertad desnuda me hace el amor perfecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Danças comigo essa poesia? Nem precisamos de melodia. Vem dançar comigo, sem te perderes entre o sim e o não..Vem, agarra-me pela cintura e sai desse tormento, sem intervados, sem hiatos, numa noite infinita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dança comigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mi libertad me insiste con lo que no me atrevo.&lt;br /&gt;Mi libertad me quiere con lo que llevo puesto.&lt;br /&gt;Mi libertad me absuelve si alguna vez la pierdo&lt;br /&gt;por cosas de la vida que a comprender no acierto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só hoje, comigo este tango. Afasta a tristeza, o desespero, canta comigo a tua liberdade.&lt;br /&gt;É tudo simplesmente melodia. A única realidade é a dança, dançaremos juntos, rodopiaremos sem temor das nossas paixões malogradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mi libertad no cuenta los años que yo tengo,&lt;br /&gt;pastora inclaudicable de mis eternos sueños.&lt;br /&gt;Mi libertad me deja y soy un pobre espectro,&lt;br /&gt;mi libertad me llama y en trajes de alas vuelvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um corpo perdido sem saber em que tempo, numa esquina do tempo, num espaço vazio, numa vida diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mi libertad comprende que yo me sienta preso&lt;br /&gt;de los errores míos sin arrepentimiento.&lt;br /&gt;Mi libertad quisieran el astro sin asueto&lt;br /&gt;y el átomo cautivo, ser libre ¡qué misterio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como hei-de cantar o meu desejo?&lt;br /&gt;...como se estivesse ainda perdida num sonho assustador...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mi libertad es tango de par en par abierto&lt;br /&gt;y es blues y es danzón y romancero.&lt;br /&gt;Mi libertad es tango, juglar de pueblo en pueblo,&lt;br /&gt;y es murga y sinfonía y es coro en blanco y negro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...quando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mi libertad es tango que baila en diez mil puertos&lt;br /&gt;y es rock, malambo y salmo y es ópera y flamenco.&lt;br /&gt;Mi libertango es libre, poeta y callejero,&lt;br /&gt;tan viejo como el mundo, tan simple como un credo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112911070348560324?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112911070348560324/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112911070348560324' title='42 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112911070348560324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112911070348560324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/10/tango_12.html' title='Tango'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>42</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112874086669285421</id><published>2005-10-08T04:07:00.000+01:00</published><updated>2005-10-10T05:14:42.833+01:00</updated><title type='text'>A beleza assustadora</title><content type='html'>&lt;div class="flickr-frame"&gt;&lt;a title="photo sharing" href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/50379520/"&gt;&lt;img class="flickr-photo" alt="" src="http://static.flickr.com/25/50379520_48f1ef4b24.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/50379520/"&gt;A beleza assustadora&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;Volta-me esta sensação de vazio&lt;br /&gt;de frio, de que se faz tarde&lt;br /&gt;sem saber para quê&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que existes ou és uma criação elaborada&lt;br /&gt;por um gene apaixonado&lt;br /&gt;saido da microcirurgia que me faço&lt;br /&gt;para me sentir feliz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serás um segredo ou uma palavra aberta?&lt;br /&gt;Serás molde ou uma estátua completa?&lt;br /&gt;E vais servir para quê ou para quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para te verem?&lt;br /&gt;para te amarem e como?&lt;br /&gt;para seduzires?&lt;br /&gt;Para ninguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca me irei habituar a esta maneira de estar contigo?&lt;br /&gt;Tão terna e tão cruel&lt;br /&gt;tão só com tanta gente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que é tarde&lt;br /&gt;e a neblina me envolve&lt;br /&gt;lentamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esfumam-se as imagens&lt;br /&gt;perco-lhes os contornos&lt;br /&gt;De coloridas tornam-se&lt;br /&gt;cizentas e brancas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restam-me os contrates&lt;br /&gt;que curiosamente se afinam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo melhor agora do que penso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é esta irresistível vantagem&lt;br /&gt;que me faz viver e olhar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais não seja&lt;br /&gt;para a cor da minha pele e da tua pele&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112874086669285421?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112874086669285421/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112874086669285421' title='43 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112874086669285421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112874086669285421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/10/beleza-assustadora.html' title='A beleza assustadora'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>43</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112848650865939035</id><published>2005-10-05T05:28:00.000+01:00</published><updated>2005-10-05T05:28:28.676+01:00</updated><title type='text'>Atlântida</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/49558750/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/28/49558750_87151c36a9.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/49558750/"&gt;Atlântida&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Anoitecia quando te vi pela última vez. Com o sol entre as nuvens, com o mar inconstante e aquele verde de milhões de cambiantes.&lt;br /&gt;Houve um tempo em que a memória era o único suporte capaz de fixar os sons que a vida produz. Assim como houve um tempo em que a comunicação se fazia na distância que a voz alcançava. Estivesse um homem perto e bastaria lançar a voz ao vento. Mas estando longe, faria falta a escarpa duma montanha para que o eco empurasse o grito que lá longe seria ouvido. &lt;br /&gt;Andou-se muito até chegar a este dia em que vozes ditas num dado momento chegam a nós pouco depois. É pouco.&lt;br /&gt;Está visto que temos que caminhar, eu e tu. É o que interessa desde a pedra lascada até ao foguetão. O que interessa, no fundo, é a maneira como desenhamos os gestos, como nos relacionamos com a natureza, com os outros, com os objectos que a inteligência produz ou manipula.&lt;br /&gt;Por isso não basta o progresso das tecnologias,não basta o progresso científico que encurta a distância entre a voz e o ouvido, entre o teu olhar e o meu. &lt;br /&gt;É pouco. Preciso de chegar até ti, saudar, tocar-te, saber estar o tempo que for preciso, contigo. &lt;br /&gt;Levar-te as cantigas que a pressa não consegue nem roubar. Tal como os amores, que não é coisa que se aprenda nem nas sebentas nem na mais apurada ciência.&lt;br /&gt;Passamos a vida a compreender o sítio onde vivemos, a aprender as ruas e os lugares aonde vão desembocar. &lt;br /&gt;A saber os sons, a olhar os rostos e a saber responder-lhes. O sítio de onde &lt;br /&gt;se vê o horizonte, a gente com quem gostamos de rir, a gente com quem podemos chorar, a gente que gostaríamos de amar.&lt;br /&gt;E apaixonarmo-nos eternamente. Caminhando e cantando para chorar saudades e celebrar amores, sabendo que adiante haverá sempre alguém com o desejo de uma cantiga do passado, que não descansará enquanto não conseguir encontrar o som  - dum pedaço de tempo de futuro.&lt;br /&gt;Por tudo isto te quero de coração e ouvidos bem abertos. Com o teu olhar nos meus olhos, o teu corpo no meu, guardando o teu desesperado sabor.&lt;br /&gt;Estou agora instalada no avião, o cinto apertado, à espera da descolagem. Ao lado, um par de &lt;br /&gt;namorados que se beijam com um ruído de saliva, e nos meus olhos dançam restos de verde e azul a arpoar em prata e no vermelho da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é 5 de Outubro, e viva a liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"De mar e magma&lt;br /&gt;é feita a minha ilha&lt;br /&gt;no Atlântico nascida de furiosos&lt;br /&gt;amores&lt;br /&gt;entre os deuses da terra e do fogo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem a melancolia &lt;br /&gt;a ânsia de partir&lt;br /&gt;o desejo de ficar&lt;br /&gt;a dolorosa luta entre&lt;br /&gt;a saudade e a permanência&lt;br /&gt;o sangue quente e o olhar dormente&lt;br /&gt;do peso que o ar derrama sobre nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De mar e magma&lt;br /&gt;é feita a minha ilha&lt;br /&gt;trajada de mantos verdes&lt;br /&gt;enfeitada dos azúis, lilases, rosas violetas brancos&lt;br /&gt;das hortênsias que bordejam os caminhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da minha ilha trago a distância&lt;br /&gt;o verde dos campos e do mar&lt;br /&gt;a eterna busca de outros lugares&lt;br /&gt;a vulcânica luta entre ficar e partir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No embalo das ondas&lt;br /&gt;no beijo da sua espuma&lt;br /&gt;na profundeza dos seus segredos&lt;br /&gt;Olhos abertos no céu que me veste&lt;br /&gt;e me desnuda".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poema de Natércia Fraga&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112848650865939035?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112848650865939035/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112848650865939035' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112848650865939035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112848650865939035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/10/atlntida_05.html' title='Atlântida'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112821968204443084</id><published>2005-10-02T03:21:00.000+01:00</published><updated>2005-10-02T03:21:22.060+01:00</updated><title type='text'>Eu sei que vou te amar</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/48455036/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/27/48455036_7062efd010.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/48455036/"&gt;carlos romão&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Sob o auto patrocínio da democracia, e dos candidatos às 124 autarquias sob suspeita, estamos a um passo de mais um degrau a caminho do sol. Temos o eclipse anular, no misterioso universo que escapa ao físico mais experiente e ao mais desabrigado dos sem abrigo. Numa sociedade estupefacta consigo própria, desorientada e autodestrutiva, assiste-se ao &lt;br /&gt;espectáculo da lua cheia em todo  seu esplendor. Aqui, num Portugal desconhecido que espera por ti na Bracara Augusta e em Terras do Bouro, nas gravuras rupestres de Carreço, nas Pias Saltineiras e no farol de Montedor aonde nunca fui e em Reguengos de Monsaraz. E na Costa da Caparica. Teremos o eclipse total. Voa, amor. Um pássaro mesmo inacabado, voa. Voa no eclipse. &lt;br /&gt;Mal lhe pressentimos a sedeza da cor, o pássaro aparece-nos repentino, num instante do seu corpo. Ele conhece um mundo que não cabe na nossa liberdade, a cores ou a traço negro preenchendo a nossa imaginação; e voa. &lt;br /&gt;Voa num tempo em que a civilização parece entrar num território terminal.&lt;br /&gt;Voa com um conhecimento paciente, feito de estima, de cordialidade, de afecto. E amar é a forma superlativa de viver. Mesmo à beira do precipício.&lt;br /&gt;Sei que estás aí, deus artista, deus rebelde e avesso à tirania dos limites e da obscuridade. &lt;br /&gt;Olho nos teus olhos claros o equilíbrio instável que tudo transforma e tudo torna possível.&lt;br /&gt;Leio no teu voo a força e a esperança..&lt;br /&gt;Eu sei que vou te amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotografia de A Cidade Surpreendente&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112821968204443084?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112821968204443084/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112821968204443084' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112821968204443084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112821968204443084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/10/eu-sei-que-vou-te-amar_112821968204443084.html' title='Eu sei que vou te amar'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112778257623269923</id><published>2005-09-27T01:56:00.000+01:00</published><updated>2005-09-27T01:56:16.246+01:00</updated><title type='text'>A difícil arquitectura do poema</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/46939567/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/28/46939567_adb63ec3f1.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/46939567/"&gt;A difícil arquitectura do poema&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Ouve, ainda há tempo, há sempre tempo para não desistir. Tens as palavras.&lt;br /&gt;E dito isto, o meu verso sentou-se, cansado. Era terça feira de um dia de Setembro do ano de 2005. Sentei-me a seu lado, fica comigo esta noite. O meu verso enrolou-se e suspirou. Que &lt;br /&gt;chatice de vida, disse ele. Se todas as mulheres se apaixonassem por mim, deixaria de haver complicações, angústias, amarguras, ciúmes ou remorsos, tudo estaria certo e a vida correria feliz. Mas não era nada disto que acontecia. E começou a desatinar. &lt;br /&gt;Só aqui em Portugal, pensei. Já não bastam as autárquicas, as presidenciais, o Saramago. As &lt;br /&gt;greves dos juízes, da polícia, dos enfermeiros. Os escalões dos professores. O Dias &lt;br /&gt;Ferreira. As reformas. A princesa Diana, o autocarro que não chega a horas. Havia de me calhar um verso destes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preocupar-me, eu? Porquê?&lt;br /&gt;Explicar-te, dizendo baixinho&lt;br /&gt;ao teu ouvido, que é assim,&lt;br /&gt;que a vida há só uma &lt;br /&gt;e é preciso vivê-la bem,&lt;br /&gt;com os afectos, os sentimentos,&lt;br /&gt;com as pernas, com o sexo,&lt;br /&gt;com a boca com que te beijo,&lt;br /&gt;se tu deixas ou com os desejos&lt;br /&gt;quando tu não deixas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes, ele há os outros que são&lt;br /&gt;de outras galáxias&lt;br /&gt;mais directas, menos sofisticadas,&lt;br /&gt;têm peles mais ásperas&lt;br /&gt;mas cheiram àquela mistura que dá&lt;br /&gt;a ansiedade e a amargura &lt;br /&gt;de ter que lutar.&lt;br /&gt;Preocupar-me então com quê?&lt;br /&gt;Com o tempo de não saber quando?&lt;br /&gt;Ou já, ou nunca mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu verso olhou-me ..e disse suavemente     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um dia te oferecer coisas de futuro,&lt;br /&gt;é porque me vai faltando o encanto,&lt;br /&gt;a arte e o gosto de te amar.&lt;br /&gt;Mas se te oferecer um gesto,&lt;br /&gt;um sorriso que entendas,&lt;br /&gt;uma flor,&lt;br /&gt;é porque te pertenço,&lt;br /&gt;meu amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Serralves", fotografia de Ana&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112778257623269923?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112778257623269923/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112778257623269923' title='35 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112778257623269923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112778257623269923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/09/difcil-arquitectura-do-poe_112778257623269923.html' title='A difícil arquitectura do poema'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>35</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112753362111122412</id><published>2005-09-24T04:47:00.000+01:00</published><updated>2005-09-24T04:47:01.136+01:00</updated><title type='text'>Uma rosa em forma de rosa</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/45992833/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/27/45992833_52aec94668.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/45992833/"&gt;Uma rosa em forma de rosa&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	"Tu, que tens sempre tantas ideias, sugere-me lá uma prenda diferente daquelas coisas banais que se encontram nas lojas do costume", disse-me ela enquanto descíamos a Mouzinho da Silveira. Que fazer? Primeiro que tudo ter uma ideia de como são essas coisas que ela define como coisas banais. Demos uma volta por lojas e objectos para presentes, e numa delas vi uma bota de latão. Queria um par, digo eu. Só temos uma. Mas então? É que não é uma bota para calçar mas para pôr chapéus de chuva. Fico embaraçada com o meu erro e quase tropeço num gato de mármore decorado com flores que serve para fechar a porta. Percebi tudo. Antes de me &lt;br /&gt;afastar da loja dou de caras com uma frigideira de cobre pendurada na parede, não como frigideira naturalmente pois tem ponteiros e os números dum relógio. Um relógio em forma de frigideira deve ser para a cozinha, não há dúvida. &lt;br /&gt;Ao lado vejo um par de escovas em forma de gato, um cinzeiro em forma de mão de mulher, um ferro de engomar decorado no estilo "não te esqueças de mim", e uns ferros a carvão para pôr &lt;br /&gt;bombons, uma tábua para cortar o paio em forma de porco, um candeeiro em forma de ramo de flores e uma lâmpada como um cacho de uvas, deve ser para o Outono..&lt;br /&gt;Já meia abananada, como se diz lá na minha terra, vejo uma moldura em forma de relógio, um martelo em forma de peixe, um peixe em forma de martelo, uma queijeira em forma de galinha.&lt;br /&gt;Nesse universo paralelo, quase em delírio visionário, vi um abre latas em forma de espada, um barómetro em forma de leme, um livro-garrafa, uma garrafa-candeeiro, um barco numa &lt;br /&gt;garrafa, um vinho numa garrafa, uma casca de noz para pôr nozes. Cambaleando, enfrento uma garrafa em forma de arquictectura e uma vivenda em forma de garrafa, e um cinzeiro em forma de casa, por cuja chaminé sai o fumo do cigarro pousado à porta de entrada..&lt;br /&gt;Dou voltas à cabeça, já não sei se o que vejo é real, já não sei se hei-de deitar a cinza do cigarro na mão ou na terrina da sopa.&lt;br /&gt;Saio espavorida e entro numa loja de flores num estado de semi inconsciência, olho para o &lt;br /&gt;mar de rosas de matizes vivos, quentes, observo desesperadamente as pétalas de arredondado &lt;br /&gt;elegante, a disposição das folhas dentadas, os espinhos. Que é isto? Para quê espinhos? Para criar um certo suspense entre a sua agressividade e a suavidade do perfume? A minha amiga &lt;br /&gt;observa-me com ar preocupado enquanto lhe digo sarcasticamente não, não quero uma rosa, um objecto que só serve para ser olhado ou quando muito para cheirar? Um objecto sem justificação e que convida a pensamentos fúteis?&lt;br /&gt;Objecto inclusivamente imoral..&lt;br /&gt;Por mim digo..É melhor comprar um isqueiro que seja isqueiro, um candeeiro que seja candeeiro, e uma bandeja que seja uma bandeja..E sobre uma mesa que seja uma mesa, sentados &lt;br /&gt;numa cadeira que seja cadeira, estará uma rosa que será rosa, e um livro que será mesmo um livro.&lt;br /&gt;Sento-me finalmente a beber um café. Respiro mais calmamente.&lt;br /&gt;Hei-de ir comer uma francesinha à beira do Douro, pela primeira vez. &lt;br /&gt;E mais logo hei-de ir ver o pôr do sol na sua foz, pela primeira vez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite foi sempre uma palavra mágica,&lt;br /&gt;lógica, distinta&lt;br /&gt;colorida&lt;br /&gt;volátil e perpétua.&lt;br /&gt;Como tu meu amor,&lt;br /&gt;como o teu rosto, que tem algo de nascer&lt;br /&gt;e de sol posto.&lt;br /&gt;Por isso entendo que o teu tempo&lt;br /&gt;fugaz mas lento&lt;br /&gt;tem o tempo de um adejar de asa&lt;br /&gt;como uma semibreve musical,&lt;br /&gt;e quando o tempo passa, como o vento,&lt;br /&gt;toca no meu rosto e deixa-lhe,&lt;br /&gt;como uma canção,&lt;br /&gt;a marca da tua recordação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foto in cidadesurpreendente&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112753362111122412?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112753362111122412/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112753362111122412' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112753362111122412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112753362111122412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/09/uma-rosa-em-forma-de-rosa_24.html' title='Uma rosa em forma de rosa'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112708281082074191</id><published>2005-09-18T23:01:00.000+01:00</published><updated>2005-09-18T23:33:30.840+01:00</updated><title type='text'>As teias da lei</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/1600/333181.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2614/1134/320/333181.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há na ideia de Verdade um certo grau de absolutismo. A verdade quer-se aliada à justiça, objectiva, isenta, sem teias. Ou há ou não há. O que é justo deve ser verdadeiro, o que não acontece com a inversa. O que é verdadeiro nem sempre é justo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a verdade é uma linha ténue..&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nas teias da lei abrigam-se os sistemas da justiça, o submundo da própria lei, os minúsculos e inquietantes seres que pululam sobre as suas costas de elefante, percorrendo o seu dorso e alimentando-se das partículas do seu brilho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nas teias da lei abriga-se a lei, sufocada, inquieta, num infinito de solidão, escrava duma balança que há muito não é oleada e pende desoladamente ao sabor do vento que lhe perspassa pelas entranhas. Como as velhas balanças das mercearias do meu bairro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na enorme ambiguidade das teias que carrega nos seus ombros, a lei absorve o rosto do ser humano, os elementos que o compõem, tão diversos como é diverso o poder das teias que a manipulam. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os olhos, o nariz, a boca. ...Rostos de vidro, de arame, de lascas de madeira, de plástico, de fibra de vidro, de borracha. Tantos rostos, dum mesmo rosto, transformado, alterado, deformado. Rostos de linhas curvas, rectas, oblíquas, paralelas, tracejadas a tinta da china. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rostos que transmitem uma mensagem cosmética, segundo o estilo pessoal de cada teia, voraz investigador de imagens, implacável como os anúncios de marcas de sopa, capazes de uma indução visual imediata e directa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As tábuas de Moisés e o direito romano, e muito mais..&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Quando uma mulher tiver conduta desordenada e deixar de cumprir suas obrigações do lar, o marido pode submetê-la à escravidão. Esta servidão pode, inclusive, ser exercida na casa de um credor de seu marido e, durante o período em que durar, é lícito a ele (ao marido) contrair novo matrimonio"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Código de Hamurabi (Constituição Nacional da Babilônia, outorgada pelo rei Hamurábi, que a concebeu sob inspiração divina, século XVII A.C.)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo em nome da lei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O importante na lei, na sua eterna refrega contra as teias, é não sair do tema do rosto vivo, visto de frente na sua humanidade. Olhos nos olhos. Os teus. Não se iludir com a vista de perfil, a três quartos ou com efeitos tridimensionais ou efeitos de perspectiva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Criámos instrumentos preocupantes, fora da lei, como o efeito de estufa, a depredação do ozono e as chuvas ácidas, para que o terceiro cavaleiro do Apocalipse, a fome, continue a sua ceifa de vidas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E as tragédias não são todas gregas. "Que pena que tenha sido assim, quando podia ser de outra maneira".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o primeiro cavaleiro do Apocalipse partirá vencedor para novas vitórias, no combate contra a ignorância, na busca do império da felicidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Creio em ti.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mais alto e superior! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tentar vencer,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não quer dizer vitória,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem mérito, nem glória.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas sim desejo, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;desejo de ir também&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tentar, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;tentar subir&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ir mais além".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É por tudo isto que que acabas por duvidar da tua própria descrença.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;foto tirada da net, do melhor que há. Legis artes...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112708281082074191?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112708281082074191/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112708281082074191' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112708281082074191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112708281082074191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/09/as-teias-da-lei_18.html' title='As teias da lei'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112674694885361016</id><published>2005-09-15T02:15:00.000+01:00</published><updated>2005-09-15T02:15:48.873+01:00</updated><title type='text'>Um dia qualquer em Veneza</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/43400235/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/31/43400235_88d671c1a6.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/43400235/"&gt;Um dia qualquer em Veneza&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	&lt;br /&gt;Que c'est triste Venise&lt;br /&gt;Au temps des amours mortes&lt;br /&gt;Que c'est triste Venise&lt;br /&gt;Quand on s'aime plus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O stress e o vazio que me tece, ao pensar em Veneza, sem ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;On cherche encore des mots&lt;br /&gt;Mais l'ennui les emporte&lt;br /&gt;On voudrais bien pleurer&lt;br /&gt;Mais on ne le peut plus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra stress vem do inglês stress. O stress é um inimigo poderoso da beleza, tira a vitalidade da pele, leva embora o brilho dos olhos e a energia do sorriso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que c'est triste Venise&lt;br /&gt;Lorsque les barcarolles&lt;br /&gt;Ne viennent souligner&lt;br /&gt;Que des silences creux&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem stress, assim uma prenda do género "500 Poemas Clássicos Americanos em Português" ou a abertura de um departamento de sinologia portuguesa em Timor, numa instituição qualquer, com bolsas para portugueses que ali se quisessem deslocar para estudar e, quiçá, permanecer...Coisas simples ou complicadas, qualquer coisa, por favor. Tudo anti stress. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Et que le coeur se serre&lt;br /&gt;En voyant les gondoles&lt;br /&gt;Abriter le bonheur&lt;br /&gt;Des couples amoureux&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tanto stress, a gente esvai-se. Morre por inacção. Por falta de iniciativa, de trombose, de demasiada gordura. Não há chás que aguentem. Por mais dietéticos e verdes que sejam. A questão não é física, é mental...Como quase tudo, infelizmente, na nossa vida. E a felicidade passa, acreditem, por nos sentirmos bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que c'est triste Venise&lt;br /&gt;Au temps des amours mortes&lt;br /&gt;Que c'est triste Venise&lt;br /&gt;Quand on s'aime plus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente redescobre-se uma das nossas características fundamentais; uma espécie de solidão intrínseca e radical, normalmente escondida pela presença da família, que aqui surge, clara, por razões meramente simples, entre as quais a imersão numa indiferença quase radical e distanciada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Les musées, les églises&lt;br /&gt;Ouvrent en vain leurs portes&lt;br /&gt;Inutile beauté&lt;br /&gt;Devant nos yeux déçus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa solidão é boa...Pode-nos tornar naquilo que verdadeiramente somos ou queremos ser, também em farrapos de nós mesmos. Já todos nós vimos um caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que c'est triste Venise&lt;br /&gt;Le soir sur la lagune&lt;br /&gt;Quand on cherche une main&lt;br /&gt;Que l'on ne vous tend pas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se o Verão foi é cruel, ele nada mais faz que espelhar o futuro; precisamos urgentemente de repensar o stress.  Existem instituições com deveres. Uma delas chama-se o Povo da República Portuguesa, nós, a gente, tu e eu e os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Et que l'on ironise&lt;br /&gt;Devant le clair de lune&lt;br /&gt;Pour tenter d'oublier&lt;br /&gt;Ce qu'on ne se dit pas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nós pagássemos, com atenção e interesse, dez por cento do que devemos a nós próprios, nadávamos em abundância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adieu tout les pigeons&lt;br /&gt;Qui nous ont fait escorte&lt;br /&gt;Adieu Pont des Soupirs&lt;br /&gt;Adieu rêves perdus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não me levarás contigo. Adieu. Fica aí, Veneza. Ou Venise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C'est trop triste Venise&lt;br /&gt;Au temps des amours mortes&lt;br /&gt;C'est trop triste Venise&lt;br /&gt;Quand on ne s'aime plus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nesse sentido que devemos apontar os canhões, e marchar, marchar a favor da curva que atrai, da curva de que é feito o universo.&lt;br /&gt;O universo curvo de Eisntein.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra o stress, a favor das palavras de Óscar Niemeyer, arquitecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é o ângulo recto que me atrai&lt;br /&gt;nem a linha dura, inflexível,&lt;br /&gt;criada pelo homem.&lt;br /&gt;O que me atrai é a curva livre e sensual,&lt;br /&gt;a curva que encontro nas montanhas do meu país,&lt;br /&gt;no curso sinuoso dos seus rios,&lt;br /&gt;nas ondas do mar,&lt;br /&gt;no corpo da mulher preferida.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112674694885361016?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112674694885361016/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112674694885361016' title='35 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112674694885361016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112674694885361016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/09/um-dia-qualquer-em-veneza.html' title='Um dia qualquer em Veneza'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>35</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112641279026498420</id><published>2005-09-11T05:26:00.000+01:00</published><updated>2005-09-11T05:26:30.280+01:00</updated><title type='text'>Tudo sobre a minha mãe</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/42192297/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/31/42192297_63d38af44c.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/42192297/"&gt;Tudo sobre a minha mãe&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	&lt;br /&gt;Foste ave solta e não foi fácil teres nascido. O teu pai era um viajante da música e violinista vindo da África do Sul, e a tua mãe tinha apenas dezasseis anos quando viajou da sua casa da burguesia madeirense, de janelas com tapa sóis verdes, até uma ilha açoreana onde nasceste num dia de festa do Espírito Santo.&lt;br /&gt;Tinhas a mesma pele muito branca e o cabelo ruivo quando o conheceste, eras frágil, magnífica e cerebral, e ele era viril, forte e apaixonado. Faziam um dueto que nem sempre era casal, aqui e ali desencontrado. Ele seguia o andar ondulante das tuas ancas e estonteava-se com a elegância fina do teu corpo. Tinha tido vários amores.&lt;br /&gt;Mas tu não. &lt;br /&gt;Levavas a vida com segurança, sem qualquer alvoroço na tua ilha azul, até que decidiste partir e que não voltarias mais, nunca mais.&lt;br /&gt;Enquanto vivias saudavelmente a tua vida com prazer e com gosto, ele vivia em quimeras do teu desgosto.&lt;br /&gt;Lá longe, noutro continente, conhecias músicas, poetas, pintores, sábios tibetanos, astrólogos e anarquistas, todo um cortejo de mágicos, visionários e criadores de vida plena.&lt;br /&gt;Mas ele não.&lt;br /&gt;Invadido pelas recordações das noites diante do teu retrato, não compreendia que a sua vida de forma alguma era vida, nada era de vida, nem mesmo a sombra duma vida.&lt;br /&gt;Nem o passar do tempo, inexorável como é costume, o fazia maravilhar-se com o sol posto. Continuavas linda, segura e cerebral, e ele poético, romântico e carnal.&lt;br /&gt;E assim se passaram alguns anos. Ele teve um filho. Mas tu não.&lt;br /&gt;E assim se passaram mais uns anos, até que um dia decidiste regressar, da mesma forma como decidiras partir.&lt;br /&gt;Contaste-me a história muito tempo depois, de como tu e ele se aperceberam que a vida subia vertiginosamente para os receber, e para se reencontrarem.&lt;br /&gt;Contaste-me, não apenas para lhe dar um sentido, ou concentrar a vida ou condensar impressões fugidias ou não. Contaste-me para pôr uma "ordem nas coisas", como me disseste. Quando já gostavas até dos poemas dele, e quando ele já gostava da tua segurança.&lt;br /&gt;A vossa história sempre foi empolgante para mim. As histórias dão a sensação de que há um sentido, de que por detrás da confusão de todos os fenómenos se esconde uma ordem e uma sequência, de que nada é por acaso. As histórias são o substituto de Deus. Ou vice versa.&lt;br /&gt;Já me deixaste, e ele também. &lt;br /&gt;Mas continuo a gostar de ver o brilho dos vossos olhos, e de vos ver de mão dada a caminho da marginal, como as crianças que gostam de ouvir histórias antes de adormecer.&lt;br /&gt;E as histórias deverão, assim, acabar sempre bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fotografia de Carlos Romão - cidadesurpreendente.blogspot.com&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112641279026498420?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112641279026498420/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112641279026498420' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112641279026498420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112641279026498420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/09/tudo-sobre-minha-me_112641279026498420.html' title='Tudo sobre a minha mãe'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112597072163407629</id><published>2005-09-06T02:38:00.000+01:00</published><updated>2005-09-06T02:38:44.120+01:00</updated><title type='text'>..shrinking</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/40652086/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://static.flickr.com/24/40652086_f2cf2e4b13.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/40652086/"&gt;estrada333-al-farrob&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	O mundo não era assim tal como hoje está, era pior.&lt;br /&gt;Num passado bem recente, foi necessário, através de várias contendas, afrontar os poderes instalados para que estes cedessem a coisas simples, como o direito ao voto para as mulheres, no país que se considerava uma das democracias mais avançadas do mundo. &lt;br /&gt;Muito antes deste episódio, e um pouco por todo o mundo, as classes mais desfavorecidas tinham aqui e ali obtido alguns avanços em relação às classes mais protegidas e instaladas junto de determinados poderes.&lt;br /&gt;São conhecidas as condições desumanas de trabalho que os senhores da altura impunham aos seus trabalhadores, desde as jornas de sol a sol, ao esforço de trabalhar até desfalecer.&lt;br /&gt;Mas todos estes acontecimentos começam por criar uma consciência que aos poucos dá origem a uma uma luta, luta essa que anos mais tarde é conhecida como "luta de classes".&lt;br /&gt;Destas lutas imensas, chegou-se entretanto aos direitos. Num universo em que apenas se conhecia o dever, passa a existir no vocabulário ordinário a expressão "direitos fundamentais". E aqui é que está o busílis da questão.&lt;br /&gt;O mundo passou a ser um local melhor? Parece que sim.&lt;br /&gt;Dá-se início às primeiras declarações de direitos, a maior parte delas consagradas nas constituições dos diversos países, como a declaração universal dos direitos do Homem, dos direitos da Criança, dos direitos dos Animais, e por aí fora.&lt;br /&gt;De seguida, e não menos importante, vêm os direitos comuns, aos quais toda a gente pensa que tem direito. Pensa mas  é como quem diz.&lt;br /&gt;Assim é o direito ao trabalho, à saúde, à educação, à habitação, o direito a uma vida condigna, o direito à justiça e à informação, à reunião e à liberdade de expressão, o direito à vida.&lt;br /&gt;Direito à liberdade e ao associativismo, à democracia, o direito à cultura e à diferença, à determinação e à auto-determinação, o direito à cidadania, ao crédito e não ao descrédito, o direito ao rigor e não à demagogia.&lt;br /&gt;Direito à defesa e à auto-defesa, enfim, o direito ao direito, sem esquecer o direito aos direitos adquiridos, esse misterioso paradigma.&lt;br /&gt;Finalmente, o direito ao delírio e à vulgarização de todos os direitos, de tal modo que outros direitos hão-de surgir, como o direito à globalização e ao capitalismo selvagem, que já está instalado em nome dos princípios que desnorteiam alguma humanidade. &lt;br /&gt;E sem dúvida mais um direito, o direito ao espectáculo, ao folclore de mais uns homens de boa vontade, cheios de ideias novas e capazes de mudar o rumo das coisas. É o direito ao despotismo, à desumanização e ao retrocesso em vias de desenvolvimento.&lt;br /&gt;O mundo não era assim tal como hoje está?&lt;br /&gt;Depois disto virá o direito à repressão, à inveja e à denúncia. Resultará no direito à revolta, à incompreensão, e ao desprezo total pelo próximo.&lt;br /&gt;É a evolução da espécie, em todo o seu esplendor. &lt;br /&gt;Donde um dia sairá um outro ser, com todas as nossas virtudes e menos das nossas fraquezas, num futuro de mares calmos onde sentiremos a suave agitação de uma brisa &lt;br /&gt;Ave Gloria Mundi.&lt;br /&gt;Com o direito à solidão, a que todos temos direito, resta-nos o direito à alma dos poetas, para que possamos continuar a ter o direito de sonhar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"..Adeus&lt;br /&gt;Como se houvesse uma tempestade &lt;br /&gt;escurecendo os teus cabelos, &lt;br /&gt;ou, se preferes, minha boca nos teus olhos &lt;br /&gt;carregada de flor e dos teus dedos; &lt;br /&gt;como se houvesse uma criança cega &lt;br /&gt;aos tropeções dentro de ti, &lt;br /&gt;eu falei em neve - e tu calavas &lt;br /&gt;a voz onde contigo me perdi. &lt;br /&gt;Como se a noite se viesse e te levasse, &lt;br /&gt;eu era só fome o que sentia; &lt;br /&gt;Digo-te adeus, como se não voltasse &lt;br /&gt;ao país onde teu corpo principia. &lt;br /&gt;Como se houvesse nuvens sobre nuvens &lt;br /&gt;e sobre as nuvens mar perfeito, &lt;br /&gt;ou, se preferes, a tua boca clara &lt;br /&gt;singrando largamente no meu peito".&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112597072163407629?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112597072163407629/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112597072163407629' title='36 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112597072163407629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112597072163407629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/09/shrinking.html' title='..shrinking'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>36</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112545616342182953</id><published>2005-08-31T03:42:00.000+01:00</published><updated>2005-08-31T03:42:43.436+01:00</updated><title type='text'>Deixe-me dizer-lhe</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/38755339/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://photos27.flickr.com/38755339_db104ab1e9.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/38755339/"&gt;Deixe-me dizer-lhe&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Deixe-me simplesmente dizer-lhe algo de pessoal. Penso que escrever tem a ver com uma árvore. &lt;br /&gt;Segundo qualquer compêndio de botânica, "uma árvore é uma planta lenhosa de grande porte, com tendência para a formação de um tronco". A forma duma árvore pode considerar-se um esquema: um eixo vertical cuja extremidade superior é a flecha e a inferior a raíz mestra; ramificações inseridas a diferentes alturas do eixo quer acima do solo, as pernadas, quer abaixo, as raízes secundária (nas palavras dos nossos primeiros arquitectos paisagistas, Prof. Francisco Caldeira Cabral e Gonçalo Ribeiro Teles, num livro intitulado "Árvore", de 1960).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever é paixão. Gostamos de escrever do mesmo modo que um pintor tece as suas telas: porque sentimos alguma coisa de passional, porque amamos a vida em cada pincelada da nossa existência, e gostamos de a dar a conhecer num certo momento, duma certa maneira ou não, ou nunca. E escrevemos de diversas formas, como são diversos os estilos seja do que for.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sim, porque os portugueses também se entretêm apesar de tudo. Não é possível divulgar a qualidade e a quantidade, variedade e profundidade da escrita que descubro nos meus afazeres lúdicos, porque para tal precisaria do espaço de uma enciclopédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade, não pecamos por falta de imaginação. E será que nos proporcionamos esse espaço? Será que conseguimos corresponder aos anseios, à sede de mundo, à fome a que nos amaldiçoa a nossa linhagem de descobridores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente, por enquanto, até parece que sim. É verdade, por aqui passam os mais extraordinários seres, muitos seres que se guardam e resguardam e que ainda mantêm locais secretos, tão secretos quanto o tamanho do seu imenso coração.  E ainda haverá becos e travessas, sim, esses mesmos. &lt;br /&gt;E todos juntos até dava para fazermos uma feira, com foguetório e pessoal, com maralhal ainda anónimo e espantado com tudo, rapidamente a saber de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe-me dizer-lhe que a escrita não se reduz à escrita dos grandes e famosos, bonita de tão ilustres temas, livresca, fantástica, bombástica e profunda, e tão bela e enigmática como o Triângulo das Bermudas, onde não tenciono ir nem que me paguem. Ainda desaparecia num livro do Além e não me apetece por enquanto desaparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever é só por si um acto criativo, tem luta, tem dor, tem alegria, tem diversas cumplicidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe-me também dizer-lhe que a escrita começa com memórias, todas são uma soma de memórias, como um filme. E tem inseguranças. Não, não faça essa expressão sarcástica, esse Ohhhhh. Não devemos eliminar tão depressa a insegurança. Podemos ser felizes quando somos, nalguns aspectos, inseguros. A insegurança é certamente uma possibilidade de se conservar a curiosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever é um encontro entre passado e futuro, e aquilo que é escrito cria um Presente. Escrever é estar a caminho. Esta é a vontade da escrita: estar a caminho. Não "chegar" mas "ir".&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O movimento, isso é que é importante, e o não ter que ir a lugar nenhum. O que significa uma grande liberdade. Continuar a andar sem saber para onde, mesmo que se tenha uma casa para onde regressar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim o poder e a sedução da escrita, a sua atracção. O magnetismo e o desejo de escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não o desejo disto ou daquilo, mas o desejo em estado bruto, apanhado pela cauda, como o descreveu Picasso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto de al-farrob&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112545616342182953?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112545616342182953/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112545616342182953' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112545616342182953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112545616342182953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/08/deixe-me-dizer-lhe_112545616342182953.html' title='Deixe-me dizer-lhe'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112515614225213610</id><published>2005-08-27T16:22:00.000+01:00</published><updated>2005-08-27T16:22:22.266+01:00</updated><title type='text'>Como de costume</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/37615595/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://photos22.flickr.com/37615595_e641917f3b.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/37615595/"&gt;São Miguel, Açores&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Há sempre uma noite mais escura do que a escuridão do mundo. Foi a noite em partiste. Junto de ti descobri a alegria que trazia escondida numa cave do coração. Agora vagueio por estas ruas, e sonho que vou acariciar a tua mão, muito devagar, debaixo desse céu azul. Fazes-me falta, como de costume. O teu sorriso torna-se cada vez mais real, à medida que o tempo passa. E a tua voz. A luz do dia a aparecer, os pássaros que poisavam na varanda e o café saboroso que só tu conseguias fazer pela manhã. Renasces em cada dia nas águas dos meus olhos, e sonho com o teu abraço quando me abraçavas sem palavras, olhando-me suavemente na paz que só tu tinhas para me dar. Sem ti o mundo é mais duro, mas sei exactamente o que me dirias sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um tiro, como um grito,&lt;br /&gt;sento-me em frente do computador&lt;br /&gt;inerte, electrónico e vazio&lt;br /&gt;e confesso-lhe que te amo,&lt;br /&gt;que desesperadamente te desejo,&lt;br /&gt;que respiro cada momento que respiras.&lt;br /&gt;Penso-me que estou dentro de ti,&lt;br /&gt;no gesto que fazes quando sorris,&lt;br /&gt;no ar um pouco travesso quando dizes não,&lt;br /&gt;no brilho dos teus olhos quando dizes que sim.&lt;br /&gt;Pego num cigarro, acendo-o&lt;br /&gt;e nas espirais que se vão formando&lt;br /&gt;estão as recordações de ontem&lt;br /&gt;e aquelas que gostaria de ter hoje,&lt;br /&gt;hoje que não te vejo,&lt;br /&gt;hoje que não te verei jamais.&lt;br /&gt;É como se a vida fosse um mundo&lt;br /&gt;de desejos antigos&lt;br /&gt;e recordações futuras que vão acontecer.&lt;br /&gt;Pode ser que este amor&lt;br /&gt;seja um amor que já não se usa.&lt;br /&gt;Pode ser.&lt;br /&gt;Mas fazes-me tanta falta,&lt;br /&gt;amor.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112515614225213610?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112515614225213610/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112515614225213610' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112515614225213610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112515614225213610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/08/como-de-costume_27.html' title='Como de costume'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112494357421807685</id><published>2005-08-25T05:19:00.000+01:00</published><updated>2005-08-25T05:19:34.266+01:00</updated><title type='text'>A história</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/36989793/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://photos26.flickr.com/36989793_c63ecf77e2.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/36989793/"&gt;Miradouropordosol&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Acordo nesta madrugada. Quem deixou este cheiro a flores espalhado pelo chão? Um perfume que desconheço. De flores que nunca vi. Mas que consigo sentir...Que penetram em mim. Há também livros e uma agenda.  Um dos livros, de capa creme, diz na capa Virginia Woolf. A agenda tem uma letra rabiscada, de alguém que não escreve muito bem. É uma pequena história, há quem diga estória mas nunca me habituei. Leio-a de novo. Pela centésima vez. É sobre uma festa que tem lugar num outro universo. A festa da esperança, a festa da vida, em que pessoas e muitos, muitos monstros bebem e dançam juntos. Foi um dos meus amores que a escreveu, quando era pequenino. É só isso. Gosto de a ler repetidamente porque é só isso. Tem algo de mágico lá dentro. Nas palavras. Na escrita à mão. Na cor do papel. E os monstros. E o outro universo. Apetece-me sempre dançar quando a leio. Preciso disso. Só para acalmar. Em troca posso dar cem mil watts de boa vontade. Chega? &lt;br /&gt;Quando leio a estória ou a história, embora prefira história, sigo depois para as páginas seguintes. Onde ele escreve que quer trabalhar numa mina. Ou num estaleiro. Ou numa bomba de gasolina. Passar o dia a fumar cigarros e a atestar automóveis de combustível. A encher até deitar por fora. E ao mesmo tempo a acender cigarros atrás de cigarros. Até estar uma fumarada tal, que não se vê mais nada. Que histórias, ou estórias, os miudos inventam... E tinha 12 anos quando a escreveu. Imagine-se para o que lhe deu, fumar cigarros. E afinal nunca fumou.&lt;br /&gt;O que os miudos inventam. Geralmente o que eles sonham é ser bombeiro ou médico ou aviador. Mas este não. Saiu à mãe. Também queria ser artista de circo e andar pelo mundo a fazer piruetas, e escalar o Evereste que nessa altura eu situava no Polo Sul, não me perguntem porquê. Quase que apanhei reguadas da Dona Estela por isto. Ela queria que fizesse ponto de cruz para ser uma menina bem comportada, daquelas da Condessa de Séjur. Se o nome não é este, é parecido. Irritava-se tanto que começava a ferver e a largar chispas.&lt;br /&gt;Agora leio os jornais todos. A ver se me fazem adormecer. Descobri que são de uma terra chamada Portugal. Talvez no planeta Terra. No rótulo não vem escrito o nome do planeta. Onde é que ficará este país? À esquerda ou à direita? De quê? Pelo que vejo da janela parece-me que fica a sul de nenhum norte. Há um rio lá em baixo. Onde não fazem remoinhos, onde passam autocarros e furgonetas por cima, e comboios por baixo. Onde ainda há água. Fraquinha. Espero pelo trepidar das chuvas...Que não vêm...&lt;br /&gt;E o cheiro das flores continua...Será afinal daqui, desta foto que amo? Guardo a agenda.&lt;br /&gt;A Virginia Wolf fica para amanhã.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112494357421807685?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112494357421807685/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112494357421807685' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112494357421807685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112494357421807685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/08/histria.html' title='A história'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112463950583520727</id><published>2005-08-21T16:51:00.000+01:00</published><updated>2005-08-21T16:51:45.876+01:00</updated><title type='text'>Verde</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/35877364/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://photos24.flickr.com/35877364_8c0f5d7295.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/35877364/"&gt;Verde&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Hoje é domingo...&lt;br /&gt;Acordei já tarde e o que se passa na realidade é que o domingo tem algo de sonoro lá dentro. É outro universo. Não se ouve. Não se vê nada, lá fora. É domingo. Acordo com um trovão dentro do telefone, algures no quarto, algures ao pé da cama, e é nesse preciso momento que lhe dou uma martelada com o que tiver mais à mão. Normalmente leva um murro e cala-se...angustiado. Desta vez pego no telefone. Sou simpática, digo bom diaaaaaaa... desculpe não sei qual é o seu nome, se alguma vez soube qual era, esqueci-me. Não me lembro de nada. Acordei com uma amnésia do tamanho de um furacão.&lt;br /&gt;"O meu nome está aí escrito ", digo para esperar, que vou take a look. "Já vi, senhor Paulo Jorge, muito prazer" (Sorrio ainda mais, foi assim que me ensinaram, a ser simpática.) Ele está a fumar, parece-me a mim, cheira-me a fumo. "Não precisa que o trate por senhor Paulo Jorge, pois não? Ainda bem. Oiça." (Estou com a bateria fraca, a do telefone.) "Está a confundir-me com alguém. Nem sei como é que conseguiu ligar para aqui, sou apenas uma pessoa que acordou de repente. Só isso. Que despertou à pressa." Silêncio de ambos os lados.&lt;br /&gt;"Desculpe, de qualquer modo. Telefone para as informações, talvez de lá o possam ajudar".&lt;br /&gt;Entretanto voltou o discernimento. Desculpa, Paulo Jorge (é o meu irmão mais velho), estás onde?&lt;br /&gt;"Há um rio lá em baixo chamado Tejo, lembras-te? Num país algures a Sul. Saí agora do avião, estou em Lisboa. Não sei se sabes o que é. Lavas as ramelas e vens almoçar comigo?" &lt;br /&gt;Fomos à beira rio. Como de costume, quando ele sai do burgo escandinavo e decide fazer um intervalo na dieta anti colesterol, come deliciadamente uma alheira de Mirandela com batatas fritas e ovo.&lt;br /&gt;Estivemos bastante bem ali.&lt;br /&gt;E junto ao rio sonhámos com o verde. Que ainda existe, ainda. Porque é domingo e o meu irmão está.&lt;br /&gt;Este....este verde....&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112463950583520727?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112463950583520727/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112463950583520727' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112463950583520727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112463950583520727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/08/verde.html' title='Verde'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112424945102008658</id><published>2005-08-17T04:30:00.000+01:00</published><updated>2005-08-17T04:30:51.066+01:00</updated><title type='text'>De há muito que nos conhecíamos</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/34708380/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://photos23.flickr.com/34708380_991f19a0e7.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/34708380/"&gt;cidadesurpreendente&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	&lt;br /&gt;Espreitei o sítio; um biombo japonês saltava à vista e não cuidei de ver mais pormenores naquele momento que não posso esquecer, um biombo japonês num centro de saúde, quem diria. Eis que ele entra na sala e diz prosaicamente "É melhor sentar-se", e prossegue numa voz jovem e suave que me deixou longe de mim e longe de tudo, uma voz que por acaso era do norte e pensei que tudo ia ser fácil, estava tão próximo e tão familiar que nem uma máscara de distância se agitava na sua tranquilidade. De há muito que nos conhecíamos..&lt;br /&gt;...Porto.&lt;br /&gt;Antes de iniciar outras realidades próprias duma utente do Serviço Nacional de Saúde revivemos a cidade pelo que possui de total, de cósmico, pelo que existe para lá da pedra ou deste ou daquele requinte de forma, forte nas suas espessas paredes e nas suas cicatrizes de crescimento ou de outros agravos do tempo. A cidade bela. Tinha razão o poeta : "olhos que nunca se molham, nada vêem". Mais do que uma cidade, mais do que uma paisagem,  uma vida duma filosofia.&lt;br /&gt;Nas palavras do arquitecto Fernando Távora, "Só comecei a conhecê-la melhor quando, juntos, iniciámos o romance da sua - e nossa - vida. Havia que tocar-lhe e tocar-lhe foi um acto de amor, longo e lento, persistente e cauteloso, com dúvidas e certezas. Foi um processo sinuoso e flexível, foi um método de homem apaixonado. Assim cruzámos as nossas vidas: hoje, ela lá está prosseguindo no seu espaço e no seu tempo, e o seu desenho aí está escrevendo a história do nosso romance.&lt;br /&gt;De há muito que nos conhecíamos.&lt;br /&gt;Porém agora conhecemo-nos melhor e ambos estamos diferentes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De há muito que nos conhecíamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Shakespeare podia ter vivido aqui.&lt;br /&gt;Podia ter dançado na noite de S. João&lt;br /&gt;quando o rio transborda para as ruas&lt;br /&gt;nas correntes humanas que as inundam.&lt;br /&gt;Podia ter escrito &lt;br /&gt;nos invernos de ausência o que a noite &lt;br /&gt;ensina sobre a privação. &lt;br /&gt;Podia ter ensinado, à beira do cais, que o tempo lascivo &lt;br /&gt;corre como a água, &lt;br /&gt;levando o que não há-de voltar&lt;br /&gt;e trazendo o que nunca terá nome &lt;br /&gt;nem corpo.&lt;br /&gt;As almas, que empalidecem quando o sol poente se reflecte&lt;br /&gt;nos vidros,&lt;br /&gt;cantam bruscamente o verão: reflexo de um reflexo, &lt;br /&gt;frutos que se deixam colher&lt;br /&gt;pela memória, &lt;br /&gt;seres sem ser que não hão-de voltar &lt;br /&gt;a nascer&lt;br /&gt;Mas o que ele cantou, podia&lt;br /&gt;tê-lo cantado aqui. Todos os lugares são, &lt;br /&gt;afinal, lugar nenhum para quem não habita &lt;br /&gt;senão a própria voz: sonho de outra margem, &lt;br /&gt;cantor perdido no labirinto das pontes. &lt;br /&gt;Perto da foz, sem o saber; sonhando a nascente, &lt;br /&gt;como se não fosse ele próprio a única fonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Júdice"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.cidadesurpreendente.blogspot.com/&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112424945102008658?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112424945102008658/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112424945102008658' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112424945102008658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112424945102008658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/08/de-h-muito-que-nos-conhecamos_17.html' title='De há muito que nos conhecíamos'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112407672464594534</id><published>2005-08-15T04:32:00.000+01:00</published><updated>2005-08-15T04:32:04.686+01:00</updated><title type='text'>O médico de família</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/25216658@N00/23160557/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://photos16.flickr.com/23160557_6c62415af6.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/25216658@N00/23160557/"&gt;flying&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/25216658@N00/"&gt;skylinejunkie&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	&lt;br /&gt;Ouve-se uma canção do Jorge Palma em surdina na sala de espera arejada, sem multidões. Pouca gente, que sorte, talvez tenha sorte com o medico de família, e talvez me calhe um espanhol ou um romeno. Romeno não deve ser por causa das equivalências. Jogo mentalmente com as palavras: espanhol espanha, espanha touradas. Tourada não tem nada a ver com medicina nem com o juramento de Hipocrates, uma pessoa lembra-se de cada coisa quando espera por uma consulta de medicina geral. E daí talvez. Será uma tourada como da ultima vez há 10 anos? Vai ser difícil. Nessa altura refilava mais. Está na nossa natureza ir diminuindo o ímpeto, pelo menos em parte e consoante os assuntos. É só uma questão de prioridades, mais nada. Ah: eis que já entrou o terceiro, um homem maduro com uns enormes sobrescritos debaixo do braço, devem ser análises, e noto com assombro que evitei a expressão "idoso". Deve ser da nossa fragilidade, numa sala de espera fica-se mais próximo da vulnerabilidade. Agora mudou a música e tudo. Ouve-se algo que me parece ser Telepatia, da Lara Li. Parece. Não deixa de ser curioso a música ser esta. Telepatia... Será uma nova abordagem do Serviço Nacional de Saúde? Telepatia..tipo "calma que isso passa"? &lt;br /&gt;Será que este centro de saúde é o motor da galvanização em prol da melhoria da saúde dos cidadãos constitucionalmente prevista e tendencialmente gratuita? Quem dera estar na silly season tranquila, e mergulhar decididamente nas águas algarvias..&lt;br /&gt;Com isto já entra a quinta, uma rapariga magrinha e muito bem vestida que deixa um odor a Escade. Mencionei esta marca por acaso, pode ser outro qualquer mas é dos bons. Engraçado, parece que os sentidos ficam mais despertos nestas ocasiões. Esta do Escade é sintomática, normalmente nunca sei quem usa x ou y.&lt;br /&gt;Deve estar a chegar a minha vez. É curioso como são rápidas as consultas. Confesso que senti aqui um nó na garganta.&lt;br /&gt;Pronto, tanto faz que seja romeno ou espanhol, ou português; o que se passa com os médicos portugueses é que são poucos na especialidade de clínica geral, e a maior parte deles para além de ser médico, médico, passa muito tempo noutras actividades que não diria lúdicas mas enfim. São reuniões disto e daquilo, são actividades internas do centro de saúde e claro está que têm também a sua actividade privada. Escasseiam os médicos desta especialidade, infelizmente era considerada pouco atractiva para os profissionais de saúde e essa é uma das razões para a vinda de muitos profissionais estrangeiros, e ainda bem. A criação dum médico inclui a formação universitária de seis anos e seguidamente uma formação profissional entre quatro e seis anos.&lt;br /&gt;Já vai no sexto. Sinto um aperto no coração. É uma mullher alta e espadaúda que passou o tempo a ler e tem um tique parecido com o da professora de Direito Internacional Privado, a Magalhães Colaço.&lt;br /&gt;Passa uma enfermeira nas suas vestes brancas, qual Florence Nightingalle do século XXI, quem diria que a profissão de enfermeiro exige uma licenciatura e a inscrição na Ordem. Mas esta que passou deve ser das antigas, palpita-me.&lt;br /&gt;Quinze minutos decorreram entretanto e ainda não me deu um chilique e muito menos o badagaio. Que interessante, os outros colegas de infortúnio estão a fazer-me sinal.Ah.. Sou eu agora. Obrigada, murmuro. Sinto-me a transpirar, não é sem razão que se diz que os médicos são uma especie de deuses, nestes momentos em que parece que ficamos à sua inteira mercê. Mas não há-de ser nada e quero lá saber da nacionalidade do médico.&lt;br /&gt;Daqui a nada, já venho.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112407672464594534?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112407672464594534/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112407672464594534' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112407672464594534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112407672464594534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/08/o-mdico-de-famlia.html' title='O médico de família'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112380839073849187</id><published>2005-08-12T01:59:00.000+01:00</published><updated>2005-08-12T01:59:50.743+01:00</updated><title type='text'>Sinfonia</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/33267775/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://photos21.flickr.com/33267775_c2efc01d4f.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/33267775/"&gt;Sinfonia&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Quem me havia de dizer há um ano que hoje estou por aqui há seis meses. E que afinal é mais simples do que ler o catecismo depois do Concílio Ecuménico Vaticano II. Basta uma atenta abertura e com ardor apaixonado. Basta-nos ser, ser um pouco de nós. Ou tudo.&lt;br /&gt;Temos a liturgia, e a confissão da fé que encontra o seu justo valor na celebração do culto. E há a graça, condição insubstituível do agir. Como células dum único organismo, somos uma cidade.&lt;br /&gt;Há cidades que ainda restam dos despojos do dia, que só são cidades porque são pessoas.&lt;br /&gt;As cidades, não os países, são a raiz.&lt;br /&gt;Imagine-se uma constelação de urbes, coexistindo em rede, especializando-se em indústria, em cultura, em lazer, resolvendo os problemas de forma descentralizada e veloz (na verdade a noção de centro passaria a ser puramente nominal, quiçá eventualmente rotativa). Imagine-se o regresso da pólis, e de homens verdadeiramente soberanos e envolvidos...&lt;br /&gt;Talvez uma solução possível, um projecto de pensamento político e de acção política, fosse a criação de uma Europa das cidades; as estruturas tradicionais da civilização, sistemas de vida democrática muito mais flexível e directa, de administração e gestão muito mais fáceis.&lt;br /&gt;Se o actual projecto Europeu titubeia é porque ninguém nele se revê de modo a sacrificar a sua identidade. Por outro lado, uma Europa das cidades-república seria inovadora, renovadora da essência da história do continente, e reforçadora das identidades..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aonde fui parar? Ao fim e ao cabo o que queria escrever é que tu é que importas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto é divagação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela noite que prossegue, incansável, entre as palavras sem dono, escritas da ausência para a ausência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto de al-farrob&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112380839073849187?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112380839073849187/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112380839073849187' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112380839073849187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112380839073849187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/08/sinfonia_112380839073849187.html' title='Sinfonia'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112343921353864992</id><published>2005-08-07T19:26:00.000+01:00</published><updated>2005-08-07T19:26:53.543+01:00</updated><title type='text'>Lá longe</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/ariel/2848996/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://photos1.flickr.com/2848996_00620efa24.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/ariel/2848996/"&gt;Six Sunbeams&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/ariel/"&gt;.Ariel&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	 &lt;br /&gt;Nem as estrelas são eternas. O Sol expandir-se-á tanto que a vida na Terra será impossível dentro dos padrões actuais. Contrariando a teoria da extinção natural das espécies, poderemos um dia viajar até outros planetas, outras estrelas? O sonho começou há muito e brilhou fugazmente com a chegada à Lua, e permanece com a exploração espacial dos novos conquistadores. Com odisseias de vida e de morte, de avanços e retrocessos, de êxitos e de fracassos, como é próprio da evolução. Talvez seja desajustado dar ênfase a isto, quando o mundo que conhecemos está em convulsão permanente, e a violência toma conta do quotidiano e tudo parece condenar-nos a um não futuro. Mas acredito, só porque quero acreditar, que o Homem acabará por chegar Lá..&lt;br /&gt;Lá longe. Aquele lugar tão longínquo como são e foram todos os sonhos, mesmo que esse Lá longe seja apenas a eternidade do pó das estrelas de que somos feitos.&lt;br /&gt;Por estes sonhos que acalento, e tu, aí, talvez, olharei o horizonte em cada dia que nasce, e beijarei cada amanhecer. E por tudo isto amanhã olharei por um segundo mais a linha invisível que me separa do sonho, e desejarei que o Discovery pouse na Terra sob as asas dos anjos que ainda restam, suplicantes, em nós.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112343921353864992?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112343921353864992/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112343921353864992' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112343921353864992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112343921353864992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/08/l-longe.html' title='Lá longe'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112321956782325744</id><published>2005-08-05T06:26:00.000+01:00</published><updated>2005-08-05T06:26:07.836+01:00</updated><title type='text'>Orgulho e preconceito</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/31364451/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://photos21.flickr.com/31364451_0fe5607b21.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/31364451/"&gt;Orgulho e preconceito&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Acabando de descer as escadas ao encontro do Sol escaldante, encontrei Mr Darcy junto ao multibanco. Tinha aquele indecifrável sorriso que já conhecia do Orgulho e Preconceito, o livro mais romântico de todos os tempos sobre os meandros da pequena burguesia rural dominada pela mesquinhez e inveja nos primórdios do século XIX, quando Jane Austen já fazia mais pela condição feminina do que o Sexo e e Cidália, Bridget Jones e as demais sucedâneas viriam a fazer 200 anos depois. Ao vê-o senti subitamente o impeto de voltar a ouvir o Concerto n.º 2 de Rachmaninoff e ficar um dia inteiro ouvindo a Appassionata de Beethoven e o Capricho Italiano, já que tudo o que é belo e bom pede a repetição, e ali estava eu embasbacada e de respiração suspensa, como se costuma dizer, suspensa daquele charme britânico, distante, másculo, superior.. e sensual em simultâneo, próprio de todos os filmes que enaltecem as mulheres que se casam com homens ricos e são felizes para sempre.&lt;br /&gt;Semicerrei os olhos e relembrei o filme, as caminhadas ao pôr do sol e coisas do género, a interessante história que ele encerra, e a eterna dúvida sobre os dois personagens principais, os homens orgulhosos como Mr Darcy e as mulheres preconceituosas como Elizabeth Bennet, ou vice versa. O orgulhoso e belo Darcy, o homem que Elizabeth ama e odeia ao mesmo tempo. &lt;br /&gt;Ah, pouco importa... &lt;br /&gt;Ali estava inerte ao calor do Sol e sob o olhar de Mr Darcy que tinha uma expressão de interrogação, de divertimento e de espanto ao mesmo tempo, e nesses segundos lembrei-me de George Elliot, Mary Shelley, Charlotte e Emily Brönte que povoaram o meu imaginário da adolescência, da Alice de Lewis Carroll e dos livros do Pato Donald, e até de alguns poemas de Sta. Teresa D’Ávila num livrinho preto que lia secretamente. E não foi sem espanto que ouvi a sua voz, num alegre " Como passa a minha querida amiga?", e fixei pela primeira vez o esboço de sorriso que se lhe fixava, senti vibrar o Toccata e Fuga num amolecimento de braços e pernas, num nó na garganta e num calor no rosto, e os olhos de Mr Darcy eram portadores de todos os sonhos e estavam soltos de todos os secretos temores na tarde onde pairavam os sons e cheiros da cidade.&lt;br /&gt;Lancei a cabeça para trás num gesto orgulhoso, esperando que os cabelos fossem trespassados subitamente pelo sol e ganhassem um tom de bronze, logo eu que nunca fui capaz de ver o Música no Coração mais do que duas vezes, nunca li a Constituição Finlandesa, e nem possuo a consciência de Jung, e ele inclinou a bonita cabeça para um lado, com o ar de quem não sabe se deve dizer sim ou não.&lt;br /&gt;E quando ergueu os braços para mim na misteriosa riqueza daquele minuto, não havia orgulho e preconceito que vencesse a alegre covinha do lado esquerdo  da sua cara, no abraço saudoso que nos demos, após quase 15 anos de continentes que nos separaram na distância e no tempo que a vida, por ser vida, nos impõs...&lt;br /&gt;Foi então que nos olhos do meu amigo, do meu amigo de infância, olhos em tons de verde, aquele verde remoto e sereno de uma pureza de esmeralda, vibrou um riso de esfusiante beleza que ressoou no ar quente da avenida... &lt;br /&gt;Com a cor e a doçura do mel.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112321956782325744?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112321956782325744/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112321956782325744' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112321956782325744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112321956782325744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/08/orgulho-e-preconceito_05.html' title='Orgulho e preconceito'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112294769257129414</id><published>2005-08-02T02:54:00.000+01:00</published><updated>2005-08-02T02:54:52.606+01:00</updated><title type='text'>Encontro</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/30469805/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://photos21.flickr.com/30469805_55c3b5f666.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/30469805/"&gt;Encontro&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Há muitos meses que não te vejo ou sinto a tua radiação ou as ondas luminosas que emites. Tanto tempo. Todas as probabilidades parecem estar contra a tua existência. Apesar de Andrómeda. Apesar de Alfa do Centauro, Vega, Lira ou Sirio.&lt;br /&gt;Valerá a pena viajar no tempo e quebrar a barreira da luz e a sua invulnerabilidade? Isso seria um absurdo, no dizer da ciência. Prefiro então a velocidade da chita ou o esvoaçar breve dum colibri para com eles atingir a tua dimensão e a tua eternidade.&lt;br /&gt;Vamos esclarecer as coisas, senta-te aqui ao pé de mim e ouve-me. Deixa os dogmas e sorri com as travessuras do espirito santo e diz ao Papa que vá rezar o terço. Do que tu gostas mesmo é do poema do Fernando Pessoa, confessa. Mas voltando ao que estava a dizer: senta-te aqui ao meu lado. Também gosto de ti embora duvide da tua existência, mas isso é outra história.&lt;br /&gt;Gosto de ti desde o primeiro dia do nosso primeiro encontro, apesar de não termos dito nada um ao outro. Também estou como tu, um pouco cansada, e não me importa o que possa acontecer amanhã.&lt;br /&gt;Também quero estar contigo esta noite, já deves ter adivinhado, mas antes tenho que falar, tenho que falar com alguém, perdoa-me que te utilize. Sempre quiseste que te utilizassem para as boas causas, e gostaria de ter a tua arte tão simples de o exprimir. É pouco. Deixa-me estar com a boca dele sobre a minha boca, surpreendido, sem reagir da surpresa de nos reencontrarmos. Deixa-me esgravatar os lábios dele e sentir a sua língua entre os meus dentes, e procurar os recantos mais recônditos da sua boca. Deixa-me gravar o seu sabor, nem darás por isso, seremos uma presença a mais no meio das tuas imensas presenças, nem perceberás. Deixa-me ouvir a sua voz a chamar-me...Sim, oiço. Sei que é a sua voz e volto-me antes que possa raciocinar sobre isso.&lt;br /&gt;A memória das vozes está em muitas partes do nosso cerébro, e não é de surpreender que o meu cérebro...por assim dizer, toque de novo...de vez em quando.&lt;br /&gt;Dá-me a sua incerteza. Não nos apaixonamos por certezas, mas por alguma coisa que é um risco, não é? Como tu...&lt;br /&gt;E depois, sendo tu Deus e eu uma criatura mortal, és naturalmente uma paixão.&lt;br /&gt;E já que dizes que nos criaste à tua imagem e semelhança, abraça-me.&lt;br /&gt;Abraça-me.&lt;br /&gt;Com toda a tua humanidade.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112294769257129414?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112294769257129414/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112294769257129414' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112294769257129414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112294769257129414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/08/encontro.html' title='Encontro'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112276520308518068</id><published>2005-07-31T00:13:00.000+01:00</published><updated>2005-07-31T00:13:23.090+01:00</updated><title type='text'>O décimo planeta</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/29789428/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://photos21.flickr.com/29789428_9c76f5e108.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/29789428/"&gt;O décimo planeta&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Vem comigo à descoberta do décimo planeta. Entra aqui, em Cassini, e percorre comigo as luas de Saturno. Por Titã a cores, com um céu cor de laranja e onde estão presentes os elementos básicos da vida, anda comigo..vem! Não temas..Não temas a religião fundamentada sobretudo no temor, na sua oposição à inteligência, um temor perante o desconhecido, que te faz desejar uma espécie de irmão mais velho que esteja ao teu lado quando te sentes receoso ou com dificuldades. Descobre o décimo planeta do sistema solar. Vem comigo. É certo que sem um Deus, o cosmos pode parecer-te mais triste, apenas moléculas e plasma, e bastante desprovido de sentido. Queres sentir Deus nos impulsos de "quasars", "pulsars", radiogaláxias e sabe Deus que mais? Escuta-me. Vem comigo e ajuda-me a descobrir-te. A ti, a misteriosa natureza do homem. Tu, aí. Vaguenado na poeira cósmica do teu silencioso amor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequena mosca,&lt;br /&gt;Teu estival folguedo&lt;br /&gt;A minha descuidada mão&lt;br /&gt;Afugentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou eu&lt;br /&gt;Uma mosca como tu?&lt;br /&gt;Ou não és tu&lt;br /&gt;Um homem como eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois eu danço,&lt;br /&gt;E bebo, e canto,&lt;br /&gt;Até que uma mão distraída&lt;br /&gt;Afugente o meu voo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;William Blake, The Fly&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112276520308518068?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112276520308518068/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112276520308518068' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112276520308518068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112276520308518068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/07/o-dcimo-planeta.html' title='O décimo planeta'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112243058614206324</id><published>2005-07-27T03:16:00.000+01:00</published><updated>2005-07-27T03:16:26.180+01:00</updated><title type='text'>Cores do Sul</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/28882563/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://photos21.flickr.com/28882563_04509fa349.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/28882563/"&gt;Cores do Sul&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	A casa ideal deveria talvez possuir uma rua em frente, com prédios e janelas próximas para mais sentir o calor do mundo - e nas traseiras, flores, jardins e céus dependurados nas árvores..&lt;br /&gt;Como uma viagem pelo desejo.&lt;br /&gt;Desejamos acrescentar alguma coisa ao mundo, alguma coisa mais bonita ou mais verdadeira, ou mais útil...ou simplesmente alguma coisa de diferente de tudo aquilo que já há. É o olhar que decide se algo foi visto. Ele decide. &lt;br /&gt;"Isto está mau. Temos que nos apressar, se ainda queremos ver alguma coisa. Tudo está prestes a desaparecer", disse o pintor Paul Cézanne.&lt;br /&gt;Durante centenas de anos, os pintores e os poetas ocuparam-se sózinhos deste gigantesco trabalho. Depois, veio a fotografia e o cinema. Eles têm o olhar do poeta e do pintor. Mas isto não tem importância nenhuma. O momento da foto chega em qualquer altura. Tem a ver com a paixão. Porque sentimos alguma coisa de passional. Porque amamos a vida e gostamos de a dar a conhecer. &lt;br /&gt;Não sou especialista em fotografia, vejo fotos apenas como a maior parte das pessoas o fazem, como "público". E elas ofuscam-me... Têm alguma coisa de tímido e de curioso. São uma soma de muitas memórias. E de presentes. Não são apenas nostalgia. Nostalgia significa pertencer-se a alguma coisa passada, sentir-se ligado a alguma coisa passada. A fotografia é eterna. Não anseia voltar atrás, pois no passado não há esperança. Há sonhos que são memórias, que encontram uma determinada realidade.&lt;br /&gt;E não é mais importante conhecer essa realidade...? Mais do que à memória?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A minha poesia é talvez esta luta contra paredes, muros e pedras - na tentativa de atravessá-las, em busca do universo perdido" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Gomes Ferreira&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112243058614206324?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112243058614206324/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112243058614206324' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112243058614206324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112243058614206324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/07/cores-do-sul.html' title='Cores do Sul'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112226667339804856</id><published>2005-07-25T05:44:00.000+01:00</published><updated>2005-07-25T05:44:33.423+01:00</updated><title type='text'>Pôr do sol</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/28363979/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://photos23.flickr.com/28363979_59166c4b88.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/28363979/"&gt;Pôr do sol&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Ando por aqui a escrevinhar umas coisas dispersas..ao sabor do impulso. Sabe-me bem, à noite. Mesmo com o estado da Nação, as autárquicas, as presidencias, a política... Outros saberão melhor do que eu descrever os problemas do mundo. Agora. E no futuro.. Quando Joseph Sócrates garantir que naquele ano o défice não ultrapassará os 29 por cento, e cumprir. Ou no último arrastão em Carcavelos, os meliantes, aos milhares, levarem a areia toda da praia..&lt;br /&gt;E Paolo Portas II, continuará a garantir que não será candidato às eleições presidenciais...&lt;br /&gt;Ou Albert John Garden pedirá a todos os madeirenses que se vão embora, e que com eles levem também os grandes desestabilizadores da informação.&lt;br /&gt;Talvez Fátima Felgueiras chegue do Brasil para assumir a presidência da câmara de Lisboa, prometendo acabar com as obras do túnel do Marquês..&lt;br /&gt;No Iraque, comemorar-se-á os cinquenta e sete anos de libertação do jugo do tirano, e a festa será feita com o apoio dos soldados norte americanos, tendo estes para o efeito montado umas tendinhas Mac Donalds...Talvez George W. Bush VII haja feito um discurso inflamado aos americanos, em Yellow Stone, garantindo que a captura de Bin Laden IX estará para breve, porque a CIA conseguiu finalmente localizar este famoso terrorista, embora tenham surgido dúvidas se de facto este personagem é real ou tirado do mundo da sétima arte..Talvez a União Europa-América esteja em vias de aprovar a sua própria constituição, graças ao novo sistema de voto que é feito através de um chip instalado no lado esquerdo do cérebro de todos os indivíduos..&lt;br /&gt;Usando um método muito simples, o cidadão apenas necessita de pensar para votar, valendo um SIM dois votos e um NÃO três votos a favor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Misturo o escrevinhar com algum zapping pelos poucos canais da tv (não tenho muitos, não..) com a leitura dum jornal, o folhear dum livro, um toque do telefone, um cd do Astor Piazolla, dos Scorpions, da Betânia..o som da mangueira do vizinho de baixo a regar o jardim (tem limoeiros, roseiras, salsa, e de manhã consigo ouvir os pássaros a chilrear)..&lt;br /&gt;Refugio-me nesta sala a que pomposamente chamo "escritório", um misto de livros espalhados, quadros, uma escrivaninha antiga com gavetinhas repletas de ninharias de que me quero desfazer todos os dias, uma velha máquina de costura, que nunca soube bem o que era, escondida debaixo dum pano marroquino, um estirador onde se acumulam rolos de projectos dum aluno de arquitectura que deixou de o ser...por enquanto.&lt;br /&gt;Flutuo no hoje e no amanhã, tomo os comprimidos do costume..por vezes rabisco umas ideias sobre um trabalho que é urgente para ontem, e fungando nas malhas do excel ligo o computador quase por acaso, e fico-me por aqui. Hoje, por acaso, estive à beira mar..&lt;br /&gt;Hoje, por acaso, andei na areia molhada de onde já fugiram as pégadas.&lt;br /&gt;Hoje, continuas aqui..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Um dia, quando a ternura for&lt;br /&gt;a única regra da manhã,&lt;br /&gt;acordarei entre os teus braços.&lt;br /&gt;A tua pele será talvez demasiado bela.&lt;br /&gt;E a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, quando a chuva secar&lt;br /&gt;na memória,&lt;br /&gt;quando o inverno for&lt;br /&gt;tão distante, &lt;br /&gt;quando o frio responder devagar&lt;br /&gt;com a voz arrastadade dum velho,&lt;br /&gt;estarei contigo e cantarão&lt;br /&gt;pássaros no parapeito&lt;br /&gt;da nossa janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso&lt;br /&gt;será culpa minha,&lt;br /&gt;porque eu acordarei nos teus braços&lt;br /&gt;e não direi nem uma palavra,&lt;br /&gt;nem o príncipio de uma palavra,&lt;br /&gt;para não estragar&lt;br /&gt;a perfeição da felicidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poema de José Luís Peixoto em "A criança em ruínas"&lt;br /&gt;Foto de al-farrob&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112226667339804856?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112226667339804856/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112226667339804856' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112226667339804856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112226667339804856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/07/pr-do-sol.html' title='Pôr do sol'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112208614617077538</id><published>2005-07-23T03:35:00.000+01:00</published><updated>2005-07-23T03:35:46.176+01:00</updated><title type='text'>Viagem</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/27885946/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://photos21.flickr.com/27885946_d082d4f48f.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/27885946/"&gt;Viagem&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Estive em África em tempos. A utopia tinha cor, era vermelha, como deve ser toda a utopia. O  bafo quente e húmido abraçava-me. O suor a nascer nos poros, gotas estranhas a bailar nos olhos, aguardando o crepúsculo que é breve, ali em África. Bantu, macua, masai..Sinto uma noite imensa a abraçar-me a alma e encosto o meu corpo nas paredes do horizonte. A tua boca é um caju fresco, vermelho, colhido no divino cajuzal. Ainda não te conhecia, nunca chegaste a ir a África. A tua terra é acolá. E eu, que ainda não te conhecia mas já te amava, dizia que tinhas razão. A nossa terra é onde estão as pessoas que nós amamos. &lt;br /&gt;E sobre África, repetias.."Fomos ao mar de caravela e regressámos de traineira". Todos nós. &lt;br /&gt;Caminhando ao longo da marginal de Maputo, o dia morria. Mais tarde veio o Out of Africa, e recordei contigo, com uma emoção furtiva, o mistério sensual, a fragilidade pungente, o imaginário mágico e poético. Existem mistérios. Meandros impenetráveis. Um momento fugaz, um sonho. Não sei.Talvez o viver é o sentir, mas acredito que o meu sentir é viver. Volto ali, aos penhascos verdes e às enseadas cor de esmeralda. Somos de muitas terras. Navego numa viagem ao tempo.&lt;br /&gt;Ali, out of Africa.&lt;br /&gt;Contigo, fora do tempo..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta-me&lt;br /&gt;Conta-me o que se calou ainda.&lt;br /&gt;Conta-me a memória, os sorrisos,&lt;br /&gt;a doçura.&lt;br /&gt;Põe a música certa a tocar e conta-me.&lt;br /&gt;Conta-me o sentido, o racionalizado.&lt;br /&gt;Conta-me das histórias,&lt;br /&gt;dos equilibrismos.&lt;br /&gt;Faz-me um desenho, uma pintura.&lt;br /&gt;Diz-me como estava o céu,&lt;br /&gt;como brilhavam as estrelas,&lt;br /&gt;como já se ia embora Vénus&lt;br /&gt;e a aurora raiava o negro&lt;br /&gt;de rosas e amarelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-me como foi o dia,&lt;br /&gt;aquece-me desse mesmo sol.&lt;br /&gt;Conta-me das metamorfoses,&lt;br /&gt;dos crescimentos,&lt;br /&gt;dos pés já doridos, dos sonhos acordados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta-me.&lt;br /&gt;Não esqueças nem um pormenor,&lt;br /&gt;um pensamento, um fio.&lt;br /&gt;Conta-me.&lt;br /&gt;Preenche cada espaço,&lt;br /&gt;soletra cada letra.&lt;br /&gt;Não te enganes nos ondes,&lt;br /&gt;nos quandos, nos porquês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta-me.&lt;br /&gt;Recorda, agora, memória.&lt;br /&gt;Conta-me tudo o que já começo a esquecer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mia Couto&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112208614617077538?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112208614617077538/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112208614617077538' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112208614617077538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112208614617077538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/07/viagem_112208614617077538.html' title='Viagem'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13064754.post-112182022714766568</id><published>2005-07-20T01:43:00.000+01:00</published><updated>2005-07-20T01:43:47.153+01:00</updated><title type='text'>Infinito</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;.flickr-photo { border: solid 2px #000000; }.flickr-yourcomment { }.flickr-frame { text-align: left; padding: 3px; }.flickr-caption { font-size: 0.8em; margin-top: 0px; }&lt;/style&gt;&lt;div class="flickr-frame"&gt;	&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/27217045/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://photos22.flickr.com/27217045_0cf7632cb7.jpg" class="flickr-photo" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/95772963@N00/27217045/"&gt;Infinito&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/95772963@N00/"&gt;my lazuli&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;				&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;	Para o Fernando, do Fraternidade. Um amigo. E para os outros que lá estiveram, no dia 16 de Julho deste ano da graça. Não vos quero perder...&lt;br /&gt;Hoje dedico também a minha humilde blogosfera a um alguém. Lá além. Perto é o longe. Não há longe nem distância. Tudo é infinitamente perto e subitamente longe. Tão longe. Tão aqui. Quem sabe..?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu quisesse mentir-te&lt;br /&gt;dir-te-ia que aprecio a liberdade, &lt;br /&gt;o grito breve e rouco&lt;br /&gt;que por vezes lanças,&lt;br /&gt;as farpas douradas que às vezes&lt;br /&gt;cruzas, a secreta frieza do teu&lt;br /&gt;dentro agitado,&lt;br /&gt;a cicuta dos lábios e o ar agreste&lt;br /&gt;com que vestes a nudez da tua face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se ainda quisesse mentir-te&lt;br /&gt;(mentir-te mais) apreciaria&lt;br /&gt;o perfil do teu gesto&lt;br /&gt;o brilho dos teus olhos&lt;br /&gt;uma certa languidez,&lt;br /&gt;um toque de ironia,&lt;br /&gt;o verbo amado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repousaria então sentada na&lt;br /&gt;verdade de quem não quer&lt;br /&gt;mentir-te&lt;br /&gt;e pensava (pensava muito), que a vida&lt;br /&gt;se esvaía em gotas&lt;br /&gt;de deserto,&lt;br /&gt;em sol imenso,&lt;br /&gt;mar,&lt;br /&gt;e terna solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descansaria de lutas e de trevas,&lt;br /&gt;e passageira nas brumas indecisas&lt;br /&gt;viajaria como pássaro sideral&lt;br /&gt;pelas avenidas do país poético&lt;br /&gt;e gelado das minhas agonias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se procurasse a verdade,&lt;br /&gt;sabia não encontrar ninguém&lt;br /&gt;tão belo, de rosto natural&lt;br /&gt;e não velado&lt;br /&gt;como tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E encostava a cabeça &lt;br /&gt;descansada&lt;br /&gt;na fonte de água fria&lt;br /&gt;que és tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que não quero mentir-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é por isso &lt;br /&gt;que me fazes falta,&lt;br /&gt;desesperadamente.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13064754-112182022714766568?l=mylazuli.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mylazuli.blogspot.com/feeds/112182022714766568/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13064754&amp;postID=112182022714766568' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112182022714766568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13064754/posts/default/112182022714766568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mylazuli.blogspot.com/2005/07/infinito.html' title='Infinito'/><author><name>Fernanda Guadalupe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07835512298688826534</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_8RAGtTbwj6U/S_G3IMTSCbI/AAAAAAAAAAk/Re2LmhTLVlI/S220/eu+diferente.jpg'/></author><thr:total>24</thr:total></entry></feed>
